Powered By Blogger

domingo, 23 de novembro de 2014

Crack - Tudo o que sabíamos sobre ele estava errado

Esta matéria chegou até a mim através de compartilhamento feito pela minha amiga Assistente Social Nivea Oliveira.

Em novo livro, um neurocientista improvável revela que estávamos completamente equivocados no combate ao crack.

Por Denis Russo Burgierman e Cristine Kist

Publicado em julho/2014 na revista Super Interessante

"Por que eu estou aqui de jaleco branco, enquanto esse sujeito está fumando crack?"

Foi essa a pergunta que surgiu na cabeça do neurocientista Carl Hart, em 1998, enquanto ele tomava notas de suas observações para a pesquisa sobre efeitos do crack que estava realizando no Hospital da Universidade Columbia, em Nova York.

Hart era um cientista respeitável de Columbia, com três pós-doutorados, o primeiro negro a ser contratado como professor titular na área de ciências desta que é uma das melhores e mais tradicionais universidades americanas. O homem à sua frente era negro também, também na quarta década de vida, embora sua expressão indicasse muito mais idade. Era um vendedor ambulante, que tinha o hábito frequente de fumar crack nas ruas de Nova York, e que tinha concordado em participar da pesquisa em troca de droga grátis e algum dinheiro.

Os dois não poderiam estar em situação mais diferente. Mas Hart sabia bem que, por pouco, ele próprio tinha escapado do destino do outro. É essa a história que ele conta no livro Um Preço Muito Alto, que demole vários mitos sobre o crack.

Como ele escapou

Nos anos 80, quando estava no ensino médio, num bairro pobre de Miami, o pai alcoólatra, a mãe desequilibrada, cada um numa casa, a vida sem perspectivas, Hart traficava maconha. Ele circulava com um fuzil no porta-malas, ameaçava brancos que se aventurassem pelo bairro, roubava baterias de lojas de autopeças e televisores da casa dos vizinhos.

Por sorte (e por ser jogador de basquete e futebol americano e, portanto, correr bem), nunca foi pego. Se fosse, a ficha suja acabaria com suas chances de sucesso. A maioria das pessoas à sua volta - amigos e família - saiu-se pior. Uns se afundaram no crack, outros mofaram na cadeia. Um morreu com um buraco de bala numa execução na rua.

Hart usou drogas e tomou todas as decisões erradas possíveis. Mas encontrou um caminho para uma vida produtiva, de pagador de impostos e educador da juventude. "Foi sorte", admite. Mas não só sorte. Hart se salvou agarrando-se a oportunidades que apareceram. Primeiro: ele tinha jeito com matemática - e descobriu ainda adolescente o prazer de ser bom em algo.

Segundo: teve na família algumas referências sólidas de valores. Uma avó ensinou-lhe a ética do trabalho duro, outra transmitiu-lhe a importância de obter uma educação. Graças a isso, quando terminou o ensino médio e se deu conta de que o sonho de ser atleta profissional não passava de ilusão, ele teve forças para entrar na Força Aérea. No quartel, pôde começar uma faculdade, viajar o mundo e conhecer algumas referências de negros de sucesso, algo que não existia em seu bairro.

Terceiro: ele teve chances. Havia vagas em universidades de primeiro time para gente talentosa que viesse de uma vida miserável. Hart foi estudar na prestigiosa (e caríssima) Yale, com bolsa. Encontrou mentores que o guiaram e descobriu que, além do talento matemático, ele tinha capacidade de observação e habilidade para fazer cirurgia cerebral em ratos de laboratório. E aí uma carreira acadêmica se abriu para ele.

Ele decidiu tornar-se especialista nos efeitos do crack, para entender como a droga tinha destruído sua comunidade. E virou um neurocientista improvável, com seus dreadlocks e os três dentes de ouro, lembranças dos tempos de pobreza.

Enquanto Hart avançava na carreira, um incômodo crescia. Ao mesmo tempo em que se aprofundava nos dados científicos, ele acompanhava o debate público sobre a droga. Todo mundo dizia que o crack transformava pessoas em zumbis. Que era uma epidemia se alastrando. Que viciava logo na primeira vez que alguém experimentasse. Que matava em poucos anos e que transformava gente comum em criminosos.

O problema é que nenhuma dessas certezas tão repetidas estava de acordo com o que ele observava no laboratório.

"Procuram-se crackeiros"

"Procuram-se usuários de crack que não estejam dispostos a parar de fumar." Era esse o texto do anúncio que Hart publicou num jornal gratuito de Nova York, em setembro de 1998.

Sua ideia era ousada: dar crack a pessoas que já eram usuárias e pretendiam continuar (não seria ético fornecer droga a um não-usuário ou a alguém que estivesse tentando parar). Dessa forma, ele poderia observar os efeitos de maneira científica, controlada, objetiva. Não foi fácil aprovar o estudo, dadas as complicações éticas e a dificuldade de financiamento para um projeto tão polêmico. Mas Hart conseguiu porque já tinha uma reputação na área e o apoio de uma universidade respeitada.

Foi assim que começou seu projeto de registrar cientificamente os efeitos do crack, em vez de acreditar no que se dizia na TV. Por meses, ele deu doses de crack ou placebo (para comparação) a vários sujeitos. Eles então eram convidados a escolher entre mais crack ou outra coisa (dinheiro, por exemplo). Hart percebeu que os usuários são sim capazes de tomar decisões. Se a alternativa era boa, eles abriam mão do crack.

"Como qualquer um de nós, dependentes não são sensíveis a só um tipo de prazer", escreveu. O vício realmente "estreita o foco" - um "crackeiro" tem mais dificuldade de achar graça em outras coisas, assim como um faminto prioriza comida. "Mas o vício grave não transforma a pessoa num ser incapaz de reagir a outro tipo de incentivo", diz. Mesmo na fissura, um dependente é capaz de tomar decisões racionais, quando a alternativa compensa. Ele não se transforma num zumbi criminoso.

Essa descoberta está de acordo com pesquisas feitas com ratos pelo canadense Bruce Alexander. Ratos mantidos sozinhos em gaiolas apertadas, quando recebem crack, drogam-se tanto que às vezes se esquecem de comer e morrem. Mas, se a gaiola tiver diversão, interação social e um cantinho para ficar a sós com as ratinhas, eles acabam escolhendo os prazeres alternativos e deixam a droga de lado.

O problema é que, em muitos lugares, como no bairro onde Hart cresceu, não há muitas alternativas que compensem. Dependentes de crack não são irracionais: são pessoas que não enxergam saída na vida e que optam por fugir do estado consciente, ainda que isso lhes faça muito mal e possa matá-los. O próprio Hart escapou das drogas não porque ficou longe delas, mas porque encontrou outros interesses, que o motivaram a trabalhar duro.

"Crack não vicia muito"

Em maio último, Hart veio ao Brasil para lançar o livro. Uma noite ele participou de um debate com o médico Drauzio Varella, numa livraria de São Paulo. Drauzio, que passou décadas trabalhando em cadeias, deu um depoimento que chocou o público: "uma coisa que eu percebi olhando os presos é que o crack na realidade não vicia muito".

Mas como? Não se diz que o crack vicia automaticamente, logo na primeira vez? Pois, segundo os dados, isso é outro mito: simplesmente não é verdade. "Oitenta por cento dos que experimentam não se viciam", diz Hart. "Largar o cigarro é mais difícil que largar o crack", concordou Drauzio.

Mas, para conseguir largar, é preciso ter o que Hart chama de "reforço alternativo" - uma outra opção, que seja atraente o suficiente. Por exemplo: família, uma carreira interessante, uma paixão, algo que motive a largar a fumaça inebriante.

Para as pessoas que estão na rua, sem perspectiva, não há reforço alternativo. Ficar sem crack, para eles, é pior, porque obriga-os a conviver de cara limpa com a sujeira, a desesperança, a violência. Por isso que, embora crack seja usado por gente de todas as classes e etnias, os brancos e os de classe média geralmente não se viciam, porque têm algo a mais a esperar da vida. Quase sempre quem se dá mal são os mais pobres, os que vêm de famílias desestruturadas e os membros de minorias raciais.

Hart sabe disso não só pelas suas pesquisas, mas por sua história. "É impossível crescer num mundo que despreza pessoas que têm a sua aparência e não sucumbir secretamente à insegurança", escreveu. Ele próprio acreditou que, por ser negro num bairro pobre, jamais poderia aspirar muito. Mas, à medida que portas foram se abrindo e ele foi entrando, Hart recebeu "reforços positivos", que foram condicionando-o a continuar tentando. É psicologia básica.

Os dados ajudam a enxergar a desigualdade racial dos danos ligados ao crack. Nos EUA, 52% dos usuários são brancos, enquanto só 15% são negros. Mas, entre os que acabam sendo presos, 79% são negros e só 10% são brancos. No Brasil também, a imensa maioria de quem chega ao fundo do poço é negra ou mestiça. Segundo uma pesquisa recente da Fiocruz, 80% da população das chamadas cracolândias tem pele escura.

"Acho ofensivo vocês brasileiros chamarem as cenas de uso de cracolândia", disse Hart na livraria. "Passa a ideia de que tudo o que acontece lá é por culpa do crack. E não é. O que está acontecendo lá é desespero, é racismo, é pobreza. O crack não cria a pobreza." Na realidade, o uso excessivo é consequência, não causa, das cenas degradantes.

Outra ideia disseminada é a de que há uma "epidemia" de crack. Segundo Hart, trata-se de outro mito. Os números da Fiocruz mostram que há 370 mil usuários de crack nas capitais do País. Se extrapolarmos esse número para todas as cidades do Brasil, chegaríamos a 700 mil usuários - número provavelmente exagerado porque o crack ataca mais as cidades grandes. É muito, mas longe de ser uma epidemia - não chega a 0,4% da população. E não está crescendo de maneira explosiva.

Há sim um alastramento do vício em crack entre os mais pobres, desestruturados e desesperados. Mas isso não vira epidemia porque o vício não se alastra para fora desses grupos.

