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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O Método

Yolanda Guerra, já sinalizava em seu livro “Instrumentalidade do Serviço Social”, a necessidade de compreendermos com profundidade, não só a realidade conjuntural em, que vivemos, mais apontava que esta realidade é parte do sistema capitalista, que por natureza traz em si a desigualdade expressa na “Questão Social” como condicionante de sua existência; ou seja para existir o capitalismo é necessário algum grau de desigualdade, é situação “si ne qua non”. Logo o profissional de Serviço Social, comprometido com as garantias ético-politicas, teórico-metodológicas e técnico-operativas inscritas nos princípios do seu “Código de Ética”, precisa ter por premissa que todo e qualquer instrumento e ou instrumental que utilize, está também condicionado a sua existência dentro desta realidade conjuntural de desigualdade capitalista; bem como nossa própria ação e prática profissional também o é. Guerra, nos provoca como profissionais comprometidos com a mudança, e analisar a fundo os objetivos e finalidades das instituições em que estamos inseridos, tanto quanto os instrumentos, métodos e teorias que utilizamos para efetivar tal mudança, pois do contrário, ainda que “inconsciente”, mesmo imbuídos de um discurso “critico” acabamos por reforçar o processo de desigualdade inerente aos objetivos originais do capital.

Entendendo que muitos dos nossos instrumentos são “pré-existentes”, assim como as instituições nas quais estamos inseridos, compreender seus “reais” objetivos nos dá condições de desdobrar os limites e possibilidades da atuação profissional, direcionados por um olhar e reflexão que constrói a mudança com os recursos disponíveis na ação, e na institucionalidade; promovendo de forma criativa a releitura do instrumento e assim como do método. Peguemos como exemplo uma cadeira, só para ser simples, é fato que foi feita para sentar; se eu quiser usa-la com outro objetivo que não seja sentar, é bom que eu compreenda os limites e possibilidades de um objeto que foi feito para sentar sendo utilizado para outra finalidade. Deste modo, posso utilizar a cadeira para outro objetivo, por exemplo, como “plataforma” para trocar uma lâmpada? Claro que sim..., bom depende do tipo de cadeira, do material de qual é feita, do “objetivo para o qual foi feita”, ou seja a cadeira é um objeto “Intencionado”, foi feito com uma “Intenção”, então para que eu possa “Instrumentaliza-la” e propor uma nova “Intenção” sobre ela, é necessário compreender a fundo sua finalidade original; evitando que o uso indiscriminado do “objeto” me leve a experiências desagradáveis, e fora do meu controle, bem longe daquilo que eu “objetivava fazer”, assim ao invés de eu usar o objeto, ele é quem me usa.

Não cabe aqui o espanto, isso é muito comum no dia a dia profissional, por este mesmo motivo é que é cobrado e necessário, uma reflexão constante da relação “Teoria e Prática” na formação profissional, para que em momentos como esse, que não são poucos, possamos estar atentos aos “novos instrumentos” propostos em nossas instituições, atentos para os “métodos mágicos” que resolverão todos os ´problemas do nosso dia a dia de trabalho. Recentemente em um determinado municipio os tecnicos foram “apresentados”, a uma proposta, aprovada pela gestão; de aproximação e apropriação do “território” pelos CRAS. Ressaltando, que de fato aproximar-se e apropriar-se do “território” é de fundamental importância para o trabalho dos CRAS, conforme dispõe a Política de Assistência Social. No entanto na raiz da proposta, encontra-se como base metodológica de intervenção, o “Método Ver, Julgar e Agir”; para quem não conhece ou não se lembra trata-se de um instrumental de Analise, Planejamento e Ação muito utilizado pela Igreja Católica nas décadas de 1970 e 80, em especial modo pelos Grupos da Pastoral de Juventude e Comunidades Eclesiais de Base. O que em última análise não lhe tira o mérito.

Na ação desses grupos, buscava-se as orientações e instrumentos para a organização e o trabalho com jovens na Igreja no Método Ver, Julgar e Agir (Rever e Celebrar – Etapas acrescidas em uma reedição do livro original) do Padre Jorge Boran, descrito em seu livro "Juventude o Grande Desafio", de 1980. A dinâmica é o trabalho com pequenos grupos de jovens, onde estes pudessem se conhecer e tornar-se também um grupo de vivência comunitária e participação social, segundo os princípios cristãos da Igreja Católica; os Grupos de Base.

O Método Ver, Julgar e Agir, Rever e Celebrar; é um método criado para auxiliar grupos juvenis a objetivar sua ação dentro do espaço pastoral e social, uma forma de planejamento: O Ver, é definido como o momento em que o Grupo "olha", "levanta" a realidade que o cerca, com o máximo de detalhamento possível. O Julgar, seria confrontar esta realidade levantada com os fundamentos éticos, morais, religiosos e sociais do Grupo, no sentido de efetivar uma análise da realidade e construir possibilidades de ações que a modifiquem ou não segundo o "julgamento" do Grupo. O Agir, é a efetivação desse julgamento, percebendo que neste momento é que se faz um Plano de Ação; logo fazer este plano, dentro do método já é considerado área do Agir. Por fim, tem ainda o Rever, que é o momento de avaliar todo o processo, e o Celebrar, que, principalmente, dentro de um espaço eclesial, é um momento não apenas de ritual mais também de comemoração do que se aprendeu com as experiências possibilitadas durante toda a ação.

Estas etapas do método, são apresentadas deste modo “didático” para facilitar a compreensão de suas características próprias e sua integração no conjunto do método, no entanto, sua operacionalização na Pastoral da Juventude, era algo apreendido em todos os momentos de interação nos grupos, onde as etapas não se apresentavam desta forma, passo a passo, mais de um modo dinâmico e cíclico.

Bem, compreendamos agora este “Método” que ancora a proposta de “aproximação dos CRAS com o território”, como sendo a “cadeira” a qual usei como exemplo acima: Este “Método”, sem perder seus méritos, respondem a uma determinada realidade, dentro de um determinado momento histórico. Podemos ainda apontar que seus procedimentos conduzem o “usuário do método”, para uma análise de cunho moral e estigmatizante do território, e por conseguinte da população que a habita; promovendo um julgamento centrado no indivíduo e não na realidade conjuntural sobre o qual está submetido dentro da sociedade capitalista, ora vitimizando-o, ora cupabilizando-o e quando muito propondo que o processo de “mobilização de atores locais”, designe ações coletivas para solução dos problemas “INIQUIDADES SOCIAIS" conforme descrito na proposta apresentada. Como se estes moradores fossem eles os únicos responsáveis para efetuar este enfrentamento. Por fim, a aplicação “strictu sensu” do “Método Ver, Julgar e Agir”, contribuirá para que o CRAS e o “Estado” que ele representa, “Instrumentalize” o território, não para um processo de autonomia, mais de dependência da ação desta Política.

Assim como no caso da “Cadeira”, a utilização sem reflexão teórica deste método, contribuirá com certeza, para que ao invés de construirmos uma relação de autonomia e cidadania por parte dos moradores do território; poderemos de fato contribuir para ampliação e fortalecimento das desigualdades sociais e na dependência do Estado. Por fim ressalta-se que esta experiência, aplicada ao serviço público na área de saúde, contribuiu em muito para constituição e desenvolvimento de “Grupos de Terapia Comunitária”. Estes grupos, utilizando de métodos e instrumentais dos mais diversos, e de forma quase sempre “ecléticos”, são espaços de preocupação para os CRESS e o CFESS, que rechaçam esta prática que nada se identifica com o Serviço Social, tão pouco com seu projeto Ético Político.

Este exercício reflexivo sobre as contradições, métodos, instrumentos, instrumentais e a instrumentalidade da prática do Assistente Social, nada fácil no cotidiano profissional é essêncial para garantia dos Princípios do código de ética profissional, em especial modo no 6º Principio “Opção por um projeto profissional vinculado ao processo de construção de uma nova ordem societária, sem dominação-exploração de classe, etnia e gênero.”

Todos os princípios do Código de Ética denotam essa opção, de uma forma clara e contundente. Optar, escolher, posicionar-se frente a um problema ou situação e decidir sobre o caminho a seguir, traz uma responsabilidade e comprometimento com esta opção, melhor dizendo: “não ficar em cima do muro”. Logo busca pela liberdade, a justiça social e a democracia; afirmadas no Código de Ética significa opor-se a toda ação que leve ao contrário.

Afirmar esses valores, já é algo revolucionário, se levarmos em conta que o Código de Ética foi construído no início da década de 90, em um contexto de abertura política, e este ainda em seu processo inicial, portanto com ranços e vícios dos anos de velhos paradigmas.

É opção, mais não solta e desgarrada de um objetivo. É opção por um Projeto Profissional. O que distingue é a continua construção e reconstrução cotidiana da práxis, onde o profissional não é um ser pronto e acabado, mas um profissional em projeto, compreendendo sua inserção no movimento dialético da história. Um projeto que não se acaba em si, mas transforma-se sempre.

Opção por um projeto profissional, que em construção, interage também para a construção de uma Nova Ordem Societária.

Enquanto opção, afirma que a ordem vigente não condiz com seus valores essenciais, e portanto vinculado ao compromisso com uma nova ordem de liberdade, de justiça e de democracia.

Opção pela Não Dominação-Exploração de Classe, Etnia e Gênero. É opção pela EQUIDADE SOCIAL, pelo não prevalecimento, e por tanto, opção pelos excluídos. Este princípio determina o tipo de relacionamento social a ser estabelecido por este projeto profissional, numa nova ordem social.

Ao fazermos a releitura deste princípio percebesse a carga de responsabilidade o agir profissional implica e solicita ao assistente social para o real compromisso no exercício de sua profissão.

Cabe a nós, profissionais de Serviço Social, e demais outras profissões que constituem os quadros da Política Pública de Assistência Social, e que vem de longa data, contribuindo para equidade, o laicismo da política como forma de garantia de direitos plenos aos cidadãos. buscar discutir e querer compreender melhor, os reais objetivos que estes Métodos e Práticas implicam, tanto para nosso papel profissional, quanto para a autonomia do cidadão.

Por: José  Adriano M C Marinho/08/2014
Professor da Universidade de Guarulhos
Professor da Universidade Anhanguera

O QUE É O PLEBISCITO PELA CONSTITUINTE?

(Texto recebido por email do Amigo Sandro B. O.)

O que é um Plebiscito Popular?

 Um Plebiscito é uma consulta na qual os cidadãos e cidadãs votam para aprovar ou não uma questão. De acordo com as leis brasileiras somente o Congresso Nacional pode convocar um Plebiscito.

 Apesar disso, desde o ano 2000, os Movimentos Sociais brasileiros começaram a organizar Plebiscitos Populares sobre temas diversos, em que qualquer pessoa, independente do sexo, da idade ou da religião, pode trabalhar para que ele seja realizado, organizando grupos em seus bairros, escolas, universidades, igrejas, sindicatos, aonde quer que seja, para dialogar com a população sobre um determinado tema e coletar votos.

 O Plebiscito Popular permite que milhões de brasileiros expressem a sua vontade política e pressionem os poderes públicos a seguir a vontade da maioria do povo.

 O que é uma Constituinte?

 É a realização de uma assembleia de deputados eleitos pelo povo para modificar a economia e a política do País e definir as regras, instituições e o funcionamento das instituições de um Estado como o governo, o Congresso e o Judiciário, por exemplo. Suas decisões resultam em uma Constituição. A do Brasil é de 1988.

 Porque uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político?

 Nos meses de Junho e Julho de 2013 milhões de jovens brasileiros foram às ruas para lutar por melhores condições de vida, inicialmente contra o aumento das tarifas do transporte, mas rapidamente a luta por mais direitos sociais estava presente nas mobilizações, pedia-se mais saúde, mais educação, mais democracia. Nos cartazes, faixas e rostos pintados também diziam que a política atual não representa essa juventude, que quer mudanças profundas na sociedade brasileira.

 As mobilizações das ruas obtiveram conquistas em todo o país, principalmente com as revogações dos aumentos das tarifas dos transportes ou até diminuição da tarifa em algumas cidades, o que nos demonstrou que é com luta que a vida muda! Mas a grande maioria das reivindicações não foram atendidas pelos poderes públicos.

 Não foram atendidas porque a estrutura do poder político no Brasil e suas “regras de funcionamento” não permitem que se avance para mudanças profundas. Apesar de termos conquistado o voto direto nas eleições, existe uma complexa teia de elementos que são usados nas Campanhas Eleitorais que “ajudam” a garantir a vitória de determinados candidatos.

 A cada dois anos assistimos e ficamos enojados com a lógica do nosso sistema político. Vemos, por exemplo, que os candidatos eleitos têm um gasto de Campanha muito maior que os não eleitos, demonstrando um dos fatores do poder econômico nas eleições. Também vemos que o dinheiro usado nas Campanhas tem origem, na sua maior parte, de empresas privadas, que financiam os candidatos para depois obter vantagens nas decisões políticas, ou seja, é uma forma clara e direta de chantagem. Assim, o ditado popular “Quem paga a banda, escolhe a música” se torna a melhor forma de falar do poder econômico nas eleições.

 Além disso, ao olharmos para a composição do nosso Congresso Nacional vemos que é um Congresso de deputados e senadores que fazem parte da minoria da População Brasileira. Olhemos mais de perto a sua composição:

mais de 70% de fazendeiros e empresários (da educação, da saúde, industriais, etc) sendo que maioria da população é composta de trabalhadores e camponeses.

9% de Mulheres, sendo que as mulheres são mais da metade da população brasileira.

8,5% de Negros, sendo que 51% dos brasileiros se auto-declaram negros.

Menos de 3% de Jovens, sendo que os Jovens (de 16 a 35 anos) representam 40% do eleitorado do Brasil.

 Olhando para esses dados, é praticamente impossível não chegar a conclusão de que “Esse Congresso não nos representa!!!” e que eles não resolverão os problemas que o povo brasileiro, em especial a juventude, levou às ruas em 2013.

 E para solucionar todos esses problemas fundamentais da nossa sociedade (educação, saúde, moradia, transporte, terra, trabalho, etc.) chegamos a conclusão de que não basta mudarmos “as pessoas” que estão no Congresso.

 Precisamos mudar “as regras do jogo”, mudar o Sistema Político Brasileiro. E isso só será possível se a voz dos milhões que foram as ruas em 2013 for ouvida. Como não esperamos que esse Congresso “abra seus ouvidos” partimos para a ação, organizando um Plebiscito Popular que luta por uma Assembléia Constituinte, que será exclusivamente eleita e terá poder soberano para mudar o Sistema Político Brasileiro, pois somente através dessa mudança será possível alcançarmos a resolução de tantos outros problemas que afligem nosso povo.

-  leia mais em:  http://www.plebiscitoconstituinte.org.br/o-que-%C3%A9-o-plebiscito-pela-constituinte#sthash.o0vWqyyC.dpuf

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Diplomacia e Eleições


Os Estados Unidos, demoraram uma pá de tempo para admitir a possibilidade de uma ação militar contra o Governo Sírio. Enquanto isso, em função de posição ambígua o governo Sírio, matou milhares de pessoas, usou armas químicas e ameaçou vizinhos. Mais é claro que está posição americana que tem na Síria uma "aliada" contra grupos extremistas e governos "não alinhados" do oriente médio, não é ideológico... Porém o Brasil, que foi sempre muito cuidadoso em preservar o diálogo político amigável com seus vizinhos da América Latina, mesmo na discordância, agora é questionado pela oposição (Aécio Neves e Eduardo Campos) por praticar uma política externa ideologica... Bem eu queria saber, quando que política por natureza não é ideológica??? Percebesse ainda no oportunismo dos comentários desses dois "Presidenciáveis" o despreparo irresponsável, no mínimo, para lidar com estas questões, se não dizer, conivência. A parte isso, é independente das condições objetivas que afirma está sofrendo o Diplomata Saboia, ele foi irresponsável, como profissional e como diplomata, que não é delegado como tal apenas para situações "faceis", mais para agir como representante do governo Brasileiro, coisa que ele não fez com a quebra de hierarquia... Esta mesma atitude de "assumir" ou expor a si próprio, bem como o asilado ao risco; tanto quanto expor o governo Brasileiro, não é o que se espera de um profissional que tem como instrumento de trabalho a negociação e a sensatez. Por certo, para não ser de todo ingênuo, é no mínimo questionável a participação "politica ideologica" da Comissão de Política Externa da Câmara em conluio com Sr Saboia, ter apoiado este procedimento sem anuência da Chefe do Executivo, demonstrando uma nítida intervenção do legislativo no executivo. Se estas atitudes mascaradas de "humanitaria", afirmar que estas ações não tem algo de ideológico, é dizer que vivemos no "país das maravilhas" e que não haverá eleições para presidente no ano que vem...

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Anos 90 x anos 2000...


Anos 90 x anos 2000...