Como vencer?

O Brasil tentou vencer o crack com repressão. A polícia prendia os usuários que viviam na rua, queimava seus barracos improvisados, levava-os algemados a um tratamento compulsório. O resultado foi que as cenas de uso, antes concentradas, se espalharam por toda parte. As pessoas que eram forçadas a se tratar podiam até parar por algum tempo, mas, sem "reforço alternativo", acabavam voltando para a rua. Afinal, sempre haverá um beco escuro para se drogar. E sempre haverá uma pedra de crack para comprar, já que é impossível vigiar toda a imensa fronteira entre a Amazônia brasileira e os países produtores de cocaína - Bolívia, Colômbia e Peru.

Como todo mundo diz que crackeiros são "zumbis", eles próprios acabam muitas vezes acreditando nessa visão, e se julgando incapazes de escapar- aí não têm motivação nem para tentar. Assim, as cracolândias vão ficando maiores e mais comuns. Foi o que aconteceu nos últimos 15 anos no Brasil.

Ultimamente, algumas cidades começam a se dar conta disso, inspiradas por experiências de outros países. Em São Paulo, 2014 começou com uma nova estratégia na região da Luz, a primeira cracolândia brasileira. A ideia central do programa Braços Abertos é tratar as pessoas vivendo na rua como gente. A prefeitura disponibilizou chuveiros, passou a oferecer atendimento médico, cedeu quartos em pequenos hotéis da região a 400 dependentes que queriam melhorar de vida, e agora está ajudando-os a regularizar seus documentos.

Vários dos ex-moradores da rua passaram a trabalhar na varrição das vias, com remuneração. O resultado é um ambiente um pouco menos degradante. Cento e vinte dos usuários já têm carteira de trabalho. Quarenta deles estão prestes a conquistar um emprego, fora dali. Reforço positivo.

Numa segunda de manhã, vou passear pela região. Entro em alguns dos hotéis: simples, mas dignos. Ando pelas ruas e vejo, aqui e ali, alguma beleza. Converso com as pessoas. Há muitos problemas ainda - desconfiança mútua entre usuários e governo, rivalidade entre a prefeitura (do PT) e o Estado (do PSDB), dúvidas quanto à qualificação de quem trabalha no programa. Mas o número de usuários na rua diminuiu, a sensação de segurança aumentou. Há alguma esperança no ar.

Mundo real

Quando chegou ao Brasil, Hart avisou que não veio para cá apenas para conversar com médicos. Queria ver o mundo real. Foi visitar uma das cenas de uso de crack mais terríveis do Brasil: a cracolândia da favela de Manguinhos, no Rio, um canto que a própria favela segrega.

No última dia dele em São Paulo, ofereço uma carona até o aeroporto. Foi o único horário que consegui em sua agenda, em meio a reuniões, debates em livrarias e visitas a cracolândias. Pergunto se ele se chocou com o que viu. Ele não parecia surpreso. "É a mesma cena de pobreza no mundo todo", diz.

Pergunto se ele não tem medo de que a exposição de sua vida pessoal prejudique a carreira que ele construiu com tanto esforço. "Eu costumava ter esse medo, sim", ele responde. "Mas já tenho 47 anos e é minha obrigação contar o que eu sei. Se eu não fizesse isso, minha consciência não me deixaria olhar no espelho." Ele acha que boa parte de seus colegas é omissa. "A ciência já compreende há 20 anos a farmacologia do crack, mas as pessoas que sabem permanecem em silêncio." Hart chama a ciência de "clube de elite", sem muito interesse pelos problemas dos negros e dos mais pobres. "Além disso, muitos cientistas se beneficiam dessa perspectiva errada, porque o governo gasta uma fortuna combatendo as drogas e esse dinheiro acaba financiando suas pesquisas."

Assim, gasta-se muito, não resolve-se nada. Afinal, não é o exército, nem o governo, nem a polícia que vão vencer o crack. É cada usuário, cada dependente, tendo como arma apenas a vontade que encontrar dentro de si. Só o que o resto da sociedade pode fazer é oferecer incentivos que sirvam de reforço, e informação confiável que aumente sua capacidade racional de decidir melhor.

Mito número 1 - Há uma epidemia de crack, que transforma uma multidão de pessoas em zumbis sem vontade própria.

A verdade - Não é uma epidemia, já que ela não se alastra. E usuários não são zumbis - se têm oportunidades, são capazes de largar a droga.

Mito número 2 - O crack transforma as pessoas em criminosas, incapazes de refletir sobre a consequência de seus atos.

A verdade - O vício aumenta sim a taxa de roubos, mas metade dos dependentes tem emprego fixo e não comete crimes.

Mito número 3 - Crackeiros tornam-se incapazes de encontrar prazer fora do crack. Escravos da droga, não têm motivação para mais nada.

A verdade - Pesquisas mostram que dependentes de crack são capazes de responder a outros estímulos, se houver uma alternativa atraente.
Imagem: Creativecommons/ Marcos Gomes- na cracolândia

Publicado em julho/2014
Link original: http://super.abril.com.br/cotidiano/crack-tudo-sabiamos-ele-estava-errado-810501.shtml?utm_source=redesabril_jovem&utm_medium=twitter&utm_campaign=redesabril_super

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Por que o investimento estrangeiro se sustenta no Brasil?


Ruth Costas Da BBC Brasil em São Paulo
18/11/2014 - BBC Brasil

Apesar de dados que têm despertado o pessimismo de analistas e de uma parte da sociedade, a economia brasileira continua atraindo o interesse de alguns investidores estrangeiros - uma contradição aparente que encontra explicações no longo prazo.
Animados, Phil Popham, diretor de marketing da Jaguar Land Rover (JLR), e Terry Hill, diretor do grupo para a América Latina, descreveram no Salão Internacional do Automóvel, no mês passado em São Paulo, os planos da empresa para a construção de uma fábrica em Itatiaia e as perspectivas de negócios no país.
"O segmento de carros premium continua a crescer apesar da desaceleração", explicou Popham. "Além disso, nosso foco é no longo prazo."

A fábrica da JLR no Brasil será a primeira totalmente controlada pelo grupo fora da Grã-Bretanha e começará a fabricar o Land Rover Discovery Sport em 2016. A estimativa é que custe R$ 750 milhões e crie, inicialmente, 400 empregos - número que poderia dobrar em alguns anos.
O grupo não parece ser o único a olhar para além do atual estado de quase estagnação da economia brasileira - que deve crescer em torno de 0,3% este ano, segundo as projeções do mercado.

Surpreendemente, apesar da desaceleração, o fluxo de Investimentos Diretos Estrangeiros (IDE) para o Brasil continua em patamares relativamente elevados.
Nos últimos 12 meses, tal fluxo atingiu US$ 66,5 bilhões, segundo dados do BC - mesmo nível de 2011, quando o Brasil ainda era o queridinho entre economias emergentes. Em 2010, quando o PIB se expandiu 7,5%, o IED ficou na casa dos US$ 48 bilhões.

Dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) parecem confirmar o fenômeno. De acordo com a Cepal, o IDE para o Brasil aumentou 8% de janeiro a agosto na comparação com 2013. Já na região como um todo, os investimentos estrangeiros caíram 23%.

O caso do setor automobilístico chama a atenção também porque ele parece ter sido um dos mais rapidamente afetados pela freada do PIB.
As vendas caíram 8,9% este ano sobre o mesmo período de 2013 e os pátios cheios se tornaram a imagem-símbolo do desaquecimento econômico. O setor também teria fechado 12 mil postos de trabalho nos últimos 12 meses, segundo o IBGE.

Ainda assim, também no Salão do Automóvel, tanto a BMW quanto a chinesa Chery Internacional apresentaram modelos de carros a serem produzidos em fábricas recém-inauguradas no Brasil.
E a Geely Automobile, também chinesa, confirmou que está estudando a abertura de uma montadora no país embora, como ressalta Rodrigo Baggi, da consultoria Tendências, "ao menos no curto e médio prazo, haja dúvidas sobre se haverá demanda para tanto carro".
O que explica a resiliência desse interesse estrangeiro pelo Brasil?

Planejamento

Parte desses investimentos foi planejada anos atrás, quando o crescimento brasileiro ainda empolgava, como nota o economista Caio Megale, do Itaú-Unibanco.
"Mas isso só explica uma parte da história", diz Megale. "O mercado brasileiro de fato tem algumas características que tem ajudado a sustentar o interesse estrangeiro. Somos uma democracia estável e a economia ainda apresenta fundamentos sólidos, por exemplo."

Número de grifes de luxo no Brasil dobrou nos últimos cinco anos.
Irene Mia, diretora para América Latina e Caribe da Economist Intelligence Unit, concorda. A EIU tem planos de abrir um escritório em São Paulo até o final do ano, para "melhor servir seus clientes brasileiros e estrangeiros focados no Brasil".
"O crescimento não é o único critério usado pelos investidores para tomar suas decisões de investimento. A atratividade do Brasil para o IDE permanece enorme ", diz ela.
Economistas e analistas econômicos costumam apontar pelo menos dois fatores que estariam por trás da atratividade do mercado brasileiro.

O primeiro estaria ligado à escala desse mercado, que estimularia as empresas a pensarem "no longo prazo" no que diz respeito ao Brasil.

"O mercado de cosméticos brasileiro é o terceiro maior do mundo, o automobilístico é o quarto maior e o de laptops, o terceiro", diz Olavo Cunha, do Boston Consulting Group.
"Muitas multinacionais sentem que precisam ter um plano para o Brasil para os próximos dez, vinte anos. E mesmo aquelas que já têm uma forte presença no país, como a Nestlé ou a Unilever, por exemplo, precisam fazer investimentos para manter sua fatia do mercado no longo prazo."

Mobilidade social

Nos últimos anos, as dimensões do mercado brasileiro ainda teriam sido reforçadas pelo processo de expansão da Classe C. Milhões de brasileiros deixaram a pobreza para serem incluídos nessa nova classe de consumidores. E embora esse processo tenha sido freado pela desaceleração, continua em curso.

Além disso, como as taxas de desemprego continuam em patamares historicamente baixos, ao menos até agora a desaceleração ainda não chegou a afetar de forma drástica a vida e hábitos de consumo da maioria dos brasileiros, segundo os analistas.
Outro fator que fomentaria o interesse estrangeiro pelo Brasil é que alguns nichos da economia brasileira - e algumas regiões geográficas do país - ainda estão crescendo em um ritmo relativamente acelerado.
O setor de petróleo e gás, por exemplo, continua a atrair a atenção de investidores - embora o escândalo de currupção da Petrobras possa deixar sequelas.
A área de infra-estrutura também seria promissora, segundo Luis Afonso Lima, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e Globalização Econômica (Sobeet).
"Há um enorme potencial para se atrair aportes nessa área, mas para isso o governo precisa garantir um ambiente regulatório favorável", diz ele.

O mercado de bens de luxo é outro exemplo. De acordo com um relatório da McKinsey, o número de grifes estrangeiras com presença no Brasil dobrou nos últimos cinco anos.
Ainda assim, as três principais marcas de luxo no país têm apenas 0,3 lojas para cada milhão de clientes em potencial - contra 4 lojas na China.

No caso dos carros premium, a JLR prevê que eles possam aumentar sua participação de 2% para 4% ou 5% do mercado de automóveis no Brasil até 2020. Na Europa, essa participação é de 10% e há pouco espaço para crescimento.
Mesmo entre os modelos populares, associações do setor acreditam haver espaço para uma expansão do mercado automobilístico no longo prazo.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), por exemplo, projeta que, até em um cenário pessimista, a frota de automóveis no país deve dobrar nos próximos 20 anos.
"Para completar, as empresas estrangeiras também estão lentamente descobrindo o potencial de crescimento das cidades médias e interior do país", diz Baggi, da Tendências.
"Impulsionadas por recursos do agronegócio, algumas dessas cidades estão se tornando uma nova fronteira de consumo"

Alta lucratividade

Para Marcos Troyjo, Co-Diretor do BRICLab na Universidade Columbia, há ainda um outro fator por trás da atratividade do Brasil para investidores estrangeiros.
"Um carro que custa US$ 15 mil nos Estados Unidos pode ser vendidos no Brasil pelo dobro ou o triplo", diz ele.

O preço mais alto compensa, em parte, os custos da carga tributária mais elevada, a complexa burocracia do país e os problemas ligados à falta de infraestrutura.
"Mas as margens (de lucro) também são maiores. As empresas são obrigadas por barreiras protecionistas a produzir no país para acessar o nosso mercado doméstico. Mas, uma vez aqui, elas também acabam protegidas da concorrência externa", diz Troyjo.
"Quem perde, mais uma vez são os consumidores brasileiros."

Segundo Troyjo, 2015 será decisivo para definir as tendências nos fluxos de IDE para o Brasil nos próximos anos.
"Se o governo começar a fazer as reformas e correções de rumo na política econômica vistas como necessárias para a retomada do crescimento, os investidores devem responder positivamente. Se o sinal for contrário, opina. podem começar a repensar até sua estratégia de longo prazo para o país", opina.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Perdedores e Ganhadores... Quem eu quero ser?

Estou feliz com resultado das urnas... É demais pedir que "todos" entende - se seu significado de fato... esse entendimento não vai acontecer;  menos ainda será aqui no face que haverá o convencimento de uns ou de outros. É verdade que "nosso" governo, seja em São Paulo", seja no Governo Federal; não são os melhores do mundo nem tão pouco representam todos os cidadãos dessas localidades/instâncias, em detrimento de qualquer "recalque" foi nas urnas que ganharam e independente de pra quem tenham votado  vão ter de governar a todos os "cidadões". Como em toda sociedade democrática,  e que assim permaneça,  a quem discorda cabe a oposição em movimentos, partidos,  grupos,  associações e mesmo através de "verborragia" aqui no face e assim seguimos... Ofensas e desrespeito à parte, e alguns casos devem ser tratados como "crime" (racismo e discriminação), o fato simples é que a pequena diferença dentro de espectro do eleitorado Brasileiro demonstra,  mais que a "vitória" de A ou B, a necessidade de se perceber que quase 50% do eleitorado pensa diferente e também eles são brasileiros... Sei que alguns entre aqueles que votaram no candidato derrotado (veja que me refiro a alguns) pode-se dizer que são a tal "burguesia raivosa" ou "o xenofóbico" capitalista com medo da perda de seu "status quo"; com certeza não se trata da maioria que votou no Sr Aécio Neves... Na minha humilde opinião são pessoas comuns que fizeram a leitura possível com a "informação" que tinham a "sua  disposição" e julgaram mediante a isso o que seria melhor para o Brasil... De igual modo, não foram apenas as pessoas mais pobres, sem acesso a informação é ou recebedora de um direito constitucional  (direito a renda) que garantiram a eleição da Sra Dilma Rousseff;  tão pouco são os pouco mais de 51% desses eleitores, corruptos, burros, cegos e outros nomes pejorativos... com certeza tanto em um grupo como no outro temos brasileiros que são trabalhadores,  pobres, ricos, honestos ou não... Esse recado das urnas é de fato importante!  QUEM GANHA essa eleição herda a necessidade e responsabilidade de fazer melhor  do que tem feito, ainda que acredite que fez muito... QUEM PERDE é quem não é capaz de mesmo frente a diversidade ser melhor e fazer sua parte como cidadão,  cobrando, participando, exigindo as tais mudanças prometidas. Quem, perde é quem aposta suas fichas no pior é na "não democracia"; e entre estes perdedores estão também eleitores da Sra Dilma e do Sr Aécio. Espero pessoalmente que entremos em uma fase da busca mais profunda pra sermos melhores, e não acredito que as palavras grosseiras de ambas as posições que se apresentam aqui no Face seja a expressão do "povo" brasileiro, até por que uma porcentagem bem menor do que quem foi as urnas tem acesso a Internet... Espero também que os governantes estaduais e municipais  (em especial modo a Prefeitura de Sto André/SP e o Governo de São Paulo) sejam capazes de fato de ser expressão dessa "vontade" de fazer melhor... Que estes governantes independentes das matizes que defendem, aproveitem esta "legitimação" das urnas para serem na prática "melhores" e respeitem mesmo aqueles que não votaram em suas perspectivas. Por fim acredito que teremos mais "escanda-los", até por que hoje a "Polícia Federal" pode investigar sem  engavetamento e a imprensa é de fato "livre" até para ser desrespeitosa... teremos "quase" pleno emprego, independente da crise financeira que fez com que todas os outras 7 economias maiores que a do Brasil desempregassem em larga escala; que teremos mais pessoas (inclusive de classe média) em Universidades Públicas, até por que temos muito mais universidades públicas hoje, bem como continuaremos debatendo a papel do Estado na economia, se juros sobe, se juros desce... Com toda essa pluralidade... mesmo diante de quem discorda de mim, estou feliz com o Brasil! Parabéns a todos os brasileiros!

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Quem tem direito à licença-maternidade: o pai ou o filho?


Quem tem direito à licença-maternidade: o pai ou o filho?

14/10/2014

Saiu na Folha de São Paulo

“Justiça dá licença-maternidade a pai solteiro que adotou garoto de 4 anos
Um menino debilitado, de olhar caído e coberto de feridas da cabeça aos pés hipnotizou o servidor público [Bezerra] durante uma visita a um abrigo de Garanhuns (a 232 km do Recife).
Foi ali que ele decidiu: João (nome fictício) seria seu primeiro filho e teria os mesmos direitos de qualquer outra criança adotada no país.
Onze meses depois, o garoto de quatro anos ganhava um sobrenome e uma casa.
Mas o pai, que é solteiro, queria mais do que ter um filho. Ele queria criá-lo.
Depois de ter o pedido negado pela Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste), onde trabalha há 20 anos, decidiu recorrer à Justiça para obter licença remunerada de 180 dias (…)

Como servidor público, Bezerra está submetido a uma lei que concede período de afastamento só às mães.
Os pais ganham no máximo cinco dias de licença.
Em paralelo à lei, no entanto, a Justiça já havia concedido os 180 dias de licença a mães solteiras e casais homoafetivos que adotavam crianças recém-nascidas (…)
O juiz federal Bernardo Ferraz, do Tribunal Regional Federal da 5º Região (TRF-5), afirma que concedeu a liminar amparado pela Constituição”

Às vezes nos acostumamos tanto com um direito que nos esquecemos de perguntar por que ele existe. Sabemos que a licença-maternidade e a licença-paternidade existem, como funcionam, que queremos aumentá-la, mas raramente paramos para pensar por que existem.

Certamente não é uma recompensa para quem tem o filho. Se fosse, uma mãe com trigêmeos teria um ano e meio de licença-maternidade. Tampouco é pelo cansaço causado. Se fosse, a licença-paternidade deveria ser mais extensa do que é (e provavelmente ambas perpetuariam por anos). Da mesma forma, não é para que os pais tenham a oportunidade de conhecer o filho. Se fosse, seria injusto que a mãe tenha uma licença 36 vezes maior que o pai.

Em teoria, ela foi criada foi para que a mãe pudesse cuidar do recém nascido, evitando assim que ele morresse ou sofresse as mazelas do abandono. Há também o argumento econômico: logo depois do parto a produtividade econômica da mulher evidentemente caia por alguns dias, logo, em termos financeiros, não afetava tanto o ganho do dono da empresa deixá-la faltar ao trabalho alguns dias sem despedi-la. E, para a sociedade, assumir a perda econômica desse afastamento era melhor do que arcar com o custo de uma criança morta ou com as sequelas de seu abandono. E existe o argumento moral: era o certo a fazer.