Nos anos noventa esperimentavamos um pouco da recém conquistada democracia, com uma constituição super avançada iniciamos aquela década com forças conservadoras no poder. Diga-se de passagem, Fernando Collor, caçador de marajás, apoiado pela Globo, e alardeado pela Globo como fruto de seu empenho e poder... em 92, ele foi deposto pelo movimento dos caras pintadas...não por conta da corrupção, que foi bem maior que o mensalão, apenas pouco divulgada, já que os meios de comunicação não tinham menor interesse em cobrir atos dos quais eram cúmplices ; mais por ter feito cumprir por decreto aquilo pra que recebeu apoio eleitoral, ou seja abrir a economia Brasileira ao capital estrangeiro, adotando o Neoliberalismo... Só havia um problema... Nos não tínhamos indústria competitiva para encarar a invasão de mercadorias melhores e mais baratas no mercado nacional. A evasão de divisas foi tão grande que praticamente quebrou o país, não havia dinheiro nas reservas nacionais para cobrir as despesas sequer internas, menos ainda para pagar a dívida externa... aí veio o calote internacional e o pior, calote com a "sagrada poupança " dos brasileiros, ou melhor de todos que naquela época tinha mais de 50.000,00 guardado; foi por isso que o Collor foi deposto, nem mais nem menos...

A Globo que passava o "seriado anos rebeldes", trazia uma vinheta, onde voltava a alardear seu poder, "elegemos presidente, informamos as massas e derrubamos os corruptos...".
Ficou o Itamar Franco, em um processo de transição, enquanto se preparava nos bastidores um ministro intelectual para dar um golpe fatal na inflação, maquiando o ato como sendo uma grande vitória popular, mais de fato consolidando, agora de forma orgânica a implantação do sistema neoliberal "tardio" no Brasil, imprimindo no setor público a imagem de ineficiência no uso da maquina, declarando que o setor privado teria melhores condições de gerir as empresas estatais, venderam quase todas as estatais brasileiras à preços muito baixo, porém a base subornos e compra de votos para fazer passar pelo congresso o desmembramento da maquina pública. Ao passo que se manteve os juros altos para cobrir a entrada de recursos estrangeiros, juros que giravam em torno de 30%, de modo que para dar garantias que esses juros seriam pagos, demitiram milhões de trabalhadores formais, e a título de renovação tecnológica competitiva do mercado as empresas privadas incentivavam a demissão compulsória e o estado recontratava de forma terceirizada os serviços das antigas estatais agora privatizadas. Sem concurso público, políticas sociais aprovadas na constituição estagnadas, uma série de ações sociais pontuais e assistencialistas sem coordenação orgânica e sem força de lei usadas para perpetuar a miséria, e mesmo a política social privatizada de forma inconstante e seletiva através do "Comunidade Solidária ", recessão, fome e desemprego em nome da "estabilidade da moeda", com investimentos estrangeiros que eram atraídos não pelo nossa capacidade de produzir, mais pelos juros pagos com os esforço compulsório do brasileiro comum. Este, de maneira ainda muito simples foi o Plano Real.

Cabe ainda salientar que o brasileiro comum, mal conseguia fazer uma pequena reforma na sua casa, quanto menos comprar um imóvel ou carro, faculdade só por.vestibular pra quem conseguia "pagar" um cursinho pré vestibular ou estudasse em um colégio particular de classe média no mínimo. Linha telefônica se comprava no "câmbio negro", assim como muitos outros itens de consumo e necessidade. Foi neste período que vimos a invasão de produtos chineses de baixa qualidade, a proliferação da pirataria; e eu diria que consumida em função do não acesso aos produtos de qualidade. A polícia federal e o Ministério Público, eram pouco atuantes por estarem intrinsecamente ligados e operacionalizados pelo governantes, e apesar de já existir internet, apenas poucos tinham acesso, de modo que a o único acesso a informação era através dos cartéis da comunicação.

Pois bem... Com o mudança de governo nos anos 2000, veio também algumas mudanças substanciais de modos operandi, ou seja de como fazer as coisas. O incentivo à entrada do capital estrangeiro continuou forte, mais dessa vez não em função dos juros, mais dos produtos brasileiros, o que levou o presidente Lula, na época viajar muito levando consigo diversos empresários, buscando mercados alternativos para vender nossos produtos. Com isso ampliamos a planta industrial, nos tornamos campeões na produção de grãos e carne, gerou-se empregos, e diminuiu-se os juros pagos a investimento estrangeiro; hoje considerado alto são de 6,9 %. Unificou-se os programas sociais, abriu- se credito para o brasileiro comum, regulamentou-se as políticas sociais e de direitos do cidadão, tornando-as leis e políticas de estado, impedindo que estas conquistas se perdessem com uma eventual mudança de humor do governante ou do mercado.

A polícia federal e o Ministério Público, pela primeira vez na história do país passaram a ter uma atuação mais qualificada e independente, assim como a liberdade de expressão e acesso a informação não foi apenas garantida, mais defendida. O acesso a universidade, seja por meio de cotas, seja pelo Enem, seja pelo Pro Uni, possibilitou que milhões de brasileiros alçassem o ensino superior, o incentivo ao consumo interno como forma de possibilitar acesso aos bens de consumo básicos, geladeira, fogão, etc... mantiveram a indústria brasileira funcionando enquanto a Europa e os Estados Unidos seguem em profunda crise econômica e desemprego. No Brasil chegamos a ter desemprego quase zero, em alguma regiões e algumas cidades do interior de São Paulo, há deficit de trabalhadores.

O Brasileiro, começa a ter acesso a informação, não apenas de uma única fonte, a Internet fica cada vez mais acessível via telefonia celular, o brasileiro hoje consegue planejar sua vida, comprar seu carro e se organizar para comprar sua casa. A legalização do trabalho formal segue a pleno vapor... Nestes dias de convulsão social, não existe nada mais lindo que o povo expressando, inclusive pensamentos contrários aos meus, nas ruas! Agora ciente e detentor de seu poder... capaz de através de sua manifestação fazer valer, cobrar e fiscalizar a ação dos políticos que elegeu ou não! A velha mídia e os velhos senhores feudais, saudosos dos anos 90, de quando concentravam mais de 90% do PIB, voltam e usar de seu pleno poder para incutir a insegurança e o medo na população, transformando estas vitórias em derrotas... basta ver como foram retradas as manifestações nos dois primeiros dias, e como, SÓ DEPOIS QUE UMA JORNALISTA TEVE SUA IMAGEM VEICULADA AMPLAMENTE COMO VÍTIMA DA VIOLÊNCIA POLICIAL, está mídia fachista começou a retratar as manifestações legítimas, como expressão popular, até então eram chamados de baderneiros e criminosos. A partir daí, uma série de agentes com interesses escusos, organizados ou independentes passaram a usar as manifestações em busca de manipular as massas.
Ainda assim prefiro o povo nas ruas, que o silêncio concencioso... Diga-se de passagem, que hoje só podemos cobrar dos governantes porque temos acesso às informações, por que temos celulares, Internet, computadores, emprego, por entrarmos na faculdade; coisas inacessíveis na década de 90... Aqui, entra sim, minha reflexão de fato... É bom lembrarmos que o sistema de cotas, a lei que obriga as empresas a contratar deficientes e aprendizes, o Enem, o Pro Uni, o Bolsa Família, a meia entrada para estudantes, a menor idade penal, o crédito para famílias de baixa renda, assim como incentivos fiscais para indústrias produzirem bens de consumo direto e gerarem emprego; tem sido nos dois últimos anos as políticas mais atacadas pela velha oligarquia de políticos e pela mídia tradicional. Há de se compreender que estas políticas com toda sua deficiência, tiraram mais de 40 milhões de brasileiros da miséria absoluta em 10 anos, possibilitaram que este grande contingente de pessoas pobres dividissem espaços antes acessados apenas pelos milionários. Universidades, Shoping, teatro, viagens para o exterior, viagens de férias, hoje são coisas bem comuns nessa população ascendente, e este convívio gera conflitos, em função de que os sempre ricos acreditarem que não devíamos ter saído "da cozinha"; só para citar FHC que afirmava de forma pejorativa, que tinha um "pezinho na cozinha". Deste modo, o processo organizacional dos grandes eventos, copa do mundo, olimpíadas e por que não a FLIP, tem sido considerados pela mídia, e os sempre ricos, como espaços que consideram seus por "natureza", e buscam preserva-los da presença dessa população emergente, ao passo que veiculam os problemas como sendo unicamente dos governos, como se boa parte dos recursos não fossem da iniciativa privada. E dessa maneira buscam ficar de fora do furacão e desviam a atenção de sua própria responsabilidade com a desigualdade que agora criticam.
Ao fazer este paralelo, com certeza demonstro meu posicionamento político... no entanto acredito sim que mesmo com todos os avanços socioeconômicos que tivemos, temos sim, todos que nos manter vigilantes e cobrar a todo momento transparência no uso do dinheiro público, e pela qualificação dos serviços, vigilantes contra os atos de corrupção e cobrar penas duras contra aqueles que foram condenados por este motivo. Bem como apoiar os políticos, quando estes sob nossa pressão popular buscam responder às demandas que brilhantemente levantamos nestes dias. Após exigirmos mudanças, não podemos recuar quando ela é apresentada, pelo contrário !!! Precisamos garantir que ela aconteça. Precisamos participar das discussões orçamentárias em nossos municípios, das conferências de políticas públicas ( saúde, educação, assistência social, cultura, comunicação, etc), bem como da organização dos grandes eventos, para que o acesso seja de fato para todos e o dinheiro seja usado da forma devida.

Comemorar o gol da seleção brasileira não é algo ruim... é bom e faz parte de nossa cultura e identidade nacional, se espalhou pelo país de forma popular em campos de várzea, como atividade esportiva/recreativa/e de lazer de baixíssimo custo em todas as comunidades pobres do país, até os índios no interior do amazonas jogam futebol, mais nos últimos anos os cartéis capitalistas foram cooptando também este prazer popular e infligindo a ilusão dos ganhos "faceis", nas grande contratações e no monopólio de organização e veiculação dos grandes eventos.
Precisamos exigir a mesma qualidade para a Educação, Saúde, Segurança, Cultura e Inclusão Social.... Mais sem correr o risco de negarmos a nos mesmos participação nestas outras atividades, pois no final das contas é isso que se quer de nós... discutam vcs escola, hospital, pois isso não dá dinheiro, e deixem quem "ENTENDE" discutir a Copa, as Olimpíadas a FLIP!!!

domingo, 25 de novembro de 2012

Sugestões e Orientações - Projetos Sociais - Parte 4.1 - Orçamento

Olá caros amigos e amigas, desculpe o atraso, mais no último fim de semana aproveitei a oportunidade do feriado longo para visitar a família no Rio.
Bom voltamos hoje com mais uma etapa de orientações para a construção de um projeto social. Hoje trataremos do orçamento, o qual discutiremos em duas partes. Muitos pensam que para fazer um projeto social, basta ter "boa vontade", uma idéia e dinheiro para executa-la. Lá no início já demonstramos que não basta boa vontade e uma idéia, é preciso ter conhecimento da realidade a qual se quer mudar, e construir a idéia de mudança (a ação em si) sob bases sólidas e realistas. E quando falamos de orçamento não estamos tratando apenas de dinheiro, e nem tão pouco "dinheiro" é tudo que importa no orçamento. Por isso tratamos o espaço no projeto reservado ao orçamento como sendo por natureza, o conjunto de "Recursos", que podem ser os mais diferentes e criativos possíveis. Lembrem-se que a proposta e buscar realizar a mudança de uma realidade vulnerável para não vulnerável, e não poucas vezes, a sustentabilidade dessas mudanças perpassam muito mais o envolvimento e participação do público a quem se destina o projeto do que o custo das ações que promovo. Assim um processo mobilizatorio criativo muitas vezes quase sem custo algum são mais eficazes para o projeto que um "laboratório de qualquer tecnologia" com equipamentos de última geração.


RECURSOS:
Os recursos de um Projeto, podem ser tangíveis ou intangíveis. Chamamos de intangíveis aqueles de carater subjetivo, possibilitados pelas qualidades, potencialidades e saberes dos seus atores, que podem contribuir para o desenvolvimento do Projeto. Conhecer bem a aquipe, os parceiros, o publico beneficiário do Projeto, bem como o contexto onde se constrõem estas relações, é fundamental para o processo de Administração das Ações do Projeto na direção do alcance de seus objetivos.

Tangíveis são aqueles de carater objetivo, elementos concretos a serem administrados conforme sua disponibilidade e consumo no decorrer do Projeto. Estes por sua vez se dividem em “Recursos Materiais”, “Recursos Financeiros”, “Recursos Humanos” e “Recursos de Serviços” (este último pode ser consecionárias, alimentação, transporte e taxas)


“Recursos Materiais”

Recursos materiais são os diferentes tipos de objetos – mesas, cadeiras, canetas, alimentos, etc. - que utilizamos no desempenho de nossas atividades. Todos os materiais de projetos sociais, doados ou comprados, devem ser vistos como um bem comum da organização e dos beneficiários do projeto e devem ser tratados como tal. Uma boa gestão desses recursos implica não só organizar e controlar o seu uso e abastecimento para garantir o cumprimento das atividades previstas, mas também fornecer aos envolvidos, sempre que solicitadas, informações claras e objetivas sobre a situação, dada a especificidade do cenário que envolve os projetos sociais.


Para facilitar o gerenciamento e o controle desses recursos, podemos estabelecer uma diferenciação entre os tipos de materiais que se utilizam, divididos em três grupos:

- Materiais Duráveis: São móveis, equipamentos, computadores, ferramentas cuja a reposição é eventual. 
- Materiais de Consumo: São produtos como material de limpeza, lâmpadas, etc. São aqueles de uso cotidiano que tem a necessidade de reposição constantes. Normalmente são auxiliares as ações do projeto, não são para utilização direta nestas ações.
- Materiais didáticos-pedagógicos: São aqueles utilizados na execução das atividades, porém necessitam de reposição constante: Folhas Sulfite, canetas, cartolinas, etc..

Tanto os materiais de consumo, quantos os didático-pedagógicos são consumidos diariamente e , por isso, requerem um acompanhamento constante, capaz de indicar as necessidades imediatas de sua reposição.

“Recursos de Serviços”

Na elaboração de um projeto, é comum inicialmente não levarmos em conta os serviços necessários para sua execução: Como a manutenção de condições mínimas como:

- Consercionárias de Energia Elétrica, Água e Esgoto, Aluguel, Internet;
- Transporte para atividades (passeios), ou para os beneficiários chegarem até o local onde o projeto acontece,
- Ou ainda de alimentação (lanche ou mesmo almoço, quando as atividades diárias duram mais que 2 horas obrigando a alteração dos horários de alimentação dos participantes);
- Ou também de taxas, quando se prevê no projeto a necessidade de inscrição dos participantes ou da equipe técnica em atividades que não são promovidas pelo próprio projeto.

“Recursos Humanos”

São considerados recursos humanos todos os profissionais, os quais direta ou indiretamenta são necessários para implantação do projeto.

Diretamente são considerados aqueles, que executam as ações do projeto, e são remunerados pelos “recursos financeiros” capitados para o projeto; comumente compõem uma equipe fixa que acompanhará o projeto do início ao fim... São também considerados recursos humanos diretos aqueles que são remunerados pelo projeto, porém executam ações pontuais no projeto, de modo não permanente, como oficinas pontuais, ou consultorias...

Indiretamente são os recursos humanos que tem sua remunareção mantida através de parceria com outros serviços e ou projetos: Um educador ou oficineiros de outra entidade ou projeto (parceiro) disponibilizado para atuar no seu projeto.

“Recursos Financeiros”

Chamamos de recursos financeiros o dinheiro necessário para à concretização de um projeto. Não podemos deixar de considerar, entretanto , que outros recursos – doações, instalações próprias, etc. - devem ser quantificados. Isso nos possibilita calcular, com maior fidelidade, o custo de nosso projeto. O valor captado para aplicação em um projeto não representa, necessariamente, o seu custo. A contrapartida que a organização oferece é também parte desse custo.

A gestão dos recursos financeiros significa, primordialmente, proceder ao acompanhamento e o controle da utilização do dinheiro de forma garantir a execução das atividades, o alcance das metas e a concretização dos objetivos previstos em nossos projetos. Esse acompanhamento permite detectar possíveis necessidades de correção de rumos, prestar contas do seu andamento, bem como obter dados úteis para a formulação e apresentação de novas propostas orçamentárias.

Nesse sentido, uma boa gestão dos recursos financeiros consiste na capacidade de compatibilização da execução das atividades com o dispêndio do dinheiro para o período estabelecido para o projeto.

Bom por hoje é isso semana que vem avançaremos na distribuição e organização do orçamento no projeto.

Abraços, 
José Adriano M C Marinho

Referências bibliográficas :
ÁVILA, Célia M. de  (coord.). Gestão de projetos sociais – 3ª ed. Rev. (Coleção gestores sociais) – AAPCS – Associação de Apoio ao Programa Capacitação Solidária, São Paulo, 2001.

http://www.ebah.com.br/apostila-metrologia-pdf-a20231.html

www.cup.pt/CUP/Redaccao/2007/01/GlossariodaBanca.htm

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Sugestões e Orientações - Projetos Sociais - Parte 3 - Metodologia

Dando continuidade as orientações acerca de projetos sociais, trataremos hoje da "metodologia", etapa que da corporeidade ao projeto; onde é feito o desenho do caminho que será seguido para realizar as mudanças desejadas.