Mas às vezes as razões de um direito ter sido criado não necessariamente precisa ser a mesma para que ele continue existindo.

Na última década, a Justiça passou a olhar a licença não como um direito da mãe ou do pai, mas como um direito da criança. O direito de não ter só alguém tomando conta, mas também de formar laços físicos e emocionais que perpetuarão para sempre. Daí concedermos a licença para quem adota uma criança que já não precisa da atenção urgente de um recém-nascido ou, no caso acima, permitirmos ao pai solteiro ficar com a criança o mesmo tempo que uma mãe ficaria.

Essa mudança filosófica sobre quem é o sujeito do direito não ocorre só no Brasil. Países como a Suécia hoje dão aos casais a possibilidade de decidir como dividirão entre si o tempo de licença.

Mas isso gera uma pergunta interessante: se filosoficamente o direito começa a ser entendido como pertencente à criança, poderemos em breve chegar a um ponto que a Justiça forçará o pai ou mãe que deseja voltar antes do fim da licença ao trabalho a usufruí-la integralmente?

fonte: Quem tem direito à licença-maternidade: o pai ou o filho?

terça-feira, 16 de setembro de 2014

A semântica assassina da homofobia

A semântica assassina da homofobia

Por Alex Antunes – dom, 14 de set de 2014
Fonte: https://br.noticias.yahoo.com/blogs/alex-antunes/a-semantica-assassina-da-homofobia-024027721.html

Nesta sexta-feira foi preso o lavrador Andrie Maycon Ferreira, assassino do garçom João Donati. O crime ocorreu na quarta-feira, em Inhumas, na região metropolitana de Goiânia. As primeiras notícias davam conta de um bilhete homofóbico deixado no corpo, e de indícios de tortura, como as pernas quebradas da vítima. A polícia depois desmentiu o bilhete e a tortura.

Uma onda de textos “aliviados” (sem trocadilho), como este aqui, comemoraram o fato do assassino ter tido relações sexuais com a vítima, o que descaracterizaria as alegações de homofobia. O mesmo tipo de inquietação contaminou as declarações do delegado, que afirmou que era possivelmente um crime “passional”, mas certamente não homofóbico.

Vamos nos ater ao depoimento do assassino confesso. Andrie admite que teve relações sexuais com a vítima, que conheceu no mesmo dia; mais que isso, que tem relações sexuais com outros homens. “Eu não matei ele por ele ser gay. Eu até gosto, não tenho nada contra eles. O problema foi que ele quis fazer gracinha comigo”, disse. Epa. “Eles” quem, Andrie? Você faz sexo gay, tudo indica que você é gay.

A “gracinha” em questão é que João teria tentado tratar Andrie como “passivo”, invertendo as posições. Aqui entramos em um território bizarro. Sabemos de uma alegação patriarcal recorrente de que o “gay ativo” não é bem gay, porque ele não se deixa penetrar. Isso recentemente virou até a teoria g0y (escrito assim, com um zero no lugar do o), uma autodenominada filosofia que se diz hétero, mesmo que se pratiquem carinhos entre homens, incluindo masturbação e até sexo oral.

Ora. Temos um ASSASSINATO provocado por questão que é quase semântica. Para João, que se dizia gay, era natural variar os papéis. Para Andrie, que não se diz gay apesar de transar com homens, seu ato de fúria foi provocado por ser confundido… com um gay. Um passivo. Um “fêmeo” (sendo que fêmeo não existe, e nem o clichê patriarcal que associa mulher e passividade procede)..

Não creio que o depoimento do assassino alivie em nada o problema de quem se diz contra a “conspiração gay”, muito pelo contrário. Os moralistas tentam traçar entre eles e o assassino um risco, ao dizerem que foi um problema entre dois gays (o que o delegado quer chamar de maneira forçada de “crime passional”, onde não havia paixão nenhuma). Mas esse traço de separação na verdade está entre o assassino e a vítima. E deixa os fundamentalistas e o assassino do mesmo lado: o de quem tem um profundo desconforto com o sexo entre homens.

Como diz o especialista internacional em direito e sexualidade Daniel Borrillo no livro Homofobia – História e Crítica de um Preconceito”, muitos homens que assumem um papel ativo na relação com outros homens não se consideram homossexuais (…) Mas não basta ser ativo, é preciso que a penetração não seja acompanhada de afeto, pois isso coloca em perigo a imagem de sua masculinidade. Eis então como, a partir de uma negação, vários homens, mesmo tendo relações homossexuais regulares, podem recusar toda e qualquer identidade gay e ser homofóbicos. O ódio serve à reestruturação de uma masculinidade frágil, que necessita se reafirmar por meio do desprezo dos outros-não-viris: o frouxo e a mulher”.

É esse problema entre o tesão e a semântica que os g0ys tentam resolver, ao “decretarem” que são héteros, e reduzirem toda a homossexualidade e homoafetividade ao uso que dá ao ânus masculino. As suas seriam manifestações de afeto viril, com raízes na antiguidade clássica, como explica este site. Sem fiofó, é tudo muito macho. As soluções patriarcais, como sempre, são totalmente formais e fetichistas.

A admiração recíproca masculina tem dessas armadilhas. E o futebol tem muito a ver com isso. Esta semana, o site do Coríntians publicou um manifesto anti-homofobia. “Pelo fim do grito de ‘bicha’ no tiro de meta do goleiro adversário. Porque a homofobia, além de ir contra o princípio de igualdade que está no DNA corinthiano, ainda pode prejudicar o Timão”, diz um trecho da nota.

A origem do manifesto poderia ser um alerta do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) sobre o comportamento dos torcedores – ainda no clima da exclusão do Grêmio da Copa do Brasil por causa das ofensas racistas da torcida contra o goleiro Aranha. Ou, numa tese mais conspiratória, nas provocações contra o jogador Elias, que segundo um boato teria provocado o corte de Maicon da seleção brasileira ao ter um caso com ele.

Evidentemente a vida sexual de Maicon e Elias não interessaria a ninguém. Mas o frisson futebolístico com brincadeiras (homo) sexuais não cessa jamais. Há uma pergunta que fica no ar com o manifesto do Coríntians (publicado ainda por cima num timbre oficial ridículo, absolutamente descalibrado com o assunto e com o tom informal do texto). A pergunta é: existe alguma graça no futebol se não se puder gritar “chupa”, e chamar os “rivais” sãopaulinos de “bambis”? Eu diria que não. A principal graça do futebol é o frisson do fiofó.

Assim como tem muito mais gay não-praticante por aí do que parece – exatamente os que querem parecer que não são. Ao “denunciarem” as preferências alheias, ou mesmo ao simplesmente não conseguirem deixar de abordar o assunto com um humor tenso, eles se denunciam. É só olhar para quem acha preferência sexual um grande problema – ou uma grande piada. Eu arriscaria dizer que a homofobia é quase sempre auto-homofobia, sensação de inadequação. E isso mata

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O Método

Yolanda Guerra, já sinalizava em seu livro “Instrumentalidade do Serviço Social”, a necessidade de compreendermos com profundidade, não só a realidade conjuntural em, que vivemos, mais apontava que esta realidade é parte do sistema capitalista, que por natureza traz em si a desigualdade expressa na “Questão Social” como condicionante de sua existência; ou seja para existir o capitalismo é necessário algum grau de desigualdade, é situação “si ne qua non”. Logo o profissional de Serviço Social, comprometido com as garantias ético-politicas, teórico-metodológicas e técnico-operativas inscritas nos princípios do seu “Código de Ética”, precisa ter por premissa que todo e qualquer instrumento e ou instrumental que utilize, está também condicionado a sua existência dentro desta realidade conjuntural de desigualdade capitalista; bem como nossa própria ação e prática profissional também o é. Guerra, nos provoca como profissionais comprometidos com a mudança, e analisar a fundo os objetivos e finalidades das instituições em que estamos inseridos, tanto quanto os instrumentos, métodos e teorias que utilizamos para efetivar tal mudança, pois do contrário, ainda que “inconsciente”, mesmo imbuídos de um discurso “critico” acabamos por reforçar o processo de desigualdade inerente aos objetivos originais do capital.

Entendendo que muitos dos nossos instrumentos são “pré-existentes”, assim como as instituições nas quais estamos inseridos, compreender seus “reais” objetivos nos dá condições de desdobrar os limites e possibilidades da atuação profissional, direcionados por um olhar e reflexão que constrói a mudança com os recursos disponíveis na ação, e na institucionalidade; promovendo de forma criativa a releitura do instrumento e assim como do método. Peguemos como exemplo uma cadeira, só para ser simples, é fato que foi feita para sentar; se eu quiser usa-la com outro objetivo que não seja sentar, é bom que eu compreenda os limites e possibilidades de um objeto que foi feito para sentar sendo utilizado para outra finalidade. Deste modo, posso utilizar a cadeira para outro objetivo, por exemplo, como “plataforma” para trocar uma lâmpada? Claro que sim..., bom depende do tipo de cadeira, do material de qual é feita, do “objetivo para o qual foi feita”, ou seja a cadeira é um objeto “Intencionado”, foi feito com uma “Intenção”, então para que eu possa “Instrumentaliza-la” e propor uma nova “Intenção” sobre ela, é necessário compreender a fundo sua finalidade original; evitando que o uso indiscriminado do “objeto” me leve a experiências desagradáveis, e fora do meu controle, bem longe daquilo que eu “objetivava fazer”, assim ao invés de eu usar o objeto, ele é quem me usa.

Não cabe aqui o espanto, isso é muito comum no dia a dia profissional, por este mesmo motivo é que é cobrado e necessário, uma reflexão constante da relação “Teoria e Prática” na formação profissional, para que em momentos como esse, que não são poucos, possamos estar atentos aos “novos instrumentos” propostos em nossas instituições, atentos para os “métodos mágicos” que resolverão todos os ´problemas do nosso dia a dia de trabalho. Recentemente em um determinado municipio os tecnicos foram “apresentados”, a uma proposta, aprovada pela gestão; de aproximação e apropriação do “território” pelos CRAS. Ressaltando, que de fato aproximar-se e apropriar-se do “território” é de fundamental importância para o trabalho dos CRAS, conforme dispõe a Política de Assistência Social. No entanto na raiz da proposta, encontra-se como base metodológica de intervenção, o “Método Ver, Julgar e Agir”; para quem não conhece ou não se lembra trata-se de um instrumental de Analise, Planejamento e Ação muito utilizado pela Igreja Católica nas décadas de 1970 e 80, em especial modo pelos Grupos da Pastoral de Juventude e Comunidades Eclesiais de Base. O que em última análise não lhe tira o mérito.

Na ação desses grupos, buscava-se as orientações e instrumentos para a organização e o trabalho com jovens na Igreja no Método Ver, Julgar e Agir (Rever e Celebrar – Etapas acrescidas em uma reedição do livro original) do Padre Jorge Boran, descrito em seu livro "Juventude o Grande Desafio", de 1980. A dinâmica é o trabalho com pequenos grupos de jovens, onde estes pudessem se conhecer e tornar-se também um grupo de vivência comunitária e participação social, segundo os princípios cristãos da Igreja Católica; os Grupos de Base.

O Método Ver, Julgar e Agir, Rever e Celebrar; é um método criado para auxiliar grupos juvenis a objetivar sua ação dentro do espaço pastoral e social, uma forma de planejamento: O Ver, é definido como o momento em que o Grupo "olha", "levanta" a realidade que o cerca, com o máximo de detalhamento possível. O Julgar, seria confrontar esta realidade levantada com os fundamentos éticos, morais, religiosos e sociais do Grupo, no sentido de efetivar uma análise da realidade e construir possibilidades de ações que a modifiquem ou não segundo o "julgamento" do Grupo. O Agir, é a efetivação desse julgamento, percebendo que neste momento é que se faz um Plano de Ação; logo fazer este plano, dentro do método já é considerado área do Agir. Por fim, tem ainda o Rever, que é o momento de avaliar todo o processo, e o Celebrar, que, principalmente, dentro de um espaço eclesial, é um momento não apenas de ritual mais também de comemoração do que se aprendeu com as experiências possibilitadas durante toda a ação.

Estas etapas do método, são apresentadas deste modo “didático” para facilitar a compreensão de suas características próprias e sua integração no conjunto do método, no entanto, sua operacionalização na Pastoral da Juventude, era algo apreendido em todos os momentos de interação nos grupos, onde as etapas não se apresentavam desta forma, passo a passo, mais de um modo dinâmico e cíclico.

Bem, compreendamos agora este “Método” que ancora a proposta de “aproximação dos CRAS com o território”, como sendo a “cadeira” a qual usei como exemplo acima: Este “Método”, sem perder seus méritos, respondem a uma determinada realidade, dentro de um determinado momento histórico. Podemos ainda apontar que seus procedimentos conduzem o “usuário do método”, para uma análise de cunho moral e estigmatizante do território, e por conseguinte da população que a habita; promovendo um julgamento centrado no indivíduo e não na realidade conjuntural sobre o qual está submetido dentro da sociedade capitalista, ora vitimizando-o, ora cupabilizando-o e quando muito propondo que o processo de “mobilização de atores locais”, designe ações coletivas para solução dos problemas “INIQUIDADES SOCIAIS" conforme descrito na proposta apresentada. Como se estes moradores fossem eles os únicos responsáveis para efetuar este enfrentamento. Por fim, a aplicação “strictu sensu” do “Método Ver, Julgar e Agir”, contribuirá para que o CRAS e o “Estado” que ele representa, “Instrumentalize” o território, não para um processo de autonomia, mais de dependência da ação desta Política.

Assim como no caso da “Cadeira”, a utilização sem reflexão teórica deste método, contribuirá com certeza, para que ao invés de construirmos uma relação de autonomia e cidadania por parte dos moradores do território; poderemos de fato contribuir para ampliação e fortalecimento das desigualdades sociais e na dependência do Estado. Por fim ressalta-se que esta experiência, aplicada ao serviço público na área de saúde, contribuiu em muito para constituição e desenvolvimento de “Grupos de Terapia Comunitária”. Estes grupos, utilizando de métodos e instrumentais dos mais diversos, e de forma quase sempre “ecléticos”, são espaços de preocupação para os CRESS e o CFESS, que rechaçam esta prática que nada se identifica com o Serviço Social, tão pouco com seu projeto Ético Político.

Este exercício reflexivo sobre as contradições, métodos, instrumentos, instrumentais e a instrumentalidade da prática do Assistente Social, nada fácil no cotidiano profissional é essêncial para garantia dos Princípios do código de ética profissional, em especial modo no 6º Principio “Opção por um projeto profissional vinculado ao processo de construção de uma nova ordem societária, sem dominação-exploração de classe, etnia e gênero.”

Todos os princípios do Código de Ética denotam essa opção, de uma forma clara e contundente. Optar, escolher, posicionar-se frente a um problema ou situação e decidir sobre o caminho a seguir, traz uma responsabilidade e comprometimento com esta opção, melhor dizendo: “não ficar em cima do muro”. Logo busca pela liberdade, a justiça social e a democracia; afirmadas no Código de Ética significa opor-se a toda ação que leve ao contrário.

Afirmar esses valores, já é algo revolucionário, se levarmos em conta que o Código de Ética foi construído no início da década de 90, em um contexto de abertura política, e este ainda em seu processo inicial, portanto com ranços e vícios dos anos de velhos paradigmas.

É opção, mais não solta e desgarrada de um objetivo. É opção por um Projeto Profissional. O que distingue é a continua construção e reconstrução cotidiana da práxis, onde o profissional não é um ser pronto e acabado, mas um profissional em projeto, compreendendo sua inserção no movimento dialético da história. Um projeto que não se acaba em si, mas transforma-se sempre.

Opção por um projeto profissional, que em construção, interage também para a construção de uma Nova Ordem Societária.

Enquanto opção, afirma que a ordem vigente não condiz com seus valores essenciais, e portanto vinculado ao compromisso com uma nova ordem de liberdade, de justiça e de democracia.

Opção pela Não Dominação-Exploração de Classe, Etnia e Gênero. É opção pela EQUIDADE SOCIAL, pelo não prevalecimento, e por tanto, opção pelos excluídos. Este princípio determina o tipo de relacionamento social a ser estabelecido por este projeto profissional, numa nova ordem social.

Ao fazermos a releitura deste princípio percebesse a carga de responsabilidade o agir profissional implica e solicita ao assistente social para o real compromisso no exercício de sua profissão.

Cabe a nós, profissionais de Serviço Social, e demais outras profissões que constituem os quadros da Política Pública de Assistência Social, e que vem de longa data, contribuindo para equidade, o laicismo da política como forma de garantia de direitos plenos aos cidadãos. buscar discutir e querer compreender melhor, os reais objetivos que estes Métodos e Práticas implicam, tanto para nosso papel profissional, quanto para a autonomia do cidadão.

Por: José  Adriano M C Marinho/08/2014
Professor da Universidade de Guarulhos
Professor da Universidade Anhanguera

O QUE É O PLEBISCITO PELA CONSTITUINTE?

(Texto recebido por email do Amigo Sandro B. O.)

O que é um Plebiscito Popular?

 Um Plebiscito é uma consulta na qual os cidadãos e cidadãs votam para aprovar ou não uma questão. De acordo com as leis brasileiras somente o Congresso Nacional pode convocar um Plebiscito.

 Apesar disso, desde o ano 2000, os Movimentos Sociais brasileiros começaram a organizar Plebiscitos Populares sobre temas diversos, em que qualquer pessoa, independente do sexo, da idade ou da religião, pode trabalhar para que ele seja realizado, organizando grupos em seus bairros, escolas, universidades, igrejas, sindicatos, aonde quer que seja, para dialogar com a população sobre um determinado tema e coletar votos.

 O Plebiscito Popular permite que milhões de brasileiros expressem a sua vontade política e pressionem os poderes públicos a seguir a vontade da maioria do povo.

 O que é uma Constituinte?

 É a realização de uma assembleia de deputados eleitos pelo povo para modificar a economia e a política do País e definir as regras, instituições e o funcionamento das instituições de um Estado como o governo, o Congresso e o Judiciário, por exemplo. Suas decisões resultam em uma Constituição. A do Brasil é de 1988.

 Porque uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político?

 Nos meses de Junho e Julho de 2013 milhões de jovens brasileiros foram às ruas para lutar por melhores condições de vida, inicialmente contra o aumento das tarifas do transporte, mas rapidamente a luta por mais direitos sociais estava presente nas mobilizações, pedia-se mais saúde, mais educação, mais democracia. Nos cartazes, faixas e rostos pintados também diziam que a política atual não representa essa juventude, que quer mudanças profundas na sociedade brasileira.

 As mobilizações das ruas obtiveram conquistas em todo o país, principalmente com as revogações dos aumentos das tarifas dos transportes ou até diminuição da tarifa em algumas cidades, o que nos demonstrou que é com luta que a vida muda! Mas a grande maioria das reivindicações não foram atendidas pelos poderes públicos.

 Não foram atendidas porque a estrutura do poder político no Brasil e suas “regras de funcionamento” não permitem que se avance para mudanças profundas. Apesar de termos conquistado o voto direto nas eleições, existe uma complexa teia de elementos que são usados nas Campanhas Eleitorais que “ajudam” a garantir a vitória de determinados candidatos.

 A cada dois anos assistimos e ficamos enojados com a lógica do nosso sistema político. Vemos, por exemplo, que os candidatos eleitos têm um gasto de Campanha muito maior que os não eleitos, demonstrando um dos fatores do poder econômico nas eleições. Também vemos que o dinheiro usado nas Campanhas tem origem, na sua maior parte, de empresas privadas, que financiam os candidatos para depois obter vantagens nas decisões políticas, ou seja, é uma forma clara e direta de chantagem. Assim, o ditado popular “Quem paga a banda, escolhe a música” se torna a melhor forma de falar do poder econômico nas eleições.