Imagem 1:
Bom, em função dos Objetivos Específicos do Projeto, aquele que em seu corpo explicite também sua meta – objetivo quantitativo, temporal e espacialmente dimensionado, isto é, além de expressar o que queremos, precisamos delimitar o quanto, em que tempo e em que lugar ele se realizará.  Iniciamos outros questionamentos:
Como os resultados destes objetivos serão alcançados??? Quais as estratégias mais adequadas???




A Metodologia

É uma escolha geral, que precede a definição das atividades. Pode-se dizer que a metodologia está em outro nível, mais abstrato, embora costume ser confundida com as atividades propriamente ditas. A metodologia segue as premissas técnicas estabelecidas pela equipe gestora e pela instituição, fundamenta-se também em referenciais teóricos externos.

De forma bem simples para descrever, seria composta tanto por um texto orientador (um manual de instruções) que detalha e especifica as escolhas dos caminhos, das atividades e suas contribuições para a transformação proposta; quanto pelas atividades em si, que devem ser ordenadas de forma cronológica, de modo ficar claro a evolução processual proposta pelo projeto.


Texto Orientador
Exemplo: Projeto Talentos da Maturidade

No sentido de melhor operacionalizar a realização e alcance dos objetivos deste projeto; ele se constitui de duas fases independentes porém complementares. Possibilitando assim um momento de intensidade formativa/reflexiva e de apropriação de instrumental de planejamento e aplicação de saberes; e outro posterior ao processo formativo com foco nas atividades planejadas, sendo desenvolvido sob acompanhamento e monitoramento técnico, de modo ela também contribuir com a auto-reflexão/aprendizado sobre os aspectos subjetivos do ator em si (neste caso a pessoa idosa), de seu papel cidadão e contribuição para a transformação social.

A primeira Fase, com início até setembro de 2009 e término até dezembro de 2009, desenvolvida pela YZX e FRiD, buscará na ação de capacitação-reflexão-aprendizado, propiciar a discussão sobre aspectos psicológicos, sociais e biológicos do envelhecimento, fortalecendo a auto-estima e determinação de seu papel cidadão e humano, por meio de grupos reflexivos, atividades educativas, sócio-culturais, organizativas e de ação comunitária; culminando na produção de “Planos de Ação” elaborados pelos participantes, que contenham objetivamente, desdobramento deste processo inicial em seus grupos e comunidades de origem, sob responsabilidade de implantação e desenvolvimento dos próprios participantes.

       A segunda fase, com enfase na ação comunitária e implementação dos Planos de Ação elaborados pelos participantes, desenvolvida pela YZX e FRiD, com parte dos recursos solicitados ao Concurso Talentos da Maturidade, categoria “Programas Exemplares”, tem como principal característica co-responsabilidade na gestão das ações, o fortalecimento da pessoa idosa como cidadão que contribui com sua experiência e saber para a transformação social; de modo que cada Plano em si se desdobra-rá segundo a criatividade, empreendedorismo e mobilização de cada grupo de participante, tendo como aparato técnico subsidiário, 1 (um) professor da FRID, que acompanhará as ações de cada Plano, orientando e monitorando e avaliação do processo e XX recursos originários do “Concurso de Talentos da Maturidade”, bem como auxílio na abertura de espaços de sediamento das atividades; cabendo ao grupo de idosos, além coordenação das ações, administração e contabilidade dos recursos utilizados, também avaliação dos impactos possibilitados, em sua própria trajetória bem com das pessoas tocadas pela sua ação.


Atividades

Mais concretas, representam providências e articulações necessárias para atingir os resultados estipulados.

Planejar as atividades de um projeto é não só definir quais as ações e procedimentos necessários para alcançar os resultados desejados, mas também programar o tempo e a seqüência em que se desenvolverá cada uma dessas atividades.

É muito comum, quem pensa um projeto social, pensar primeiro na atividade que pretende fazer,  sem pensar nos objetivos, e nem mesmo nas situações problema que irá enfrentar. Tornando assim, esse "projeto", em um amontoado de "atividades pelas atividades".

Através desse procedimento que trazemos aqui, possibilita etapa por etapa, o Projeto possa ser pensado concistentemente.

Para tanto neste momento da construção da metodologia, é que deve ser levantado todas as idéias, possibilidades de ação, tendo em vista o caminho metodológico idealizado para alcançar o objetivo, assim como a realidade a qual se pretende mudar.

Chamamos de atividades de um projeto, TODAS AS AÇÔES, necessárias para o seu desenvolvimento. Neste sentido cabe alertar, que por exemplo: Curso de Informática para os jovens.

Só essa atividade em si, pre-supõe diversas outras anteriores:
- Preparação do Espaço Físico para receber o curso; (Os espaço será cedido, comprado ou alugado?)
- Compra e instalação dos equipamentos;(Os equipamentos serão recebidos de doação; ou comprados?)
- Contratação dos Profissionais; (Como será feita a divulgação da vaga?)
- Divulgação do Curso (Quais os meios divulgação? Será necessário imprimir cartazes? Quem fará os cartazes?)

É por isso que precisamos antes de chegar nesta etapa, ter bem claro a situação problema que será enfrentada, sua realidade; assim como estabelecer bem os objetivos a serem buscados. Para que na construção das atividades eles sejam mais completas possíveis, e cumpram o papel de corporeidade do projeto.

Importante ainda que ao fazer este levantamento, seja pensada estas atividades e ordem cronológica. E um ótimo instrumento para a organização cronológica das atividades é o Cronograma de Atividades.

Atividade X Objetivos Específicos

Sinalizamos um ponto fundamental na escolha das atividades. Elas não devem ser escolhidas aleatoriamente. As atividades devem ser intrinsicamente ligadas aos Objetivos Específicos, de maneira que para cada Objetivo Específico deve ser pensado um número de atividades que contribuam fisicamente para alcança-los. Sempre sugiro que seja pensado não muitas atividades, não mais que três por objetivo (podem ser mais caso seja necessário). Nessa conta, se você tem 3 objetivos específicos, e para cada objetivo 3 atividades; você terá então 9 atividades, as quais deverão ser monitoradas. 

Apontamos ainda que há atividades com foco nos objetivos; e aqueles com silnalizei no exemplo anterior, com foco no estabelecimento e estruturação do Projeto. Esta ultima não entra no Cronograma de Atividades (que trataremos a seguir), mais entram no Cronograma Físico Financeiro do projeto.


Cronograma de Atividades

Um instrumento simples e útil para identificar as ações no tempo, estimar o tempo em relação aos recursos, visualizar a possibilidade de algumas ações acontecerem em paralelo e, por último e mais importante, verificar a relação de interdependência entre elas.

O cronograma é um poderoso auxiliar tanto no planejamento quanto no monitoramento do projeto, pois com ele visualizamos o todo das atividades no tempo, suas interdependências, seu desenvolvimento, seus resultados, e podemos ir identificando possíveis desvios em relação ao planejado, o que possibilita uma correção de rota ainda durante o desenvolvimento do projeto.


O cronograma de atividades deve ser:

• completo, isto é, com todas as atividades do projeto e seus respectivos responsáveis;

• preciso, apontando o início e o fim de cada atividade;

• lógico, de modo a mostrar as interdependências entre as diversas atividades (por exemplo, a atividade de divulgar para o público-alvo os critérios de seleção dos alunos para um curso de capacitação pressupõe outra, a confecção de folhetos e cartazes de divulgação; se esta não for bem realizada e no tempo planejado, aquela estará prejudicada);

• flexível, atualizado e sistematicamente analisado;

• realista, baseado em estimativas reais.

Imagem 2:

Na Proxima semana traremos o discussão sobre Orçamento.

Referências Bibliográficas:


ÁVILA, Célia M. de  (coord.). Gestão de projetos sociais – 3ª ed. Rev. (Coleção gestores sociais) – AAPCS – Associação de Apoio ao Programa Capacitação Solidária, São Paulo, 2001.

GOLDSTEIN, Ilana Seltizer. Responsabilidade social: das grandes coorporações ao terceiro setor – Ed. Ática, São Paulo, 2007.

Fonte das Imagens:

Imagem 2: Autoria própria


Abraços;
José Adriano M C Marinho






quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Sugestões e Orientações - Projetos Sociais - Parte 2 - Objetivos

Dando continuidade a discussão levantada semana passada sobre orientações e contribuições para o desenvolvimento de um Projeto Social. Partimos hoje da situação social problema sugerida como exemplo, para uma ação transformadora. Assim temos:

"Crianças em situação de trabalho infantil na Feira da Praça Estrela do Sul, no município de Jambá do Sul."