 Além disso, ao olharmos para a composição do nosso Congresso Nacional vemos que é um Congresso de deputados e senadores que fazem parte da minoria da População Brasileira. Olhemos mais de perto a sua composição:

mais de 70% de fazendeiros e empresários (da educação, da saúde, industriais, etc) sendo que maioria da população é composta de trabalhadores e camponeses.

9% de Mulheres, sendo que as mulheres são mais da metade da população brasileira.

8,5% de Negros, sendo que 51% dos brasileiros se auto-declaram negros.

Menos de 3% de Jovens, sendo que os Jovens (de 16 a 35 anos) representam 40% do eleitorado do Brasil.

 Olhando para esses dados, é praticamente impossível não chegar a conclusão de que “Esse Congresso não nos representa!!!” e que eles não resolverão os problemas que o povo brasileiro, em especial a juventude, levou às ruas em 2013.

 E para solucionar todos esses problemas fundamentais da nossa sociedade (educação, saúde, moradia, transporte, terra, trabalho, etc.) chegamos a conclusão de que não basta mudarmos “as pessoas” que estão no Congresso.

 Precisamos mudar “as regras do jogo”, mudar o Sistema Político Brasileiro. E isso só será possível se a voz dos milhões que foram as ruas em 2013 for ouvida. Como não esperamos que esse Congresso “abra seus ouvidos” partimos para a ação, organizando um Plebiscito Popular que luta por uma Assembléia Constituinte, que será exclusivamente eleita e terá poder soberano para mudar o Sistema Político Brasileiro, pois somente através dessa mudança será possível alcançarmos a resolução de tantos outros problemas que afligem nosso povo.

-  leia mais em:  http://www.plebiscitoconstituinte.org.br/o-que-%C3%A9-o-plebiscito-pela-constituinte#sthash.o0vWqyyC.dpuf

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Diplomacia e Eleições


Os Estados Unidos, demoraram uma pá de tempo para admitir a possibilidade de uma ação militar contra o Governo Sírio. Enquanto isso, em função de posição ambígua o governo Sírio, matou milhares de pessoas, usou armas químicas e ameaçou vizinhos. Mais é claro que está posição americana que tem na Síria uma "aliada" contra grupos extremistas e governos "não alinhados" do oriente médio, não é ideológico... Porém o Brasil, que foi sempre muito cuidadoso em preservar o diálogo político amigável com seus vizinhos da América Latina, mesmo na discordância, agora é questionado pela oposição (Aécio Neves e Eduardo Campos) por praticar uma política externa ideologica... Bem eu queria saber, quando que política por natureza não é ideológica??? Percebesse ainda no oportunismo dos comentários desses dois "Presidenciáveis" o despreparo irresponsável, no mínimo, para lidar com estas questões, se não dizer, conivência. A parte isso, é independente das condições objetivas que afirma está sofrendo o Diplomata Saboia, ele foi irresponsável, como profissional e como diplomata, que não é delegado como tal apenas para situações "faceis", mais para agir como representante do governo Brasileiro, coisa que ele não fez com a quebra de hierarquia... Esta mesma atitude de "assumir" ou expor a si próprio, bem como o asilado ao risco; tanto quanto expor o governo Brasileiro, não é o que se espera de um profissional que tem como instrumento de trabalho a negociação e a sensatez. Por certo, para não ser de todo ingênuo, é no mínimo questionável a participação "politica ideologica" da Comissão de Política Externa da Câmara em conluio com Sr Saboia, ter apoiado este procedimento sem anuência da Chefe do Executivo, demonstrando uma nítida intervenção do legislativo no executivo. Se estas atitudes mascaradas de "humanitaria", afirmar que estas ações não tem algo de ideológico, é dizer que vivemos no "país das maravilhas" e que não haverá eleições para presidente no ano que vem...

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Anos 90 x anos 2000...


Anos 90 x anos 2000...

Nos anos noventa esperimentavamos um pouco da recém conquistada democracia, com uma constituição super avançada iniciamos aquela década com forças conservadoras no poder. Diga-se de passagem, Fernando Collor, caçador de marajás, apoiado pela Globo, e alardeado pela Globo como fruto de seu empenho e poder... em 92, ele foi deposto pelo movimento dos caras pintadas...não por conta da corrupção, que foi bem maior que o mensalão, apenas pouco divulgada, já que os meios de comunicação não tinham menor interesse em cobrir atos dos quais eram cúmplices ; mais por ter feito cumprir por decreto aquilo pra que recebeu apoio eleitoral, ou seja abrir a economia Brasileira ao capital estrangeiro, adotando o Neoliberalismo... Só havia um problema... Nos não tínhamos indústria competitiva para encarar a invasão de mercadorias melhores e mais baratas no mercado nacional. A evasão de divisas foi tão grande que praticamente quebrou o país, não havia dinheiro nas reservas nacionais para cobrir as despesas sequer internas, menos ainda para pagar a dívida externa... aí veio o calote internacional e o pior, calote com a "sagrada poupança " dos brasileiros, ou melhor de todos que naquela época tinha mais de 50.000,00 guardado; foi por isso que o Collor foi deposto, nem mais nem menos...

A Globo que passava o "seriado anos rebeldes", trazia uma vinheta, onde voltava a alardear seu poder, "elegemos presidente, informamos as massas e derrubamos os corruptos...".
Ficou o Itamar Franco, em um processo de transição, enquanto se preparava nos bastidores um ministro intelectual para dar um golpe fatal na inflação, maquiando o ato como sendo uma grande vitória popular, mais de fato consolidando, agora de forma orgânica a implantação do sistema neoliberal "tardio" no Brasil, imprimindo no setor público a imagem de ineficiência no uso da maquina, declarando que o setor privado teria melhores condições de gerir as empresas estatais, venderam quase todas as estatais brasileiras à preços muito baixo, porém a base subornos e compra de votos para fazer passar pelo congresso o desmembramento da maquina pública. Ao passo que se manteve os juros altos para cobrir a entrada de recursos estrangeiros, juros que giravam em torno de 30%, de modo que para dar garantias que esses juros seriam pagos, demitiram milhões de trabalhadores formais, e a título de renovação tecnológica competitiva do mercado as empresas privadas incentivavam a demissão compulsória e o estado recontratava de forma terceirizada os serviços das antigas estatais agora privatizadas. Sem concurso público, políticas sociais aprovadas na constituição estagnadas, uma série de ações sociais pontuais e assistencialistas sem coordenação orgânica e sem força de lei usadas para perpetuar a miséria, e mesmo a política social privatizada de forma inconstante e seletiva através do "Comunidade Solidária ", recessão, fome e desemprego em nome da "estabilidade da moeda", com investimentos estrangeiros que eram atraídos não pelo nossa capacidade de produzir, mais pelos juros pagos com os esforço compulsório do brasileiro comum. Este, de maneira ainda muito simples foi o Plano Real.

Cabe ainda salientar que o brasileiro comum, mal conseguia fazer uma pequena reforma na sua casa, quanto menos comprar um imóvel ou carro, faculdade só por.vestibular pra quem conseguia "pagar" um cursinho pré vestibular ou estudasse em um colégio particular de classe média no mínimo. Linha telefônica se comprava no "câmbio negro", assim como muitos outros itens de consumo e necessidade. Foi neste período que vimos a invasão de produtos chineses de baixa qualidade, a proliferação da pirataria; e eu diria que consumida em função do não acesso aos produtos de qualidade. A polícia federal e o Ministério Público, eram pouco atuantes por estarem intrinsecamente ligados e operacionalizados pelo governantes, e apesar de já existir internet, apenas poucos tinham acesso, de modo que a o único acesso a informação era através dos cartéis da comunicação.

Pois bem... Com o mudança de governo nos anos 2000, veio também algumas mudanças substanciais de modos operandi, ou seja de como fazer as coisas. O incentivo à entrada do capital estrangeiro continuou forte, mais dessa vez não em função dos juros, mais dos produtos brasileiros, o que levou o presidente Lula, na época viajar muito levando consigo diversos empresários, buscando mercados alternativos para vender nossos produtos. Com isso ampliamos a planta industrial, nos tornamos campeões na produção de grãos e carne, gerou-se empregos, e diminuiu-se os juros pagos a investimento estrangeiro; hoje considerado alto são de 6,9 %. Unificou-se os programas sociais, abriu- se credito para o brasileiro comum, regulamentou-se as políticas sociais e de direitos do cidadão, tornando-as leis e políticas de estado, impedindo que estas conquistas se perdessem com uma eventual mudança de humor do governante ou do mercado.

A polícia federal e o Ministério Público, pela primeira vez na história do país passaram a ter uma atuação mais qualificada e independente, assim como a liberdade de expressão e acesso a informação não foi apenas garantida, mais defendida. O acesso a universidade, seja por meio de cotas, seja pelo Enem, seja pelo Pro Uni, possibilitou que milhões de brasileiros alçassem o ensino superior, o incentivo ao consumo interno como forma de possibilitar acesso aos bens de consumo básicos, geladeira, fogão, etc... mantiveram a indústria brasileira funcionando enquanto a Europa e os Estados Unidos seguem em profunda crise econômica e desemprego. No Brasil chegamos a ter desemprego quase zero, em alguma regiões e algumas cidades do interior de São Paulo, há deficit de trabalhadores.