Entendendo que seguindo as orientações anteriores, tenhamos levantado as características da situação social problema, ou seja, tenhamos aprofundado seu contexto. Conseguindo identificar o número aproximado de crianças nesta situação, durante esta feira; conseguindo identificar suas famílias; bairros, municipios e ou regiões de origem; políticas à que são afetos, como os demais feirantes compreendem a presença delas na feira; e mesmo quais as definições de trabalho infantil presentes nesta "realidade". Podemos assim encontrar, aqui desde crianças catadoras e pedintes; crianças que ajudam seus pais feirantes, prostituíção infantil, contratação de trabalho de crianças e adolescentes, etc... Todas estas formas e talvez outras, são passíveis de encontrar em uma realidade como esta. Mas como dito acima, suponhamos que temos localizado o numero aproximado de 30 crianças nestas situações nesta feira, e juntamos as informações contextuais a serem utilizadas para fundamentação teórico e justificativas em tempo. Precisamo então reformular o enunciado de modo a torna-lo mais preciso. Por exemplo:

"30 crianças filhas de feirantes em situação de trabalho infantil na Feira da Praça Estrela do Sul, no município de Jambá do Sul."

IMPORTANTE: Quanto mais preciso este enunciado, mais "certeira" será a ação que você poderá promover no sentido de mudar esta realidade. Dai a IMPORTÂNCIA, que recorro o tempo de que antes tudo, é necessário o conhecimento mais profundo possível do contexto em que se encontra situação social problema.

Desenvolvendo Objetivos:


Realizada a análise de contexto (levantamento da situação social problema e das circunstâncias que a cercam), o próximo passo será elaborar os objetivos do projeto.

Não é fácil formular objetivos, mas sua elaboração e delimitação, sua clareza e legitimidade são fundamentais para o êxito de qualquer projeto, já que será em função dos objetivos traçados que todas as ações serão pensadas, executadas e avaliadas.


É preciso que eles sejam bem compreendidos por todos: equipe do projeto, parceiros e beneficiários da ação, possibilitando uma linguagem e um entendimento comum do que está sendo proposto e dos resultados desejados.

Existem vários pré-requisitos implícitos na escolha dos objetivos de um projeto:

aceitabilidade – deve ser aceitável para as pessoas cujas ações se acham envolvidas na sua execução.
exeqüibilidade – tem de ser exeqüível dentro de um tempo razoável.
motivação – deve ter qualidades que sejam motivadoras.
simplicidade – deve ser simples e claramente estabelecido.
comunicação – deve ser comunicado a todos que estejam, de alguma forma, ligados ao projeto.

A situação social problema (o enuciado) vira objetivo.


A situação social problema é aquela sob a qual pretendemos efetuar mudanças, uma situação percebida de forma negativa...

"30 crianças filhas de feirantes em situação de trabalho infantil na Feira da Praça Estrela do Sul, no município de Jambá do Sul."

O Objetivo é uma inversão da forma de escrever A Situação Social Problema, dando um sentido positivo; uma situação desejável...

“Crianças filhos (as) de feirantes da Feira da Praça Estrela do Sul, no município de Jambá do Sul afastados do trabalho infantil.”


A Abrangência do Objetivo

Quanto à abrangência, os objetivos de um projeto podem ser divididos em:

Objetivo Geral – aquele que expressa maior amplitude, exigindo um tempo mais longo para ser atingido e a ação de outros atores que, como nós, contribuem para a resolução do mesmo problema. Assim, o objetivo geral é aquele que só será alcançado pelo somatório das ações de muitos atores.

Diferentes atores, diferentes ações, todos contribuindo para que se alcance a mesma finalidade.


• Objetivo Específico – é um desdobramento do objetivo geral, expressando diretamente os resultados esperados. É o foco imediato do projeto, orientando diretamente nossas ações.

Para evitar diferentes interpretações com relação aos objetivos de um projeto, devemos sempre utilizar uma linguagem precisa e concisa. 


A Meta do Objetivo

Propor um objetivo é expressar nossa intenção transformadora, transformação que poderemos monitorar e avaliar. 

Para que isso aconteça é preciso que cada objetivo explicite também sua meta – objetivo quantitativo, temporal e espacialmente dimensionado, isto é, além de expressar o que queremos, precisamos delimitar o quanto, em que tempo e em que lugar ele se realizará

IMPORTANTE: Já disse na semana passada, isso não é receita de bolo... Os objetivos bem desenhados contem em seu interior as metas que pretende alcançar. No entanto é possível e também muito comum, encontrar as "metas" de um projeto específicadas fora do corpo dos objetivos.


As Metas do Objetivo

Objetivo Geral:

100% de crianças filhos (as) de feirantes da Feira da Praça Estrela do Sul, no município de Jambá do Sul afastados do trabalho infantil.”

Objetivos Específicos:

“100%  dos feirantes conscientes da não exploração do trabalho infantil da Feira da Praça Estrela do Sul em um ano.”

Familias das 30 crianças inicialmente em situação de trabalho infantil, inseridas em programa de geração de renda e rentabilidade econômica de micro empreendimento.

“Crianças Filhos (as) de feirantes ou não, num mínimo de 30 e num total de até 90 crianças; envolvidas em atividades, socioeducativas, lúdicas, culturais e esportivas nos dias da Feira da Praça Estrela do Sul, no município de Jambá do Sul, durante um ano.

Observação: Podemos, e cabe diversos objetivos em um projeto como uma ação transformadora como essa, no entanto... Devemos "colocar o chapeu onde o braço alcança", já dizia minha avó. Mais frente vocês perceberão, que para cada objetivo, é necessário o desenvolvimento de ações específicas, assim como indicadores, meios de verificação e por ai em diante... Neste caso procuro sempre trabalhar com 3 (três) objetivos específicos. Entendendo que os objetivos específicos são aqueles que nos aproximaram de alcançarmos o objetivo geral. Cada um deles deve ter como resposta SIM, ao perguntarmos se Ele Contribuíra Efetivamente para o Objetivo Geral?

Observem ainda que no enunciado, desses três objetivos específicos, busco não apenas dar conta de um "numero reduzido de ações", para facilitar a escrita. Mais cada um deles, busca dar conta de um aspecto circundante da situação social problema. Contexto Comunitário/Social; Contexto Familiar; Contexto Individual/As Crianças. Mesmo sendo apenas três objetivos específicos, eles buscam cercar e promover "impacto" nestes três aspectos.

Na próxima semana daremos continuidade nesta discussão, tratando das ações que darão concretude aos objetivos, a "Metodologia".

Aqueles que desejarem fazer suas considerações, levantar questões e ou trazer contribuições para este material, o podem faze-lo aqui mesmo no Blog, inscrevendo-se no Blog e comentando este post.

Referência Bibliográfica:
ÁVILA, Célia M. de  (coord.). Gestão de projetos sociais – 3ª ed. Rev. (Coleção gestores sociais) – AAPCS – Associação de Apoio ao Programa Capacitação Solidária, São Paulo, 2001.

Site Fonte da Imagem: http://www.escolapsicologia.com/para-ter-sucesso-estabeleca-um-objetivo-especifico-e-poderoso/

Abraços,
José Adriano M C Marinho







segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Sugestões e Orientações - Projetos Sociais - Parte 1

Não poucas vezes alguns profissionais e alunos da área social (alguns que estudaram comigo), me procuram para tirar dúvidas gerais sobra a elaboração de projetos. No intuito de contribuir para busca de respostas para algumas dessas questões vou trazer aqui para o Blog JAM Gestão e Consultoria Social - Oportunidades; algumas orientações gerais. Assim desejando, acompanhem estas postagens no Blog. 
Estas orientações não tem a finalidade de ser uma receita, ou padrão, mais apontamentos que devem nortear na feitura/desenvolvimento de um Projeto Social.

Podemos afirmar que o Projeto Social, nada mais é que um processo sistemático de planejamento de ações, para a proporcionar determinada mudança na realidade social na qual se inserem. Assim tratamos aqui de um "processo de planejamento". 
Esse processo de planejamento pode ser despertado por diversas motivações, sendo comum, entre elas a "vontade" de pessoas, grupos e ou entidades de promover de forma "sistemática" a tal mudança/transformação da realidade social afeta há um grupo vulnerável de pessoas. Ora, se este desejo, entre muitos motivos, é o que leva ao desenvolvimento de um Projeto Social, nada mais necessário que antes de qualquer coisa, buscar a compreensão da realidade a ser transformada. Entender seu contexto, a população vulnerável a ser atendida pelo Projeto Social, sua cultura, história, economia, organização e alternativas de respostas que esta população dá aos seus problemas (de forma licita ou não). Compreender profundamente este contexto, ajuda determinar com precisão, dentre as diversas "Questões Sociais" vivenciadas no cotidiano daquela população, qual de fato é a "situação social problema" sob a qual o Projeto Social vai debruçar-se; sob qual

 vai priorizar, de forma estratégica, sua atenção. Trata-se aqui, de pormenorizar, como ponto de partida em uma unica "sentença", QUEM, O QUE, ONDE; para então aprofundar essa analise da realidade.