O Brasileiro, começa a ter acesso a informação, não apenas de uma única fonte, a Internet fica cada vez mais acessível via telefonia celular, o brasileiro hoje consegue planejar sua vida, comprar seu carro e se organizar para comprar sua casa. A legalização do trabalho formal segue a pleno vapor... Nestes dias de convulsão social, não existe nada mais lindo que o povo expressando, inclusive pensamentos contrários aos meus, nas ruas! Agora ciente e detentor de seu poder... capaz de através de sua manifestação fazer valer, cobrar e fiscalizar a ação dos políticos que elegeu ou não! A velha mídia e os velhos senhores feudais, saudosos dos anos 90, de quando concentravam mais de 90% do PIB, voltam e usar de seu pleno poder para incutir a insegurança e o medo na população, transformando estas vitórias em derrotas... basta ver como foram retradas as manifestações nos dois primeiros dias, e como, SÓ DEPOIS QUE UMA JORNALISTA TEVE SUA IMAGEM VEICULADA AMPLAMENTE COMO VÍTIMA DA VIOLÊNCIA POLICIAL, está mídia fachista começou a retratar as manifestações legítimas, como expressão popular, até então eram chamados de baderneiros e criminosos. A partir daí, uma série de agentes com interesses escusos, organizados ou independentes passaram a usar as manifestações em busca de manipular as massas.
Ainda assim prefiro o povo nas ruas, que o silêncio concencioso... Diga-se de passagem, que hoje só podemos cobrar dos governantes porque temos acesso às informações, por que temos celulares, Internet, computadores, emprego, por entrarmos na faculdade; coisas inacessíveis na década de 90... Aqui, entra sim, minha reflexão de fato... É bom lembrarmos que o sistema de cotas, a lei que obriga as empresas a contratar deficientes e aprendizes, o Enem, o Pro Uni, o Bolsa Família, a meia entrada para estudantes, a menor idade penal, o crédito para famílias de baixa renda, assim como incentivos fiscais para indústrias produzirem bens de consumo direto e gerarem emprego; tem sido nos dois últimos anos as políticas mais atacadas pela velha oligarquia de políticos e pela mídia tradicional. Há de se compreender que estas políticas com toda sua deficiência, tiraram mais de 40 milhões de brasileiros da miséria absoluta em 10 anos, possibilitaram que este grande contingente de pessoas pobres dividissem espaços antes acessados apenas pelos milionários. Universidades, Shoping, teatro, viagens para o exterior, viagens de férias, hoje são coisas bem comuns nessa população ascendente, e este convívio gera conflitos, em função de que os sempre ricos acreditarem que não devíamos ter saído "da cozinha"; só para citar FHC que afirmava de forma pejorativa, que tinha um "pezinho na cozinha". Deste modo, o processo organizacional dos grandes eventos, copa do mundo, olimpíadas e por que não a FLIP, tem sido considerados pela mídia, e os sempre ricos, como espaços que consideram seus por "natureza", e buscam preserva-los da presença dessa população emergente, ao passo que veiculam os problemas como sendo unicamente dos governos, como se boa parte dos recursos não fossem da iniciativa privada. E dessa maneira buscam ficar de fora do furacão e desviam a atenção de sua própria responsabilidade com a desigualdade que agora criticam.
Ao fazer este paralelo, com certeza demonstro meu posicionamento político... no entanto acredito sim que mesmo com todos os avanços socioeconômicos que tivemos, temos sim, todos que nos manter vigilantes e cobrar a todo momento transparência no uso do dinheiro público, e pela qualificação dos serviços, vigilantes contra os atos de corrupção e cobrar penas duras contra aqueles que foram condenados por este motivo. Bem como apoiar os políticos, quando estes sob nossa pressão popular buscam responder às demandas que brilhantemente levantamos nestes dias. Após exigirmos mudanças, não podemos recuar quando ela é apresentada, pelo contrário !!! Precisamos garantir que ela aconteça. Precisamos participar das discussões orçamentárias em nossos municípios, das conferências de políticas públicas ( saúde, educação, assistência social, cultura, comunicação, etc), bem como da organização dos grandes eventos, para que o acesso seja de fato para todos e o dinheiro seja usado da forma devida.

Comemorar o gol da seleção brasileira não é algo ruim... é bom e faz parte de nossa cultura e identidade nacional, se espalhou pelo país de forma popular em campos de várzea, como atividade esportiva/recreativa/e de lazer de baixíssimo custo em todas as comunidades pobres do país, até os índios no interior do amazonas jogam futebol, mais nos últimos anos os cartéis capitalistas foram cooptando também este prazer popular e infligindo a ilusão dos ganhos "faceis", nas grande contratações e no monopólio de organização e veiculação dos grandes eventos.
Precisamos exigir a mesma qualidade para a Educação, Saúde, Segurança, Cultura e Inclusão Social.... Mais sem correr o risco de negarmos a nos mesmos participação nestas outras atividades, pois no final das contas é isso que se quer de nós... discutam vcs escola, hospital, pois isso não dá dinheiro, e deixem quem "ENTENDE" discutir a Copa, as Olimpíadas a FLIP!!!

domingo, 25 de novembro de 2012

Sugestões e Orientações - Projetos Sociais - Parte 4.1 - Orçamento

Olá caros amigos e amigas, desculpe o atraso, mais no último fim de semana aproveitei a oportunidade do feriado longo para visitar a família no Rio.
Bom voltamos hoje com mais uma etapa de orientações para a construção de um projeto social. Hoje trataremos do orçamento, o qual discutiremos em duas partes. Muitos pensam que para fazer um projeto social, basta ter "boa vontade", uma idéia e dinheiro para executa-la. Lá no início já demonstramos que não basta boa vontade e uma idéia, é preciso ter conhecimento da realidade a qual se quer mudar, e construir a idéia de mudança (a ação em si) sob bases sólidas e realistas. E quando falamos de orçamento não estamos tratando apenas de dinheiro, e nem tão pouco "dinheiro" é tudo que importa no orçamento. Por isso tratamos o espaço no projeto reservado ao orçamento como sendo por natureza, o conjunto de "Recursos", que podem ser os mais diferentes e criativos possíveis. Lembrem-se que a proposta e buscar realizar a mudança de uma realidade vulnerável para não vulnerável, e não poucas vezes, a sustentabilidade dessas mudanças perpassam muito mais o envolvimento e participação do público a quem se destina o projeto do que o custo das ações que promovo. Assim um processo mobilizatorio criativo muitas vezes quase sem custo algum são mais eficazes para o projeto que um "laboratório de qualquer tecnologia" com equipamentos de última geração.


RECURSOS:
Os recursos de um Projeto, podem ser tangíveis ou intangíveis. Chamamos de intangíveis aqueles de carater subjetivo, possibilitados pelas qualidades, potencialidades e saberes dos seus atores, que podem contribuir para o desenvolvimento do Projeto. Conhecer bem a aquipe, os parceiros, o publico beneficiário do Projeto, bem como o contexto onde se constrõem estas relações, é fundamental para o processo de Administração das Ações do Projeto na direção do alcance de seus objetivos.

Tangíveis são aqueles de carater objetivo, elementos concretos a serem administrados conforme sua disponibilidade e consumo no decorrer do Projeto. Estes por sua vez se dividem em “Recursos Materiais”, “Recursos Financeiros”, “Recursos Humanos” e “Recursos de Serviços” (este último pode ser consecionárias, alimentação, transporte e taxas)


“Recursos Materiais”

Recursos materiais são os diferentes tipos de objetos – mesas, cadeiras, canetas, alimentos, etc. - que utilizamos no desempenho de nossas atividades. Todos os materiais de projetos sociais, doados ou comprados, devem ser vistos como um bem comum da organização e dos beneficiários do projeto e devem ser tratados como tal. Uma boa gestão desses recursos implica não só organizar e controlar o seu uso e abastecimento para garantir o cumprimento das atividades previstas, mas também fornecer aos envolvidos, sempre que solicitadas, informações claras e objetivas sobre a situação, dada a especificidade do cenário que envolve os projetos sociais.


Para facilitar o gerenciamento e o controle desses recursos, podemos estabelecer uma diferenciação entre os tipos de materiais que se utilizam, divididos em três grupos:

- Materiais Duráveis: São móveis, equipamentos, computadores, ferramentas cuja a reposição é eventual. 
- Materiais de Consumo: São produtos como material de limpeza, lâmpadas, etc. São aqueles de uso cotidiano que tem a necessidade de reposição constantes. Normalmente são auxiliares as ações do projeto, não são para utilização direta nestas ações.
- Materiais didáticos-pedagógicos: São aqueles utilizados na execução das atividades, porém necessitam de reposição constante: Folhas Sulfite, canetas, cartolinas, etc..

Tanto os materiais de consumo, quantos os didático-pedagógicos são consumidos diariamente e , por isso, requerem um acompanhamento constante, capaz de indicar as necessidades imediatas de sua reposição.

“Recursos de Serviços”

Na elaboração de um projeto, é comum inicialmente não levarmos em conta os serviços necessários para sua execução: Como a manutenção de condições mínimas como:

- Consercionárias de Energia Elétrica, Água e Esgoto, Aluguel, Internet;
- Transporte para atividades (passeios), ou para os beneficiários chegarem até o local onde o projeto acontece,
- Ou ainda de alimentação (lanche ou mesmo almoço, quando as atividades diárias duram mais que 2 horas obrigando a alteração dos horários de alimentação dos participantes);
- Ou também de taxas, quando se prevê no projeto a necessidade de inscrição dos participantes ou da equipe técnica em atividades que não são promovidas pelo próprio projeto.

“Recursos Humanos”

São considerados recursos humanos todos os profissionais, os quais direta ou indiretamenta são necessários para implantação do projeto.

Diretamente são considerados aqueles, que executam as ações do projeto, e são remunerados pelos “recursos financeiros” capitados para o projeto; comumente compõem uma equipe fixa que acompanhará o projeto do início ao fim... São também considerados recursos humanos diretos aqueles que são remunerados pelo projeto, porém executam ações pontuais no projeto, de modo não permanente, como oficinas pontuais, ou consultorias...

Indiretamente são os recursos humanos que tem sua remunareção mantida através de parceria com outros serviços e ou projetos: Um educador ou oficineiros de outra entidade ou projeto (parceiro) disponibilizado para atuar no seu projeto.

“Recursos Financeiros”

Chamamos de recursos financeiros o dinheiro necessário para à concretização de um projeto. Não podemos deixar de considerar, entretanto , que outros recursos – doações, instalações próprias, etc. - devem ser quantificados. Isso nos possibilita calcular, com maior fidelidade, o custo de nosso projeto. O valor captado para aplicação em um projeto não representa, necessariamente, o seu custo. A contrapartida que a organização oferece é também parte desse custo.

A gestão dos recursos financeiros significa, primordialmente, proceder ao acompanhamento e o controle da utilização do dinheiro de forma garantir a execução das atividades, o alcance das metas e a concretização dos objetivos previstos em nossos projetos. Esse acompanhamento permite detectar possíveis necessidades de correção de rumos, prestar contas do seu andamento, bem como obter dados úteis para a formulação e apresentação de novas propostas orçamentárias.

Nesse sentido, uma boa gestão dos recursos financeiros consiste na capacidade de compatibilização da execução das atividades com o dispêndio do dinheiro para o período estabelecido para o projeto.

Bom por hoje é isso semana que vem avançaremos na distribuição e organização do orçamento no projeto.

Abraços, 
José Adriano M C Marinho

Referências bibliográficas :
ÁVILA, Célia M. de  (coord.). Gestão de projetos sociais – 3ª ed. Rev. (Coleção gestores sociais) – AAPCS – Associação de Apoio ao Programa Capacitação Solidária, São Paulo, 2001.

http://www.ebah.com.br/apostila-metrologia-pdf-a20231.html

www.cup.pt/CUP/Redaccao/2007/01/GlossariodaBanca.htm

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Sugestões e Orientações - Projetos Sociais - Parte 3 - Metodologia

Dando continuidade as orientações acerca de projetos sociais, trataremos hoje da "metodologia", etapa que da corporeidade ao projeto; onde é feito o desenho do caminho que será seguido para realizar as mudanças desejadas.

Imagem 1:
Bom, em função dos Objetivos Específicos do Projeto, aquele que em seu corpo explicite também sua meta – objetivo quantitativo, temporal e espacialmente dimensionado, isto é, além de expressar o que queremos, precisamos delimitar o quanto, em que tempo e em que lugar ele se realizará.  Iniciamos outros questionamentos:
Como os resultados destes objetivos serão alcançados??? Quais as estratégias mais adequadas???




A Metodologia

É uma escolha geral, que precede a definição das atividades. Pode-se dizer que a metodologia está em outro nível, mais abstrato, embora costume ser confundida com as atividades propriamente ditas. A metodologia segue as premissas técnicas estabelecidas pela equipe gestora e pela instituição, fundamenta-se também em referenciais teóricos externos.

De forma bem simples para descrever, seria composta tanto por um texto orientador (um manual de instruções) que detalha e especifica as escolhas dos caminhos, das atividades e suas contribuições para a transformação proposta; quanto pelas atividades em si, que devem ser ordenadas de forma cronológica, de modo ficar claro a evolução processual proposta pelo projeto.


Texto Orientador
Exemplo: Projeto Talentos da Maturidade

No sentido de melhor operacionalizar a realização e alcance dos objetivos deste projeto; ele se constitui de duas fases independentes porém complementares. Possibilitando assim um momento de intensidade formativa/reflexiva e de apropriação de instrumental de planejamento e aplicação de saberes; e outro posterior ao processo formativo com foco nas atividades planejadas, sendo desenvolvido sob acompanhamento e monitoramento técnico, de modo ela também contribuir com a auto-reflexão/aprendizado sobre os aspectos subjetivos do ator em si (neste caso a pessoa idosa), de seu papel cidadão e contribuição para a transformação social.

A primeira Fase, com início até setembro de 2009 e término até dezembro de 2009, desenvolvida pela YZX e FRiD, buscará na ação de capacitação-reflexão-aprendizado, propiciar a discussão sobre aspectos psicológicos, sociais e biológicos do envelhecimento, fortalecendo a auto-estima e determinação de seu papel cidadão e humano, por meio de grupos reflexivos, atividades educativas, sócio-culturais, organizativas e de ação comunitária; culminando na produção de “Planos de Ação” elaborados pelos participantes, que contenham objetivamente, desdobramento deste processo inicial em seus grupos e comunidades de origem, sob responsabilidade de implantação e desenvolvimento dos próprios participantes.

       A segunda fase, com enfase na ação comunitária e implementação dos Planos de Ação elaborados pelos participantes, desenvolvida pela YZX e FRiD, com parte dos recursos solicitados ao Concurso Talentos da Maturidade, categoria “Programas Exemplares”, tem como principal característica co-responsabilidade na gestão das ações, o fortalecimento da pessoa idosa como cidadão que contribui com sua experiência e saber para a transformação social; de modo que cada Plano em si se desdobra-rá segundo a criatividade, empreendedorismo e mobilização de cada grupo de participante, tendo como aparato técnico subsidiário, 1 (um) professor da FRID, que acompanhará as ações de cada Plano, orientando e monitorando e avaliação do processo e XX recursos originários do “Concurso de Talentos da Maturidade”, bem como auxílio na abertura de espaços de sediamento das atividades; cabendo ao grupo de idosos, além coordenação das ações, administração e contabilidade dos recursos utilizados, também avaliação dos impactos possibilitados, em sua própria trajetória bem com das pessoas tocadas pela sua ação.


Atividades

Mais concretas, representam providências e articulações necessárias para atingir os resultados estipulados.

Planejar as atividades de um projeto é não só definir quais as ações e procedimentos necessários para alcançar os resultados desejados, mas também programar o tempo e a seqüência em que se desenvolverá cada uma dessas atividades.

É muito comum, quem pensa um projeto social, pensar primeiro na atividade que pretende fazer,  sem pensar nos objetivos, e nem mesmo nas situações problema que irá enfrentar. Tornando assim, esse "projeto", em um amontoado de "atividades pelas atividades".

Através desse procedimento que trazemos aqui, possibilita etapa por etapa, o Projeto possa ser pensado concistentemente.

Para tanto neste momento da construção da metodologia, é que deve ser levantado todas as idéias, possibilidades de ação, tendo em vista o caminho metodológico idealizado para alcançar o objetivo, assim como a realidade a qual se pretende mudar.

Chamamos de atividades de um projeto, TODAS AS AÇÔES, necessárias para o seu desenvolvimento. Neste sentido cabe alertar, que por exemplo: Curso de Informática para os jovens.

Só essa atividade em si, pre-supõe diversas outras anteriores:
- Preparação do Espaço Físico para receber o curso; (Os espaço será cedido, comprado ou alugado?)
- Compra e instalação dos equipamentos;(Os equipamentos serão recebidos de doação; ou comprados?)
- Contratação dos Profissionais; (Como será feita a divulgação da vaga?)
- Divulgação do Curso (Quais os meios divulgação? Será necessário imprimir cartazes? Quem fará os cartazes?)

É por isso que precisamos antes de chegar nesta etapa, ter bem claro a situação problema que será enfrentada, sua realidade; assim como estabelecer bem os objetivos a serem buscados. Para que na construção das atividades eles sejam mais completas possíveis, e cumpram o papel de corporeidade do projeto.

Importante ainda que ao fazer este levantamento, seja pensada estas atividades e ordem cronológica. E um ótimo instrumento para a organização cronológica das atividades é o Cronograma de Atividades.

Atividade X Objetivos Específicos

Sinalizamos um ponto fundamental na escolha das atividades. Elas não devem ser escolhidas aleatoriamente. As atividades devem ser intrinsicamente ligadas aos Objetivos Específicos, de maneira que para cada Objetivo Específico deve ser pensado um número de atividades que contribuam fisicamente para alcança-los. Sempre sugiro que seja pensado não muitas atividades, não mais que três por objetivo (podem ser mais caso seja necessário). Nessa conta, se você tem 3 objetivos específicos, e para cada objetivo 3 atividades; você terá então 9 atividades, as quais deverão ser monitoradas. 

Apontamos ainda que há atividades com foco nos objetivos; e aqueles com silnalizei no exemplo anterior, com foco no estabelecimento e estruturação do Projeto. Esta ultima não entra no Cronograma de Atividades (que trataremos a seguir), mais entram no Cronograma Físico Financeiro do projeto.


Cronograma de Atividades

Um instrumento simples e útil para identificar as ações no tempo, estimar o tempo em relação aos recursos, visualizar a possibilidade de algumas ações acontecerem em paralelo e, por último e mais importante, verificar a relação de interdependência entre elas.

O cronograma é um poderoso auxiliar tanto no planejamento quanto no monitoramento do projeto, pois com ele visualizamos o todo das atividades no tempo, suas interdependências, seu desenvolvimento, seus resultados, e podemos ir identificando possíveis desvios em relação ao planejado, o que possibilita uma correção de rota ainda durante o desenvolvimento do projeto.


O cronograma de atividades deve ser:

• completo, isto é, com todas as atividades do projeto e seus respectivos responsáveis;

• preciso, apontando o início e o fim de cada atividade;

• lógico, de modo a mostrar as interdependências entre as diversas atividades (por exemplo, a atividade de divulgar para o público-alvo os critérios de seleção dos alunos para um curso de capacitação pressupõe outra, a confecção de folhetos e cartazes de divulgação; se esta não for bem realizada e no tempo planejado, aquela estará prejudicada);

• flexível, atualizado e sistematicamente analisado;

• realista, baseado em estimativas reais.

Imagem 2:

Na Proxima semana traremos o discussão sobre Orçamento.

Referências Bibliográficas:


ÁVILA, Célia M. de  (coord.). Gestão de projetos sociais – 3ª ed. Rev. (Coleção gestores sociais) – AAPCS – Associação de Apoio ao Programa Capacitação Solidária, São Paulo, 2001.

GOLDSTEIN, Ilana Seltizer. Responsabilidade social: das grandes coorporações ao terceiro setor – Ed. Ática, São Paulo, 2007.

Fonte das Imagens:

Imagem 2: Autoria própria


Abraços;
José Adriano M C Marinho