Ex.: QUEM são os Vulneráveis; O QUE os torna Vulneráveis; ONDE essa Vulnerabilidade ocorre?

"Crianças em Situação de Trabalho Infantil, na Feira da Praça Estrela do Sul no Município de Jambá Mirim"
Obs.: Nomes de locais fíctícios.

QUEM são os Vulneráveis? Crianças
O QUE os torna Vulneráveis? Situação de Trabalho Infantil
ONDE essa Vulnerabilidade ocorre? Feira da Praça Estrela do Sul no Município de Jambá Mirim

Assim formulada esta sentença, segue-se o aprofundamento proposto a cima, do entendimento e compreensão desta realidade. O "texto", fruto desse entendimento/compreensão deverão em tempo, produzir as justificativas para uma ação que venha efetuar tal mudança/transformação nessa realidade, assim como, serão também base de sustentação teórica e de dados da realidade para definição dos objetivos concretos a serem alcançados através de qualquer Projeto Social que venha a ser desenvolvido.

Em uma semana, retomo estas orientações dando seguimento ao processo dos construção de objetivos de um projeto social.

Aqueles que desejarem fazer suas considerações, levantar questões e ou trazer contribuições para este material, o podem faze-lo aqui mesmo no Blog, inscrevendo-se no Blog e comentando este post.

Abraços,
José Adriano Marinho

Fontes:




sexta-feira, 12 de outubro de 2012

O Bem x O Mal


As coisas em que acreditamos não são apenas lugar seguro onde emitimos nossa opinião a favor... É  necessário compartilhar literalmente! Segundo Turno, eleições municipais, e mais uma vez nos últimos dez anos nos encontramos em um confronto real de propostas. Se me lembro bem, "nunca na história desse país", se investigou tanto, se prendeu tanto, se condenou tanto e a imprensa foi tão livre a ponto de ser inclusive impertinente, mal educada, e parcial na cobertura e... Muitas vezes na "feitura" dos fatos. Os discursos são ideológicos sim!!! E mais ainda, não importa o quanto ideológico seja, fiz uma pergunta simples para um grupo de pessoas com níveis diferentes de escolaridade e econômico. Quem de nós nos últimos dez anos, conquistou por "seus esforços" algo que almejava no sentido da segurança sócio-econômica para si e ou sua familia? E todos unanimemente respondem, que conseguiram terminar a faculdade, comprar seu carro, dar entrada e ou comprar seu apartamento ou casa. Alguns já planejam coisas maiores, fazer uma pós, viajar pelo Brasil e ou pelo mundo!!! Acontece, e é fato que nos dez anos anteriores ao período que apresento, tudo isso só era possível para o pequeno número de pessoas que estavam no poder. Foi pelo "nosso esforço", sim foi, mais as condições que possibilitaram isso foi uma "escolha" política, que nos tem trazido cada dia mais para esse Brasil de Todos. Em um mundo em crise econômica, e por aqui não é diferente, e mesmo com um crescimento pequeno comparado as Brics, o Brasil tem sido o tempo todo cortejado por grandes empresas internacionais, assim com países que dificultavam a entrada de Brasileiros, hoje negociam a livre entrada de seus cidadãos em nosso país, bem como buscam direcionar nossos investimentos para seus países.
É por isso que compartilho das idéias corajosas, remando contra a maré, apresentadas pela Jornalista Bárbara Gancia, na Folha de São Paulo de hoje, 12/10/2012.


Bem x Mal
Texto de Bárbara Gancia


Está tudo muito bom, está tudo muito bem. E o "The New York Times", o "Financial Times" e o "Times" de Londres po­dem estar certos de que o julga­mento do mensalão representa um avanço brutal para a democracia tapuia, como bem notou o nosso monumental Clóvis Rossi em sua coluna de ontem, mas esta "bastian contraria" (a expressão é piemon­tesa) que vos fala veio posar na sua sopa para discordar.

É claro que quem tem culpa que pague o que deve. E eu também, co­mo todo o resto do Ocidente (excluindo talvez o Suriname, Cuba e a Cristina Kirchner --que deve sentir coisas por ele), não vou com os cornos do Zé Dirceu. O homem escondeu a pró­pria identidade da mulher, vive de amassos com os Castro, não é exatamente exemplo de democrata e blá-blá-blá-blá-blá.

Acontece que não consigo disso­ciar a imagem de Joaquim Barbosa de Torquemada e o julgamento do mensalão da Inquisição. Estamos assistindo a um massacre e há mui­to ainda a considerar.

Diziam que o julgamento seria parcial porque Lula havia escolhi­do os juízes. Não aconteceu. Aliás, essa desconfiança preconceituosa me faz lembrar o terceiro mandato de Lula, que não houve.

Enunciavam também que o men­salão ia dar a vitória a Russomanno em primeiro turno. Não aconteceu. Por sinal, a economia nem vai tão bem e Haddad lidera as pesquisas.

E Lula, ora, Lula foi o grande ven­cedor do primeiro turno (tadinha da Martoca) e vai levar São Paulo de enxurrada, né não?

Fica claro tam­bém que a classe média alta que se diz informada, mas que raramente acaba obtendo colocação profissio­nal fora do âmbito familiar, quer ver o PT ser varrido do mapa. Essa é a turma que torce como nunca no Fla-Flu do julgamento do STF.

Nos últimos tempos, até a Dilma eles têm tratado com um desdém que antes não havia ali. Já para o zé povinho, tanto faz. Para a perifa, obviamente não só despida de pre­conceito contra o Lula como iden­tificada com ele até a alma e beneficiada pelas mudanças sociais, escândalo de compra de votos da reeleição, anões do Con­gresso, Sivam, Zé Dirceu, Collor... é tudo a mesma lasanha.

Eu até concordo que a gente quei­ra ver canalhas ricos o bastante pa­ra contratar advogados top na ca­deia. Mas, vem cá: o Genoino, gen­te? Todo mundo conhece o Genoi­no, sabe que ele não vive no luxo. E não merece o que está acontecen­do.
Nesta semana vi gente com san­gue nos olhos dizendo que queria vê-lo atrás das grades. Isso não po­de ser sede de justiça. É outra coisa. É preconceito puro. E olha que o Muro de Berlim já caiu há mais de 20 anos!

É uma deturpação das mais dano­sas ao país colocar na capa da maior revista semanal tapuia uma crian­ça negra e pobre que subiu na vida pelo próprio esforço como se ela fosse o novo Pelé.

É como se a classe dominante dissesse: "Os nossos pretos pobres são melhores do que os deles". Os negros pobres do Lula precisam do Bolsa Família e de cotas para chegar lá. Joaquim Barbosa (que, note, se declara eleitor do PT) venceu sozinho, não precisou de "política assistencialista", não é mesmo? Pessoal ainda não enten­deu que não é muleta, mas repara­ção por séculos de apartheid social.

Seria lição de democracia se do julgamento do STF constassem não só PT, mas PSDB, DEM etc. Julgar ignorando garantias, sem direito a recurso e partindo da cer­teza de que quanto menos provas, maior o poder do réu e, portanto, hipoteticamente, maior sua culpa, é inver­ter a lógica. Isso não pode ser coisa boa, viu, "Times" de Londres?

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/barbaragancia/1168202-bem-x-mal.shtml

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A hipocrisia do discurso do ódio



Caros amigos e amigas, depois de muito tempo... Para ser sincero, pelo menos uns dois anos, estou aqui de volta tentando retomar no meu Blog o hábitos de refletir, e escrever sobre minhas reflexões. Reproduzir aqui textos, e pensamentos meus, e de pessoas que andei lendo. Meu filho João, vai fazer dois anos, e minha filha Helena, já tem cinco... Minha vida pessoal e profissional vem passando por um turbilhão de mudanças, e isso é muito legal... Posso dizer com franqueza que estou amando como nunca e, é quando estamos amando que ficamos mais sensíveis e as palavras nos surpreende saltando de nossas cabeças através de nossas mãos. Hoje um dia após as eleições municipais, já antevejo, um processo transformador em andamento... Não! Não estou falando de política... Sim! Sim estou falando de política!!! Estou falando das transformações políticas e sociais em minha vida. Nestes dois anos, acho que fiquei um pouco mais maduro, e com certeza bem mais velho. Aprendi a dirigir, e tomei vergonha na cara e voltei a investir "pragmaticamente" em habilidades profissionais... Estou fazendo um curso intensivo de Inglês e me peguei pesquisando pós graduações. É... As coisas estão em processo de mudança...

Meus caros para iniciar está retomada do Blog "JAM Gestão e Consultoria Social", reproduzo aqui um texto que não é meu, mais creio bastante provocativo de um momento onde os radicalismos ganham outras formas e matizes, e acreditem ou não o vivemos aqui em nosso dia a dia. Precisamos sim, parar e repensar que pessoas queremos ser... Que exemplos queremos dar para nossos filhos!

Abraços a todos e todas e boa leitura!
José Adriano Marinho
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Os muçulmanos querem saber por que, em muitos países, insultar o profeta Maomé significa liberdade de expressão, mas vilipendiar judeus e negar o Holocausto não é.
(Jornal o Estado de São. Paulo de 07 de outubro de 2012.)

Por WILLIAM SALETAN - PESQUISADOR DA CENTURY FOUNDATION

Os judeus exercem excessiva influência sobre a política externa americana. Os gays são muito promíscuos. Os muçulmanos cometem muitos atos terroristas. Os negros praticam muitos crimes. Cada uma dessas afirmações é mal formulada. Todas elas, de uma maneira tosca, referem-se a um problema ou a uma preocupação real. E cada uma viola as leis contra o discurso de ódio. Em grande parte do que chamamos mundo livre, só pelo fato de escrever este parágrafo, eu poderia ser preso.

Libertários, conservadores culturais e racistas há anos se queixam dessas leis. Hoje, porém, o problema é global. Os governos islâmicos, enfurecidos com um vídeo contra os muçulmanos que provocou protestos e distúrbios em seus países, exigem saber por que insultar o profeta Maomé significa liberdade de expressão, mas vilipendiar os judeus e negar o Holocausto não é. E não temos uma boa resposta para isso.

Se vamos pregar a liberdade de expressão em todo o mundo, temos de praticá-la. E anular nossas leis contra o discurso de ódio. Os líderes muçulmanos querem que ampliemos essas leis. Na Assembleia-Geral da ONU, eles fizeram pressão para tornar mais drástica a censura. O presidente do Egito declarou que a liberdade de expressão não deve incluir o discurso "usado para incitar o ódio" ou "dirigido a uma religião específica".

O presidente do Paquistão insistiu que "a comunidade internacional qualifique como crime atos que colocam em risco a segurança mundial pelo abuso da liberdade de expressão". O presidente do Iêmen exigiu uma "legislação internacional" para pôr fim ao discurso que "renega as crenças de nações e calunia seus ícones". O secretário-geral da Liga Árabe propôs um "sistema legal internacional" que vincule todos os países, destinado a "criminalizar o prejuízo psicológico e espiritual" causado por expressões que "insultam as crenças, a cultura e a civilização de outros".

O presidente Barack Obama, embora condenando o vídeo, reagiu a essas propostas com uma defesa tenaz da livre expressão. A presidente da Suíça concordou, ao afirmar que "a liberdade de opinião e de expressão são valores fundamentais garantidos universalmente que devem ser protegidos". O debate entre Ocidente e Oriente, entre respeito e pluralismo, não é uma crise. É uma etapa do progresso global. A Primavera Árabe libertou centenas de milhões de muçulmanos do atraso político da ditadura. Eles estão assumindo a responsabilidade de se governar e de se relacionar com outros países. Estão debatendo e nos contestando. E devem, porque somos hipócritas.

Do Paquistão ao Irã, até a Arábia Saudita, Egito, Nigéria e Grã-Bretanha, os muçulmanos escarnecem da nossa retórica sobre liberdade de expressão. Apontam para as leis europeias que proíbem questionar o Holocausto. Na rede CNN, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, alfinetou o entrevistador Piers Morgan, ao questionar: "Por que na Europa é proibido realizar qualquer pesquisa sobre esse fato? Você acredita na liberdade de pensamento e de ideias ou não?".

Na terça-feira o embaixador do Paquistão na ONU afirmou ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas: "Estamos conscientes do fato de que existem leis na Europa e em outros países que estabelecem restrições, por exemplo, ao discurso antissemita, à negação do Holocausto ou à difamação racial. Temos de reconhecer que a islamofobia e a discriminação religiosa são formas de racismo e devem ser tratadas como tal. Caso contrário, esse será um exemplo de uma política de dois pesos e duas medidas. A islamofobia precisa ser tratada na lei e na prática de maneira similar ao antissemitismo".

Ele está certo. Leis aprovadas na Europa proíbem qualquer expressão que "reduza a importância", "banalize" ou "coloque em dúvida" os crimes nazistas. Hungria, Polônia e República Checa estenderam essa proibição para as atrocidades comunistas. Essas leis estabelecem penas de até cinco anos de prisão. A Alemanha acrescentou mais dois anos para quem "desdenhar da memória de uma pessoa falecida".

As leis que tratam do discurso de ódio vão além. A Alemanha pune qualquer pessoa acusada de "insultar" ou "difamar segmentos da população". A Holanda proíbe "ofender um grupo de pessoas em razão de raça, religião, crença, orientação sexual ou deficiência mental, psicológica ou física". É ilegal "insultar" esses grupos na França ou "difamá-los", em Portugal, "denegri-los", na Dinamarca, e "mostrar desdém" por eles, na Suécia. Na Suíça, é ilegal "rebaixá-los" com um "gesto".

O Canadá pune quem "intencionalmente promove o ódio". A Grã-Bretanha proíbe "palavras ou comportamento insultuosos" decorrentes do "ódio racial". A Romênia proíbe a posse de "símbolos" xenofóbicos. O que essas leis produziram?

Examine as condenações mantidas ou aceitas pela Corte Europeia de Direitos Humanos. Quatro suecos que distribuíam folhetos que qualificavam a homossexualidade de "perversão" e "moralmente destrutiva". Um britânico que expôs na sua janela um pôster de 11 de Setembro proclamando "Islã fora da Grã-Bretanha". Um francês que escreveu um artigo contestando a tecnologia do gás tóxico num campo de concentração nazista.

Veja os acusados liberados pela corte. Um dinamarquês "acusado de ajudar e incentivar a difusão de comentários racistas" ao produzir um documentário em que três pessoas "fazem comentários abusivos e pejorativos sobre imigrantes e grupos étnicos". Um homem "acusado de incitar a população a odiar", na Turquia, "criticando princípios democráticos e seculares e exigindo a introdução da lei islâmica". Um turco "acusado de difundir propaganda" e "criticar a intervenção dos EUA no Iraque e o confinamento em solitária do líder de uma organização terrorista". Dois franceses que escreveram um artigo num jornal "descrevendo o marechal Pétain de modo favorável, ocultando sua colaboração com o regime nazista".

Além desses, você encontrará outros processos. Um pastor sueco acusado de violar leis que interditam o discurso do ódio em suas pregações contra a homossexualidade. Um sérvio acusado de discriminação por afirmar que "somos contra qualquer reunião de homossexuais nas ruas de Belgrado".

A história que mais me agrada é a de um francês, que usou o artigo 10.º da Convenção Europeia de Direitos Humanos para se defender. Denis Leroy é cartunista. Uma das suas caricaturas representando o ataque ao World Trade Center foi publicada num semanário basco, com o título "Todos nós sonhamos com isto... O Hamas realizou". Condenado a pagar uma multa por "aprovação do terrorismo", Leroy afirmou que a sua liberdade de expressão tinha sido violada.

O tribunal considerou que, por meio do seu trabalho, ele tinha glorificado a violenta destruição do imperialismo americano, manifestado apoio moral aos que cometeram os ataques de 11 de Setembro, comentando e aprovando a violência contra milhares de cidadãos e depreciado a dignidade das vítimas.

Apesar da circulação limitada do jornal, o tribunal observou que a publicação da charge provocou uma reação pública capaz de incitar a violência e teve impacto sobre a ordem pública no País Basco. A corte decidiu que não houve violação do artigo 10.º.

Como podemos justificar ações como essas e, ao mesmo tempo, defender cartunistas e produtores de vídeos que ridicularizam Maomé? Ou censuramos ambos ou nenhum dos dois. Podendo optar, eu me coloco ao lado de Obama. "Os esforços para restringir a liberdade de expressão", alertou o presidente nas Nações Unidas, "podem rapidamente se tornar instrumentos para silenciar os críticos e as minorias oprimidas".

Esse princípio, confirmado pelos registros espantosos de processos envolvendo violações de leis contrárias ao discurso de ódio, deve ser defendido. No entanto, primeiro, precisamos estar à altura dele.
TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO