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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Sugestões e Orientações - Projetos Sociais - Parte 1

Não poucas vezes alguns profissionais e alunos da área social (alguns que estudaram comigo), me procuram para tirar dúvidas gerais sobra a elaboração de projetos. No intuito de contribuir para busca de respostas para algumas dessas questões vou trazer aqui para o Blog JAM Gestão e Consultoria Social - Oportunidades; algumas orientações gerais. Assim desejando, acompanhem estas postagens no Blog. 
Estas orientações não tem a finalidade de ser uma receita, ou padrão, mais apontamentos que devem nortear na feitura/desenvolvimento de um Projeto Social.

Podemos afirmar que o Projeto Social, nada mais é que um processo sistemático de planejamento de ações, para a proporcionar determinada mudança na realidade social na qual se inserem. Assim tratamos aqui de um "processo de planejamento". 
Esse processo de planejamento pode ser despertado por diversas motivações, sendo comum, entre elas a "vontade" de pessoas, grupos e ou entidades de promover de forma "sistemática" a tal mudança/transformação da realidade social afeta há um grupo vulnerável de pessoas. Ora, se este desejo, entre muitos motivos, é o que leva ao desenvolvimento de um Projeto Social, nada mais necessário que antes de qualquer coisa, buscar a compreensão da realidade a ser transformada. Entender seu contexto, a população vulnerável a ser atendida pelo Projeto Social, sua cultura, história, economia, organização e alternativas de respostas que esta população dá aos seus problemas (de forma licita ou não). Compreender profundamente este contexto, ajuda determinar com precisão, dentre as diversas "Questões Sociais" vivenciadas no cotidiano daquela população, qual de fato é a "situação social problema" sob a qual o Projeto Social vai debruçar-se; sob qual

 vai priorizar, de forma estratégica, sua atenção. Trata-se aqui, de pormenorizar, como ponto de partida em uma unica "sentença", QUEM, O QUE, ONDE; para então aprofundar essa analise da realidade.

Ex.: QUEM são os Vulneráveis; O QUE os torna Vulneráveis; ONDE essa Vulnerabilidade ocorre?

"Crianças em Situação de Trabalho Infantil, na Feira da Praça Estrela do Sul no Município de Jambá Mirim"
Obs.: Nomes de locais fíctícios.

QUEM são os Vulneráveis? Crianças
O QUE os torna Vulneráveis? Situação de Trabalho Infantil
ONDE essa Vulnerabilidade ocorre? Feira da Praça Estrela do Sul no Município de Jambá Mirim

Assim formulada esta sentença, segue-se o aprofundamento proposto a cima, do entendimento e compreensão desta realidade. O "texto", fruto desse entendimento/compreensão deverão em tempo, produzir as justificativas para uma ação que venha efetuar tal mudança/transformação nessa realidade, assim como, serão também base de sustentação teórica e de dados da realidade para definição dos objetivos concretos a serem alcançados através de qualquer Projeto Social que venha a ser desenvolvido.

Em uma semana, retomo estas orientações dando seguimento ao processo dos construção de objetivos de um projeto social.

Aqueles que desejarem fazer suas considerações, levantar questões e ou trazer contribuições para este material, o podem faze-lo aqui mesmo no Blog, inscrevendo-se no Blog e comentando este post.

Abraços,
José Adriano Marinho

Fontes:




sexta-feira, 12 de outubro de 2012

O Bem x O Mal


As coisas em que acreditamos não são apenas lugar seguro onde emitimos nossa opinião a favor... É  necessário compartilhar literalmente! Segundo Turno, eleições municipais, e mais uma vez nos últimos dez anos nos encontramos em um confronto real de propostas. Se me lembro bem, "nunca na história desse país", se investigou tanto, se prendeu tanto, se condenou tanto e a imprensa foi tão livre a ponto de ser inclusive impertinente, mal educada, e parcial na cobertura e... Muitas vezes na "feitura" dos fatos. Os discursos são ideológicos sim!!! E mais ainda, não importa o quanto ideológico seja, fiz uma pergunta simples para um grupo de pessoas com níveis diferentes de escolaridade e econômico. Quem de nós nos últimos dez anos, conquistou por "seus esforços" algo que almejava no sentido da segurança sócio-econômica para si e ou sua familia? E todos unanimemente respondem, que conseguiram terminar a faculdade, comprar seu carro, dar entrada e ou comprar seu apartamento ou casa. Alguns já planejam coisas maiores, fazer uma pós, viajar pelo Brasil e ou pelo mundo!!! Acontece, e é fato que nos dez anos anteriores ao período que apresento, tudo isso só era possível para o pequeno número de pessoas que estavam no poder. Foi pelo "nosso esforço", sim foi, mais as condições que possibilitaram isso foi uma "escolha" política, que nos tem trazido cada dia mais para esse Brasil de Todos. Em um mundo em crise econômica, e por aqui não é diferente, e mesmo com um crescimento pequeno comparado as Brics, o Brasil tem sido o tempo todo cortejado por grandes empresas internacionais, assim com países que dificultavam a entrada de Brasileiros, hoje negociam a livre entrada de seus cidadãos em nosso país, bem como buscam direcionar nossos investimentos para seus países.
É por isso que compartilho das idéias corajosas, remando contra a maré, apresentadas pela Jornalista Bárbara Gancia, na Folha de São Paulo de hoje, 12/10/2012.


Bem x Mal
Texto de Bárbara Gancia


Está tudo muito bom, está tudo muito bem. E o "The New York Times", o "Financial Times" e o "Times" de Londres po­dem estar certos de que o julga­mento do mensalão representa um avanço brutal para a democracia tapuia, como bem notou o nosso monumental Clóvis Rossi em sua coluna de ontem, mas esta "bastian contraria" (a expressão é piemon­tesa) que vos fala veio posar na sua sopa para discordar.

É claro que quem tem culpa que pague o que deve. E eu também, co­mo todo o resto do Ocidente (excluindo talvez o Suriname, Cuba e a Cristina Kirchner --que deve sentir coisas por ele), não vou com os cornos do Zé Dirceu. O homem escondeu a pró­pria identidade da mulher, vive de amassos com os Castro, não é exatamente exemplo de democrata e blá-blá-blá-blá-blá.

Acontece que não consigo disso­ciar a imagem de Joaquim Barbosa de Torquemada e o julgamento do mensalão da Inquisição. Estamos assistindo a um massacre e há mui­to ainda a considerar.

Diziam que o julgamento seria parcial porque Lula havia escolhi­do os juízes. Não aconteceu. Aliás, essa desconfiança preconceituosa me faz lembrar o terceiro mandato de Lula, que não houve.

Enunciavam também que o men­salão ia dar a vitória a Russomanno em primeiro turno. Não aconteceu. Por sinal, a economia nem vai tão bem e Haddad lidera as pesquisas.

E Lula, ora, Lula foi o grande ven­cedor do primeiro turno (tadinha da Martoca) e vai levar São Paulo de enxurrada, né não?

Fica claro tam­bém que a classe média alta que se diz informada, mas que raramente acaba obtendo colocação profissio­nal fora do âmbito familiar, quer ver o PT ser varrido do mapa. Essa é a turma que torce como nunca no Fla-Flu do julgamento do STF.

Nos últimos tempos, até a Dilma eles têm tratado com um desdém que antes não havia ali. Já para o zé povinho, tanto faz. Para a perifa, obviamente não só despida de pre­conceito contra o Lula como iden­tificada com ele até a alma e beneficiada pelas mudanças sociais, escândalo de compra de votos da reeleição, anões do Con­gresso, Sivam, Zé Dirceu, Collor... é tudo a mesma lasanha.

Eu até concordo que a gente quei­ra ver canalhas ricos o bastante pa­ra contratar advogados top na ca­deia. Mas, vem cá: o Genoino, gen­te? Todo mundo conhece o Genoi­no, sabe que ele não vive no luxo. E não merece o que está acontecen­do.
Nesta semana vi gente com san­gue nos olhos dizendo que queria vê-lo atrás das grades. Isso não po­de ser sede de justiça. É outra coisa. É preconceito puro. E olha que o Muro de Berlim já caiu há mais de 20 anos!

É uma deturpação das mais dano­sas ao país colocar na capa da maior revista semanal tapuia uma crian­ça negra e pobre que subiu na vida pelo próprio esforço como se ela fosse o novo Pelé.

É como se a classe dominante dissesse: "Os nossos pretos pobres são melhores do que os deles". Os negros pobres do Lula precisam do Bolsa Família e de cotas para chegar lá. Joaquim Barbosa (que, note, se declara eleitor do PT) venceu sozinho, não precisou de "política assistencialista", não é mesmo? Pessoal ainda não enten­deu que não é muleta, mas repara­ção por séculos de apartheid social.

Seria lição de democracia se do julgamento do STF constassem não só PT, mas PSDB, DEM etc. Julgar ignorando garantias, sem direito a recurso e partindo da cer­teza de que quanto menos provas, maior o poder do réu e, portanto, hipoteticamente, maior sua culpa, é inver­ter a lógica. Isso não pode ser coisa boa, viu, "Times" de Londres?

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/barbaragancia/1168202-bem-x-mal.shtml

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A hipocrisia do discurso do ódio



Caros amigos e amigas, depois de muito tempo... Para ser sincero, pelo menos uns dois anos, estou aqui de volta tentando retomar no meu Blog o hábitos de refletir, e escrever sobre minhas reflexões. Reproduzir aqui textos, e pensamentos meus, e de pessoas que andei lendo. Meu filho João, vai fazer dois anos, e minha filha Helena, já tem cinco... Minha vida pessoal e profissional vem passando por um turbilhão de mudanças, e isso é muito legal... Posso dizer com franqueza que estou amando como nunca e, é quando estamos amando que ficamos mais sensíveis e as palavras nos surpreende saltando de nossas cabeças através de nossas mãos. Hoje um dia após as eleições municipais, já antevejo, um processo transformador em andamento... Não! Não estou falando de política... Sim! Sim estou falando de política!!! Estou falando das transformações políticas e sociais em minha vida. Nestes dois anos, acho que fiquei um pouco mais maduro, e com certeza bem mais velho. Aprendi a dirigir, e tomei vergonha na cara e voltei a investir "pragmaticamente" em habilidades profissionais... Estou fazendo um curso intensivo de Inglês e me peguei pesquisando pós graduações. É... As coisas estão em processo de mudança...

Meus caros para iniciar está retomada do Blog "JAM Gestão e Consultoria Social", reproduzo aqui um texto que não é meu, mais creio bastante provocativo de um momento onde os radicalismos ganham outras formas e matizes, e acreditem ou não o vivemos aqui em nosso dia a dia. Precisamos sim, parar e repensar que pessoas queremos ser... Que exemplos queremos dar para nossos filhos!

Abraços a todos e todas e boa leitura!
José Adriano Marinho
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Os muçulmanos querem saber por que, em muitos países, insultar o profeta Maomé significa liberdade de expressão, mas vilipendiar judeus e negar o Holocausto não é.
(Jornal o Estado de São. Paulo de 07 de outubro de 2012.)

Por WILLIAM SALETAN - PESQUISADOR DA CENTURY FOUNDATION

Os judeus exercem excessiva influência sobre a política externa americana. Os gays são muito promíscuos. Os muçulmanos cometem muitos atos terroristas. Os negros praticam muitos crimes. Cada uma dessas afirmações é mal formulada. Todas elas, de uma maneira tosca, referem-se a um problema ou a uma preocupação real. E cada uma viola as leis contra o discurso de ódio. Em grande parte do que chamamos mundo livre, só pelo fato de escrever este parágrafo, eu poderia ser preso.

Libertários, conservadores culturais e racistas há anos se queixam dessas leis. Hoje, porém, o problema é global. Os governos islâmicos, enfurecidos com um vídeo contra os muçulmanos que provocou protestos e distúrbios em seus países, exigem saber por que insultar o profeta Maomé significa liberdade de expressão, mas vilipendiar os judeus e negar o Holocausto não é. E não temos uma boa resposta para isso.

Se vamos pregar a liberdade de expressão em todo o mundo, temos de praticá-la. E anular nossas leis contra o discurso de ódio. Os líderes muçulmanos querem que ampliemos essas leis. Na Assembleia-Geral da ONU, eles fizeram pressão para tornar mais drástica a censura. O presidente do Egito declarou que a liberdade de expressão não deve incluir o discurso "usado para incitar o ódio" ou "dirigido a uma religião específica".

O presidente do Paquistão insistiu que "a comunidade internacional qualifique como crime atos que colocam em risco a segurança mundial pelo abuso da liberdade de expressão". O presidente do Iêmen exigiu uma "legislação internacional" para pôr fim ao discurso que "renega as crenças de nações e calunia seus ícones". O secretário-geral da Liga Árabe propôs um "sistema legal internacional" que vincule todos os países, destinado a "criminalizar o prejuízo psicológico e espiritual" causado por expressões que "insultam as crenças, a cultura e a civilização de outros".

O presidente Barack Obama, embora condenando o vídeo, reagiu a essas propostas com uma defesa tenaz da livre expressão. A presidente da Suíça concordou, ao afirmar que "a liberdade de opinião e de expressão são valores fundamentais garantidos universalmente que devem ser protegidos". O debate entre Ocidente e Oriente, entre respeito e pluralismo, não é uma crise. É uma etapa do progresso global. A Primavera Árabe libertou centenas de milhões de muçulmanos do atraso político da ditadura. Eles estão assumindo a responsabilidade de se governar e de se relacionar com outros países. Estão debatendo e nos contestando. E devem, porque somos hipócritas.

Do Paquistão ao Irã, até a Arábia Saudita, Egito, Nigéria e Grã-Bretanha, os muçulmanos escarnecem da nossa retórica sobre liberdade de expressão. Apontam para as leis europeias que proíbem questionar o Holocausto. Na rede CNN, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, alfinetou o entrevistador Piers Morgan, ao questionar: "Por que na Europa é proibido realizar qualquer pesquisa sobre esse fato? Você acredita na liberdade de pensamento e de ideias ou não?".

Na terça-feira o embaixador do Paquistão na ONU afirmou ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas: "Estamos conscientes do fato de que existem leis na Europa e em outros países que estabelecem restrições, por exemplo, ao discurso antissemita, à negação do Holocausto ou à difamação racial. Temos de reconhecer que a islamofobia e a discriminação religiosa são formas de racismo e devem ser tratadas como tal. Caso contrário, esse será um exemplo de uma política de dois pesos e duas medidas. A islamofobia precisa ser tratada na lei e na prática de maneira similar ao antissemitismo".

Ele está certo. Leis aprovadas na Europa proíbem qualquer expressão que "reduza a importância", "banalize" ou "coloque em dúvida" os crimes nazistas. Hungria, Polônia e República Checa estenderam essa proibição para as atrocidades comunistas. Essas leis estabelecem penas de até cinco anos de prisão. A Alemanha acrescentou mais dois anos para quem "desdenhar da memória de uma pessoa falecida".

As leis que tratam do discurso de ódio vão além. A Alemanha pune qualquer pessoa acusada de "insultar" ou "difamar segmentos da população". A Holanda proíbe "ofender um grupo de pessoas em razão de raça, religião, crença, orientação sexual ou deficiência mental, psicológica ou física". É ilegal "insultar" esses grupos na França ou "difamá-los", em Portugal, "denegri-los", na Dinamarca, e "mostrar desdém" por eles, na Suécia. Na Suíça, é ilegal "rebaixá-los" com um "gesto".

O Canadá pune quem "intencionalmente promove o ódio". A Grã-Bretanha proíbe "palavras ou comportamento insultuosos" decorrentes do "ódio racial". A Romênia proíbe a posse de "símbolos" xenofóbicos. O que essas leis produziram?

Examine as condenações mantidas ou aceitas pela Corte Europeia de Direitos Humanos. Quatro suecos que distribuíam folhetos que qualificavam a homossexualidade de "perversão" e "moralmente destrutiva". Um britânico que expôs na sua janela um pôster de 11 de Setembro proclamando "Islã fora da Grã-Bretanha". Um francês que escreveu um artigo contestando a tecnologia do gás tóxico num campo de concentração nazista.

Veja os acusados liberados pela corte. Um dinamarquês "acusado de ajudar e incentivar a difusão de comentários racistas" ao produzir um documentário em que três pessoas "fazem comentários abusivos e pejorativos sobre imigrantes e grupos étnicos". Um homem "acusado de incitar a população a odiar", na Turquia, "criticando princípios democráticos e seculares e exigindo a introdução da lei islâmica". Um turco "acusado de difundir propaganda" e "criticar a intervenção dos EUA no Iraque e o confinamento em solitária do líder de uma organização terrorista". Dois franceses que escreveram um artigo num jornal "descrevendo o marechal Pétain de modo favorável, ocultando sua colaboração com o regime nazista".

Além desses, você encontrará outros processos. Um pastor sueco acusado de violar leis que interditam o discurso do ódio em suas pregações contra a homossexualidade. Um sérvio acusado de discriminação por afirmar que "somos contra qualquer reunião de homossexuais nas ruas de Belgrado".

A história que mais me agrada é a de um francês, que usou o artigo 10.º da Convenção Europeia de Direitos Humanos para se defender. Denis Leroy é cartunista. Uma das suas caricaturas representando o ataque ao World Trade Center foi publicada num semanário basco, com o título "Todos nós sonhamos com isto... O Hamas realizou". Condenado a pagar uma multa por "aprovação do terrorismo", Leroy afirmou que a sua liberdade de expressão tinha sido violada.

O tribunal considerou que, por meio do seu trabalho, ele tinha glorificado a violenta destruição do imperialismo americano, manifestado apoio moral aos que cometeram os ataques de 11 de Setembro, comentando e aprovando a violência contra milhares de cidadãos e depreciado a dignidade das vítimas.

Apesar da circulação limitada do jornal, o tribunal observou que a publicação da charge provocou uma reação pública capaz de incitar a violência e teve impacto sobre a ordem pública no País Basco. A corte decidiu que não houve violação do artigo 10.º.

Como podemos justificar ações como essas e, ao mesmo tempo, defender cartunistas e produtores de vídeos que ridicularizam Maomé? Ou censuramos ambos ou nenhum dos dois. Podendo optar, eu me coloco ao lado de Obama. "Os esforços para restringir a liberdade de expressão", alertou o presidente nas Nações Unidas, "podem rapidamente se tornar instrumentos para silenciar os críticos e as minorias oprimidas".

Esse princípio, confirmado pelos registros espantosos de processos envolvendo violações de leis contrárias ao discurso de ódio, deve ser defendido. No entanto, primeiro, precisamos estar à altura dele.
TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

E agora é o 3o. TURNO

Por Roberto Rodrigues de Andrade Junior
Presidente do Conselho Municipal de Assistência Social  de Santo André -SP (2010/2011)



Começa agora a parte mais difícil das eleições, realizarem o que foi prometido em campanha. Porém cabe a cada um de nós ficarmos atento e cobrar com tamanha energia quanto foi na campanha, seja lá de que lado estava.
Porém temos muitas esperança de mais avanços, pois felizmente a Dilma venceu as eleições, realmente ela poderá ser uma incógnita já que não sabemos bem quem ela é, mas sabemos bem quem seria ele na presidência, que agora não vai precisa mais abandonar o mandato sem terminar quando enjoar da cadeira, como fez depois de brincar de deputado, prefeito e governador.

QUEM GANHOU COM ESSA ELEIÇÃO?

  • Primeiramente o POVO, o mais simples, que melhorou de vida, que nunca pode viver tão bem como agora, de poder comer melhor, ter suas coisas, garantia de emprego, estudar e ver seus filhos(as) estudando e ainda poder sonhar com mais futuro.
  • A DILMA, pois sendo uma ilustre desconhecida se elegeu presidenta da 8ª. Economia do mundo.
  • O LULA, “analfabeto” para alguns, gênio para mim – terminar o mandato com 85% de aceitação em ótimo e bom é coisa inédita na nossa história, aliás, ter quase 90% nesse patamar durante o mandato também, poderíamos dizer que é pra poucos? Não, até agora temos que dizer que é só pra ele, ninguém até agora. E tão importante quanto isso é ser assim respeitado no mundo todo, parabéns presidente, continue assim “ analfabeto”, alias depois dele deveria ser pré-requisito pra ser presidente, já que seus antecessores eram todos bem “alfabetizados” e vejam o buraco onde nos levaram..
  • O BRASIL  que vai poder continuar crescendo também para os menores.
  • OS RICOS, segundo o próprio presidente, nunca ganharam tanto como agora.
  • A CAMPANHA POLÍTICA, já que as baixarias mentirosas e difamatórias do PSDB não conseguiram vencer a esperança, alias a realidade. ( embora em muitos momentos o PT não fez a campanha dos sonhos, também não subiu muito o nível dela).

QUEM PERDEU COM ESSA ELEIÇÃO ?

  • POUCA GENTE, já que ela vai ser presidenta de todos(as).
  • SERRA, que no fundo não é tão mal, mas que está com partidos errados, baixou demais a campanha e sai reduzido com dela.
  • OS ATORES E ATRIZES que agora ganham à concorrência do Serra como ator no papel fraquinho de goleiro Rojas ( chileno), que cena patética aquela do Rojas e agora pior do Serra.
  • A GLOBO que representa o atraso dos MCS que não entende seu papel de comunicação e se colocam ( como sempre) do lado de oligarquias escusas de poder pra meia dúzia de privilegiados.
  • Infelizmente a NOSSA IGREJA,  que por conta de algumas pessoas que  só não racharam a instituição porque a Igreja é maior que eles, mas que dividiram ainda mais suas fileiras, alguns que só sabem o que é o poder ditatorial que decide por todos(as) e que impede aos leigos(as) e fiéis o papel de pensantes na suas vidas e no Reino de Deus. Com quem será que aprenderam agir assim? Com Deus não foi...
  • O PSDB, que igual ao PFL, ARENA tende a sumir do cenário político, vão ter que se mexer muito para não implodir  o partido, ou talvez mudar de nome com fez o DEM.
  • MEIA DÚZIA de pessoas das altas classes que não se conformam que muitas vidas sejam resgatadas, valorizadas e elevadas da sobrevida e mendicância condenada por eles.

Parabéns a todos(as) que votaram na Dilma e também no Serra, agora vamos continuar trabalhando por um Brasil melhor, com condições de vida e vida em abundancia para todos(as). Se ela não é a presidenta do sonhos que seja uma boa presidenta da realidade. Passada a campanha vamos novamente nos juntar, somos todos brasileiros(as), ..."somos todos iguais, braços dados ou não.... vem vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora não espera acontecer"...

Abraços
Roberto

Fotos do site terra.com.br

A imprensa perdeu



Por Luciano Martins Costa em 1/11/2010
Comentário para o programa radiofônico do OI, 1/11/2010



Os principais jornais do país anunciam a vitória da candidata petista Dilma Rousseff como a última obra do presidente Lula da Silva.
Estado de S.Paulo é o mais explícito: "A vitória de Lula", diz a manchete. O Globo se arrisca em adivinhações: "Lula elege Dilma e aliados já articulam sua volta em 2014", diz o jornal carioca. A intenção é claramente minimizar o cacife político da presidente eleita. Já a Folha de S.Paulo destaca o fato de o Brasil ter escolhido a primeira mulher "e primeira ex-guerrilheira" para a Presidência da República.
Lendo as edições do domingo e de segunda-feira (1/11), alguém que estivesse desembarcando no Brasil depois de três meses de viagem nem chegaria a desconfiar que a imprensa havia sido, até a véspera, protagonista das mais ativas na campanha eleitoral.
Desejo manifesto
Os jornais inauguram a semana pós-eleitoral com cara de jornais, não dos panfletos em que se transformaram nos últimos meses. Cada um conforme seus recursos, os diários tentam interpretar a vontade das urnas e adivinhar o que virá a ser o futuro governo. No entanto, alguns pontos em comum podem ser ressaltados.
A chamada grande imprensa procura afirmar que a oposição, apesar de derrotada na eleição principal, cresceu em número de eleitores, mesmo perdendo na maioria dos estados. A maioria feita pela candidata governista no Congresso Nacional seria equilibrada pela eleição de governadores oposicionistas nos estados mais populosos, segundo interpretam os jornais.
Como sempre, o viés ideológico direciona as escolhas da imprensa, que perdeu a disposição para arriscar opiniões fora da sua própria caixinha de convicções. Basta lembrar como foi a manada de adesões ao governo central nas duas eleições do presidente Lula da Silva para colocar em dúvida as afirmações dos jornais sobre a suposta solidez do bloco oposicionista.
Com o histórico do adesismo que marca a República desde a redemocratização, parece arriscado demais apostar em configurações de forças políticas com base no resultado quente das urnas. No caso, essas análises representam muito mais a manifestação dos desejos da imprensa, de não parecer assim tão derrotada pela realidade da votação, do que a expressão de uma visão realista do resultado eleitoral.
Dissimulando a derrota
Os jornais citam o desgaste que foi produzido nas bases da oposição por conta de divergências entre o candidato derrotado José Serra e o senador eleito de Minas Gerais Aécio Neves, considerado por analistas do próprio PSDB como o grande trunfo desperdiçado pela campanha oposicionista.
Sobram indícios de que os dois personagens criaram um fosso intransponível entre si, e que daqui para frente a consolidação da carreira de Aécio Neves implica a diminuição do papel a ser exercido por Serra.
Some-se a isso o fato de que Serra também tem divergências com o governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin, para se construir uma análise muito menos animadora sobre o seu futuro como líder da oposição. Além disso, ainda resta dentro do armário o esqueleto do suposto dossiê que teria sido montado no período da escolha do candidato do PSDB, e que teve como objetos de bisbilhotices pessoas ligadas a José Serra.
Serra perdeu em Minas Gerais e ninguém sabe quanto desses votos foram para a candidata oposicionista como vingança dos mineiros pela maneira como ele passou por cima das ambições políticas de Aécio Neves.
A imprensa também destaca que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, anda fazendo planos para se descolar de seus padrinhos políticos e prepara o lançamento de um novo partido, montado com os restos da liderança do peemedebista Orestes Quércia no estado.
Assim, em poucas linhas, pode-se observar que os principais jornais do país, que tiveram praticamente todo o final de semana para preparar suas análises pós-eleitorais, perderam a oportunidade de surpreender o eleitor explorando as amplas possibilidades que se armam nas relações políticas com a vitória de uma candidata que nunca havia disputado uma eleição, cuja biografia tinha tudo para reduzir suas chances de vitória – dado o conhecido conservadorismo da imprensa e de grande parte do eleitorado – e que foi vítima de uma campanha sórdida e preconceituosa.
Não há como dissimular o papel da imprensa tradicional no jogo sujo que termina. Também fica difícil disfarçar o ressentimento da imprensa com o resultado das urnas. Não há análise, por mais que se pretenda distanciada, que esconda o fato de que a imprensa tradicional foi fragorosamente derrotada nestas eleições.

domingo, 12 de setembro de 2010

O ATAQUE DOS PÁSSAROS



SUZANA SINGER

ombudsman@uol.com.br @folha_ombudsman


A manchete de domingo desencadeou uma onda anti-Folha no Twitter, que o jornal ignorou

A Folha vem se dedicando a revirar vida e obra de Dilma Rousseff. Foi à Bulgária conversar com parentes que nem a candidata conhece, levantou a fase brizolista da ex-ministra, suas convicções teóricas e até uma loja do tipo R$ 1,99 que ela teve com uma parente no Sul. Tudo isso faz sentido, já que Dilma pode se tornar presidente do Brasil já no primeiro escrutínio que disputa.Mas, no domingo passado, o jornal avançou o sinal ao colocar na manchete "Consumidor de luz pagou R$ 1 bi por falha de Dilma". O problema nem era a reportagem, que questionava a falta de iniciativa do Ministério de Minas e Energia para mudar uma lei que acabava por beneficiar com isenção na conta de luz quem não precisava.Colocar uma lupa nas gestões da candidata do governo é uma excelente iniciativa, mas dar tamanho destaque a um assunto como este não se justifica jornalisticamente.Foi iniciativa de Dilma criar a tal Tarifa Social? Não, foi instituída no governo Fernando Henrique Cardoso. É fácil mexer com um benefício social? Não, o argumento de que faltava um cadastro de pobres que permitisse identificar apenas os que mereciam a benesse faz muito sentido. Existe alguma suspeita de desvio de verbas? Nada indica.O lide da reportagem dava um peso indevido ao que se tinha apurado. Dizia que a propaganda eleitoral apresenta a candidata do PT como uma "eficiente gestora", mas que "um erro coloca em xeque essa imagem". Essa tem que ser uma conclusão do leitor, não do jornalista.Uma manchete forçada como a da conta de luz, somada a todo o noticiário sobre o escândalo da Receita, desequilibrou a cobertura eleitoral. Dilma está bem à frente nas pesquisas de intenção de voto e isso é suficiente para que se dê mais atenção a ela do que a seu concorrente, mas, há dias, José Serra só aparece na Folha para fazer "denúncias".Nada sobre seu governo recente em São Paulo. Nada sobre promessas inatingíveis, por exemplo.Os leitores perceberam a assimetria. Durante a semana, foram 194 mensagens à ombudsman protestando contra o noticiário, mas o maior ataque ocorreu no Twitter, a rede social simbolizada por um pássaro azul, que reúne pessoas dispostas a dizerem o que pensam em 140 caracteres. Até quinta-feira passada, tinham sido postadas mais de 45 mil mensagens anti-Folha.

CRIATIVIDADE
Os internautas inventaram manchetes absurdas sobre a candidata de Lula: "Empresa de Dilma forneceu a antena para o iPhone 4", "Dilma disse para Paulo Coelho, há 20 anos: continue a escrever, rapaz, você tem talento!", "Serra lamenta: a Dilma me indicou o Xampu Esperança" e "Errar é humano. Colocar a culpa na Dilma está no Manual de Redação da Folha". O movimento batizado de #Dilmafactsbyfolha virou um dos assuntos mais populares ("trending topics") do Twitter em todo o mundo, impulsionado, em parte, pela militância política -segundo levantamento da Bites, empresa de consultoria de planejamento estratégico em redes sociais, 11 mil tuítes usaram um #ondavermelha, respondendo a um chamamento da campanha do PT na rede. Até o candidato a governador Aloizio Mercadante elogiou quem engrossou o coro contra o jornal.Mas é um erro pensar que apenas zumbis petistas incitados por lideranças botaram fogo no Twitter. O partido não chegou a esse nível de competência computacional.Na manada anti-Folha, havia muito leitor indignado, gente que não queria perder a piada, além de velhos ressentidos com o jornal.Não dá para desprezar essa reação e a Folha
fez isso. Não respondeu aos internautas no Twitter e não noticiou o fenômeno. O "Cala Boca Galvão" durante a Copa virou notícia. No primeiro debate eleitoral on-line, feito por Folha/UOL em agosto, publicou-se com orgulho que o evento tinha sido um "trending topic". Não dá para olhar para as redes sociais apenas quando interessa. A Folha deveria retomar o equilíbrio na sua cobertura eleitoral e abrir espaço para vozes dissonantes. O apartidarismo -e não ter medo de crítica- sempre foram características preciosas deste jornal.

Suzana Singer é a ombudsman da Folha desde 24 de abril de 2010. O ombudsman tem mandato de um ano, renovável por mais dois. Não pode ser demitido durante o exercício da função e tem estabilidade por seis meses após deixá-la. Suas atribuições são criticar o jornal sob a perspectiva dos leitores, recebendo e verificando suas reclamações, e comentar, aos domingos, o noticiário dos meios de comunicação.


Fonte: http://blogln.ning.com/profiles/blogs/o-ataque-dos-passaros

Direito de Resposta...

Erenice rebate reportagem e põe sigilos à disposição

A ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, divulgou nota neste sábado (11/09) rebatendo as informações divulgadas pela revista Veja e informa que estão à disposição seu sigilo fiscal, bancário e telefônico, assim como o de seus familiares. De acordo com a reportagem, ela montou no Palácio do Planalto uma central de lobby por meio da empresa de consultoria de seu filho, Israel Guerra, que cobrava de empresários interessados em fazer negócios com o governo uma taxa de propina de 6%.

A revista afirma que o empresário paulistano Fábio Baracat, que teria realizado um desses negócios, encontrou-se com Erenice quatro vezes para fechar um negócio de transporte aéreo com os Correios.

Ele afirmou à revista que a ministra pediu propina para "saldar compromissos políticos". Segundo Erenice, a matéria é "caluniosa". Abaixo, a íntegra da nota:

"Sobre a matéria caluniosa da revista VEJA, buscando atingir-me em minha honra, bem como envolver familiares meus, cumpre-me informar:

1) Procurados pelo repórter autor das aleivosias, fornecemos - tanto eu quanto os meus familiares - as respostas cabíveis a cada uma de suas interrogações. De nada adiantou nosso procedimento transparente e ético, já que tais esclarecimentos foram, levianamente, desconhecidos;

2) Sinto-me atacada em minha honra pessoal e ultrajada pelas mentiras publicadas sem a menor base em provas ou em sustentação na verdade dos fatos, cabendo-me tomar medidas judiciais para a reparação necessária. E assim o farei. Não permitirei que a revista VEJA, contumaz no enxovalho da honra alheia, o faça comigo sem que seja acionada tanto por DANOS MORAIS quanto para que me garanta o DIREITO DE RESPOSTA;

3) Como servidora pública sinto-me na obrigação, desde já, de colocar meus sigilos fiscal, bancário e telefônico, bem como o de TODOS os integrantes de minha família, à disposição das autoridades competentes para eventuais apurações que julgarem necessárias para o esclarecimento dos fatos;

4) Lamento, por fim, que o processo eleitoral, no qual a citada revista está envolvida da forma mais virulenta e menos ética possível, propicie esse tipo de comportamento e a utilização de expediente como esse, em que se publica ataque à honra alheia travestido de material jornalístico sem que se veicule a resposta dos ofendidos.

Brasília, 11 de setembro de 2010.
Erenice Guerra
Ministra-Chefe da Casa Civil da Presidência da República." (AE)


Fonte: http://www.reporterdiario.com/site/noticia.php?id=207382&secao=2



O Tesão dos Velhos


O Brasil, como vários outros países do mundo, tem menos jovens; mas os velhos estão mais jovens


Gilberto Dimenstein

É com ânimo de adolescente que o arquiteto Jaime Lerner fala sobre sua experiência de produzir o menor carro do mundo, a ser apresentado nesta semana durante uma feira de design. A ideia é que o microautomóvel não seja vendido a particulares, mas fique em diversos estacionamentos da cidade, para ser alugado por hora, ajudando a aliviar o trânsito. "O carro só tem um problema: eu quase não consigo entrar nele", brinca com seu peso.
Rapidamente muda de assunto: fala das experiências de inovação urbana que o fazem viajar sem parar pelo mundo. Conta que um dos seus projetos, já desenhado, é criar o maior parque linear do mundo, em cima da linha de trem que passa na cidade de São Paulo. "Isso redefiniria o conceito de periferia."
A conversa ruma para questões pessoais e eu lhe pergunto se está namorando. Jaime, viúvo, diz que não vai encontrar ninguém que substitua Fani, sua falecida mulher. Nem se mostra disposto a morar com mais ninguém. Namorar pode ser. "Desde que não me chateie."
Escolhi Jaime, 73 anos, para abrir a coluna de hoje por causa de uma informação divulgada pelo IBGE na semana passada: cresce aceleradamente a faixa etária dos mais velhos. Em apenas um ano, de 2008 a 2009, foram mais 697 mil pessoas -quase a quantidade da redução que houve entre os jovens até os 24 anos de idade.
Estamos vivendo uma redefinição da velhice, uma redefinição acentuada nesta sucessão presidencial.
O Brasil -assim como vários outros países do mundo- está com menos jovens, mas os velhos, de modo geral, estão mais jovens.
Uma prova disso foi uma campanha publicitária lançada na semana passada na Inglaterra depois da descoberta de que as doenças venéreas estão crescendo especialmente entre os homens com mais de 65 anos de idade. Em sua maioria, eles imaginam que esse tipo de doença é coisa de adolescente e que, portanto, estariam imunes a elas, já que, com mais experiência, saberiam escolher melhor as parceiras.
Por trás disso, segundo os responsáveis pela campanha, estão o aumento da expectativa de vida e o crescimento do número de divórcios, além, é claro, dos novos medicamentos e tratamentos para cuidar da saúde, no geral, e da disfunção erétil, em particular.
Principal personagem desta sucessão presidencial, Lula, 65 anos, é visto muito menos como ex-presidente do que como candidato na próxima eleição, quando já terá quase 70 anos. Ninguém vê problema nisso.
Assim como se especula que, caso saia mesmo derrotado, como reforçou a pesquisa Datafolha divulgada ontem, José Serra talvez dispute a prefeitura paulistana aos 70 anos. Muita gente dentro do PSDB lista uma série de razões para o ex-governador não sair candidato, mas idade não aparece entre elas.
Há um time de brasileiros que vai, aos poucos, redefinindo o que significa ser velho. É gente como Silvio Santos, Hebe Camargo, Jô Soares, Fernando Henrique Cardoso, Boni, Chico Buarque, Caetano, Gil, Niemeyer, Adib Jatene.
De alguma forma, eles se comportam, na sua inventividade, como educadores e ajudam a quebrar o preconceito de que ser velho é apenas esperar a morte.
Uma pesquisa realizada pelo Datafolha sobre a terceira idade mostrou que um terço dos brasileiros com mais 60 anos admite ter depressão. Nesse grupo, o medo da morte é igual ao de ficar doente -isso sinaliza como será complicado preparar os sistemas de saúde para atender a essa clientela.
Psiquiatras alertam sobre o risco de certos preconceitos acabarem atrapalhando o processo de envelhecimento. É que, além dos problemas naturais da idade, é comum a visão que se tem da vida na terceira idade como um momento sem novidades, previsível, monótono, o que, muitas vezes, aumenta a probabilidade de surgirem doenças físicas e psicológicas. Veja quantos acadêmicos, no auge de sua fertilidade mental, se aposentam da universidade.
Isso significa que tesão pela vida se aprende. Ou se desaprende.
Aprende-se, por exemplo, vendo um Jaime Lerner, cercado de universitários, tão satisfeito quanto desajeitado, espremendo-se para entrar no menor carro do mundo.

PS- Aliás, se o país fosse só de sessentões, a eleição presidencial seria assim: Dilma (44%), Serra (32%), Marina Silva (7%). Coloquei no meu site (
www.dimenstein.com.br) a pesquisa Datafolha sobre idosos.

gdimen@uol.com.br


Fonte: http://sergyovitro.blogspot.com/2010/09/gilberto-dimenstein-o-tesao-dos-velhos.html



O Tesão dos Velhos


O Brasil, como vários outros países do mundo, tem menos jovens; mas os velhos estão mais jovens


Gilberto Dimenstein

É com ânimo de adolescente que o arquiteto Jaime Lerner fala sobre sua experiência de produzir o menor carro do mundo, a ser apresentado nesta semana durante uma feira de design. A ideia é que o microautomóvel não seja vendido a particulares, mas fique em diversos estacionamentos da cidade, para ser alugado por hora, ajudando a aliviar o trânsito. "O carro só tem um problema: eu quase não consigo entrar nele", brinca com seu peso.
Rapidamente muda de assunto: fala das experiências de inovação urbana que o fazem viajar sem parar pelo mundo. Conta que um dos seus projetos, já desenhado, é criar o maior parque linear do mundo, em cima da linha de trem que passa na cidade de São Paulo. "Isso redefiniria o conceito de periferia."
A conversa ruma para questões pessoais e eu lhe pergunto se está namorando. Jaime, viúvo, diz que não vai encontrar ninguém que substitua Fani, sua falecida mulher. Nem se mostra disposto a morar com mais ninguém. Namorar pode ser. "Desde que não me chateie."
Escolhi Jaime, 73 anos, para abrir a coluna de hoje por causa de uma informação divulgada pelo IBGE na semana passada: cresce aceleradamente a faixa etária dos mais velhos. Em apenas um ano, de 2008 a 2009, foram mais 697 mil pessoas -quase a quantidade da redução que houve entre os jovens até os 24 anos de idade.
Estamos vivendo uma redefinição da velhice, uma redefinição acentuada nesta sucessão presidencial.
O Brasil -assim como vários outros países do mundo- está com menos jovens, mas os velhos, de modo geral, estão mais jovens.
Uma prova disso foi uma campanha publicitária lançada na semana passada na Inglaterra depois da descoberta de que as doenças venéreas estão crescendo especialmente entre os homens com mais de 65 anos de idade. Em sua maioria, eles imaginam que esse tipo de doença é coisa de adolescente e que, portanto, estariam imunes a elas, já que, com mais experiência, saberiam escolher melhor as parceiras.
Por trás disso, segundo os responsáveis pela campanha, estão o aumento da expectativa de vida e o crescimento do número de divórcios, além, é claro, dos novos medicamentos e tratamentos para cuidar da saúde, no geral, e da disfunção erétil, em particular.
Principal personagem desta sucessão presidencial, Lula, 65 anos, é visto muito menos como ex-presidente do que como candidato na próxima eleição, quando já terá quase 70 anos. Ninguém vê problema nisso.
Assim como se especula que, caso saia mesmo derrotado, como reforçou a pesquisa Datafolha divulgada ontem, José Serra talvez dispute a prefeitura paulistana aos 70 anos. Muita gente dentro do PSDB lista uma série de razões para o ex-governador não sair candidato, mas idade não aparece entre elas.
Há um time de brasileiros que vai, aos poucos, redefinindo o que significa ser velho. É gente como Silvio Santos, Hebe Camargo, Jô Soares, Fernando Henrique Cardoso, Boni, Chico Buarque, Caetano, Gil, Niemeyer, Adib Jatene.
De alguma forma, eles se comportam, na sua inventividade, como educadores e ajudam a quebrar o preconceito de que ser velho é apenas esperar a morte.
Uma pesquisa realizada pelo Datafolha sobre a terceira idade mostrou que um terço dos brasileiros com mais 60 anos admite ter depressão. Nesse grupo, o medo da morte é igual ao de ficar doente -isso sinaliza como será complicado preparar os sistemas de saúde para atender a essa clientela.
Psiquiatras alertam sobre o risco de certos preconceitos acabarem atrapalhando o processo de envelhecimento. É que, além dos problemas naturais da idade, é comum a visão que se tem da vida na terceira idade como um momento sem novidades, previsível, monótono, o que, muitas vezes, aumenta a probabilidade de surgirem doenças físicas e psicológicas. Veja quantos acadêmicos, no auge de sua fertilidade mental, se aposentam da universidade.
Isso significa que tesão pela vida se aprende. Ou se desaprende.
Aprende-se, por exemplo, vendo um Jaime Lerner, cercado de universitários, tão satisfeito quanto desajeitado, espremendo-se para entrar no menor carro do mundo.

PS- Aliás, se o país fosse só de sessentões, a eleição presidencial seria assim: Dilma (44%), Serra (32%), Marina Silva (7%). Coloquei no meu site (
www.dimenstein.com.br) a pesquisa Datafolha sobre idosos.

gdimen@uol.com.br


Fonte: http://sergyovitro.blogspot.com/2010/09/gilberto-dimenstein-o-tesao-dos-velhos.html



segunda-feira, 6 de setembro de 2010

domingo, 5 de setembro de 2010

A Escolha para dia 03 de Outubro...

José Adriano M C Marinho

Professor na Universidade de Guarulhos

Assistente Social na Prefeitura de Santo André

É notório pelos posts que envio no meu Blog, que tenho com certeza, posição a favor da Política do Governo Lula, e logo sou a favor também de que as conquistas construídas no seu governo permaneçam o maior tempo possível, e claro se consolidem de maneira que as gerações futuras possam usufruir dos desdobramentos dessas políticas. Vivi minha infância e juventude em época que a questão social era benemerência e “boa vontade” de primeiras damas espalhadas pelo país, ou mesmo para uso política transformando as pessoas em gado nos chamados “currais eleitorais”. Hoje temos por conquista popular uma política de Assistência Social como direito do cidadão, fundamentada em lei federal. Esta mesma lei promulgada na constituição de 1988, só foi regulamentada por grande esforço e pressão popular, enfrentando os interesses privatizantes dos governos neo-liberais de Collor à FHC. Governos que comprometidos unicamente com a adequação subserviente do país ao “Consenso de Washington”, aplicaram os processos de abertura econômica de forma desastrosa, expondo a industria e economia interna, a uma competição desigual com os países desenvolvidos e de mercados abertos e saturados. Nosso país durante a ditadura militar que perdurou até 1985, muitas vezes de forma negativa, “protegeu” através de um controle da economia pelo Estado, o mercado interno. O aspecto positivo é a garantia dos empregos nacionais, o que não por mérito da ditadura, levou ao fortalecimento e retomada dos movimentos sindicais. O aspecto negativo é que a proteção interventiva do estado na economia, se deu baseada em dados irreais e com muita corrupção, gerando monopólios e oligopólios, o que por outro lado facilitava a ação de controle do Estado também sobre a vida das pessoas, sobre que podem comer, comprar, ver, ler, ouvir, etc.. Logo a capacidade real de inovação e competitividade se perde completamente. Os interesses das forças econômicas que levaram Collor e FHC ao poder, nunca se importaram com a estrutura econômica do país e tão pouco com a capacidade de adaptação do país a esse “novo capitalismo” mais agressivo. Isso é tão verdade que hoje, olhando a distância, percebe-se que o Collor ficou vendido ao assumir a abertura econômica como proposta de governo, e a faz sem constituir condições para no mínimo proteger as reservas econômicas que possibilitariam autonomia e soberania nacional frente a negociação econômica. Podemos dizer que a abertura feita por Collor criou um desiquilíbrio de maneira acentuada negativamente para o país da balança comercial, causando uma forte evasão de divisas. E hoje na perspectiva de distância que citei, vejo que o “calote sobre as cadernetas de poupança”, foi quase um ato de desespero do então presidente e sua equipe econômica... caso isso não afeta-se os grandes grupos econômicos nacionais que inclusive o apoiavam, ele dificilmente teria sido retirado do poder, e quanto a isso há de desmistificar a “vontade” popular no tema. Já Fernando Henrique, baseado na experiência de Collor, e no papel ainda de Ministro da Economia do Governo Itamar Franco, consegue gerir uma proposta de abertura econômica neo-liberal, que de olho na balança comercial, nivela artificialmente a moeda nacional ao dólar (valor internacional de troca de mercadorias), congela salários (fazendo correções sempre abaixo da inflação), privatiza bens e empresas públicas, com a justificativa da ineficiência dessas empresas, lembrando que estas empresas foram geridas durante 20 anos dentro dos preceitos econômicos protecionistas da ditadura militar, logo de fato, se olhadas na perspectiva do capital eram de fato ineficientes, além de terem a prioridade sob determinadas áreas da economia em detrimento do setor privado (comunicação, geração de energia, siderurgia, bancaria, etc...) tudo foi privatizado. Para manutenção da “estabilidade econômica”, ou seja da balança comercial, nesse caso propiciando a entrada de divisas; o governo FHC ofereceu juros de até 45% ao mês (valor correspondente aos últimos meses de FHC no poder antes das eleições que levaram Lula a substituí-lo). Ou seja, para cada 100 dólares que entravam no país FHC chegou a pagar 45% de juros ao mês!!!! Tudo isso sem lastro, ou seja, o investidor investia no país como se fosse um banco, no momento que outro “banco” oferecesse um juros maior, o investidor simplesmente fazia uma retirada e depositava seu dinheiro com juros no outro “banco”. O lastro seria se houve-se mecanismos fiscais que sobretaxasse o dinheiro em retiradas como e descrita acima, ou caso o investimento incentivado por FHC, fosse na industria e na produção nacional, nesse caso o lastro seria, as dificuldades inerentes aos procedimentos legais para se fechar uma fábrica por exemplo (rescisões de contrato de trabalho, venda de maquinário e imóveis, pagamento de impostos, etc...). Esse dinheiro com lastro tem maior dificuldade para entrar e sair com rapidez de qualquer mercado, no mercado financeiro é conhecido como um investimento de maior risco por ter que lidar com muitas variantes e estar atrelado a um tempo de permanência fora do controle do investidor, diferente do que promoveu FHC com o Plano Real. Na área social, a legislação foi colocada de lado, e os poucos avanços foram possibilitados através de lutas populares e por que mesmo querendo FHC, não tinha como negar o que estava escrito na Constituição Federal. Por outro lado o que pode fazer para protelar, impedir ou não fazer em relação ao social ele fez. Começando com repaginação do papel da Primeira Dama, como promotora da benemerência, através da criação da “Comunidade Solidária”, que se baseava na captação de recursos privados para ações sociais, incentivando a “Responsabilidade Social das Empresas”, ou podemos assim dizer a privatização do Social, pois baseada nas atividades e números pífios da Comunidade Solidária se comparados com as questões sociais enfrentadas; ocorre uma completa ausência do Estado no tema; pontuado por algumas iniciativas descontinuadas e localizadas de transferência de renda em lugares dispares, espalhadas pelo país. É somente, nos últimos oito anos no Governo Lula, que buscando a eficácia e eficiência no uso do dinheiro público o sistema de Bolsas é unificado e se torna o Bolsa Família, e com um processo de controle e sistema de monitoramento, é a cada dia aperfeiçoado. E se busca e constrói a efetividade desse e demais programas, que ganharam dimensões nacionais e transformaram a realidade de milhões de brasileiros por todo o país. Foi nesses oito anos que o SUAS (Sistema Único de Assistência Social) se constitui, e se torna de fato instrumento de garantia de direitos sociais como prevê a Constituição Federal. O Governo Lula, é em muitos aspectos também neo-liberal, por outro lado reconhece e imprime uma postura não subserviente do pais frente as políticas econômicas dos países ditos desenvolvidos, estabelece uma relação que imprime o respeito e o qualifica como mediador independente e aceito internacionalmente pelos outros países. Busca sim investidores internacionais, não apenas através de oferta de juros, hoje de 8% ao ano (altíssima), mais condicionando ao apoio a industria nacional ou a implantação de plantas industriais no território nacional, e mais ainda, não em qualquer parte do território nacional. Esse investimento é dirigido para fora do Eixo Sul/Sudeste, ou seja para o Centro Oeste e especialmente para o Nordeste e Norte do país, regiões historicamente controladas pelo Coronelismo e economicamente atrasadas, que hoje se percebem concorrentes inclusive com estados do Sul e Sudeste.

A exposição superficial das diferenças de fundo do que de fato está em jogo nas eleições deste ano, é um demonstrativo do viés político que é defendido pelos dois candidatos a frente nas pesquisas. Neste fim de semana (04 e 05/09) vi com mais atenção as propagandas eleitorais desses candidatos, e para mim eles demonstram com clareza a analise que fiz. A propaganda de Dilma tratando de suas propostas baseadas no mínimo na continuidade do governo Lula, o qual representa, onde dizia assim: Ele (Lula) veio primeiro, Ela (Dilma) veio depois. tratando de conquistas anteriores ao gov Lula e consolidadas por Ele, mostrando as possibilidades com um Gov Dilma... Em seguida a propaganda do Serra, sem proposta, atacando violentamente o caráter de Dilma e Lula. Se tudo que o candidato José Serra tem para dizer se refere aos “factoides” políticos providencialmente “surgidos” sobre quebra de sigilo, que como cidadão quero que sejam devidamente investigados, fica complicado de se verificar oque de fato em termos de política nacional, economia, desenvolvimento, assistência social, educação e mesmo saúde (afinal de contas “mutirões” não são políticas, no máximo uma ação descontinuada de benemerência assistencialista das primeiras damas) o candidato oferece de novo. José Serra e a reafirmação da subserviência dos anos de FHC, de entrega acrítica de economia nacional para os Bancos Internacionais, dos quais hoje com Lula não somos devedores, e sim credores! Significa a venda irrestrita das reservas do Pré-Sal, do uso de terras destinadas a reforma agrária para o agronegócio; bem como uma nova ausência do Estado na área social, comprometendo as vitórias alcançadas assim como o redirecionamento dos investimentos para o Sul e Sudeste, onde se concentra os grandes grupos apoiadores do PSDB. Dilma por outro lado, trás a possibilidade de ampliação e consolidação de conquistas dos últimos anos, contribuindo com construção de uma identidade nacional, com um brasilidade forte, com um orgulho de ser quem somos, por sermos quem somos, de não querermos nos espelhar no “1º mundo”, que hoje naufraga nos erros de suas políticas econômicas, e em seus ícones ultrapassados de sucesso; mais nos espelhemos em histórias de superação de gente simples, que com o “b” “a” “ba” do dia a dia resolvem seus problemas com criatividade e desenvoltura, que se sentem representadas na imagem do nosso presidente que mesmo em meio a onda neo-liberal fez uma opção clara pelo Brasil e pelos Brasileiros.

Desafios da vida longa

Emílio Odebrecht

Presidente do Conselho de Administração do Grupo Odebrecht


Os países em geral e o Brasil, em particular, já sabem que têm um novo e enorme desafio pela frente. Graças aos avanços tecnológicos e às novas descobertas da medicina, que proporcionam maior precisão nos diagnósticos e tratamentos; à melhoria da qualidade dos alimentos e do meio onde as pessoas vivem e trabalham e a uma nova consciência quanto aos cuidados com a própria saúde estamos caminhando para viver o fenômeno de ter quatro gerações em fase produtiva convivendo simultaneamente. Até agora a convivência foi sempre de três gerações, mas com a elevação da expectativa de vida, vamos inserir a quarta.

A estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS) é de que existem hoje 670 milhões de homens e mulheres com mais de 60 anos no mundo. Em 2050, eles serão 1,97 bilhão, um crescimento de 300%. A expectativa média de vida da humanidade, que era de 50 anos em 1950, saltou para 80 em 2010. No Brasil, onde a expectativa média era de 43 anos em 1945, hoje é de 73. O IBGE já projeta uma inversão no perfil demográfico do País, com mais idosos do que jovens, para logo mais, em 2030, ou seja, daqui a apenas 20 anos.

Esses números dão uma clara dimensão da reflexão necessária e das medidas que já devem ser tomadas por governos, sociedades, empresas e pessoas para que possam enfrentar, na hora certa, o que a nova realidade vai impor.

No âmbito das empresas, por exemplo, o que fazer dos executivos que, depois de terem acumulado um grande saber em suas áreas de atuação, nos processos naturais de renovação têm que dar lugar aos seus sucessores, mesmo estando na plenitude física e mental? Absorver o conhecimento e a capacidade produtiva de tanta gente experiente e saudável é um novo desafio estratégico. Vale lembrar que, em outras civilizações e épocas históricas, os idosos, que não devem ser confundidos com os velhos, eram uma fonte de ensinamentos e guias dos mais jovens.

Este é um tema que precisa fazer parte também das agendas dos vários níveis de governos, de modo que comecemos a elaborar e a executar políticas públicas adequadas ao novo perfil populacional, como adaptar nossas cidades para seus habitantes mais velhos; equacionar o sistema previdenciário para assegurar benefícios decentes a um contingente cada vez mais numeroso de idosos; reciclar e aproveitar-lhes o conhecimento na área educacional, de assistência social etc... Finalmente, a sociedade e as pessoas precisam se preparar para que haja uma convivência saudável, positiva e harmônica entre gerações cujos integrantes estarão em idades distantes e em estágios de capacidade produtiva e de sabedoria muito diferentes.

Fonte:http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=39384

Eleições Criminais

Janio de Freitas


OS FATOS e os não-fatos já mencionados, em torno de dados sigilosos de pessoas ligadas a José Serra, não exigem imparcialidade virtuosa para a percepção de que, até agora, tanto poderiam proceder de um lado como de outro na disputa pela Presidência.

Assim como a petistas seria possível ocorrer a violação e o uso de sigilos para comprometer Serra, aliados de Serra poderiam pensar na montagem de um ardil para incriminar a candidatura de Dilma Rousseff. E, por ora, não se tem indício, com alguma confiabilidade, contra um lado ou outro. O que há, nesse sentido, são preferências infiltradas no noticiário e dando-lhe o tom, ainda que parte delas seja mais por precipitação do que por motivos eleitorais.

A última contribuição desse estranho personagem Antonio Carlos Atella Ferreira, que tanto perde na memória atos inesquecíveis como os recobra com rápida e fácil dubiedade, é ilustrativa do momento indefinido. “Vou fazer a vida com essa historinha”, lema que expôs logo ao ser identificado como parte do embrulho, é uma proclamação de caráter e intenções, para não dizer de objetivo de vida. A curiosidade se oferece: ainda não fez a vida?

A filiação de Atella ao PT traz para o caso mais uma peça amorfa, sujeita a questionamento: a Justiça Eleitoral. Como é possível que só seis anos depois da filiação o Tribunal Regional Eleitoral-SP a tenha “excluído” por incorreção no registro?

No intervalo 2003-2009, houve eleições para prefeito, governo do Estado, presidente da República e ainda para vereadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores. Em São Paulo, a maior concentração da Justiça Eleitoral no país não sabia quais filiações partidárias eram corretas ou não? Logo, não seria estranho haver irregulares entre os candidatos e até entre os eleitos.
E quanto a Atella Ferreira, como e por que veio a saber da incorreção, afinal? Descoberta havida em momento tão propício para engrossar o caso, dois meses depois da quebra do sigilo de Verônica Serra em que é coautor, com o próprio nome a indicá-lo na fraude. A Justiça Eleitoral deve explicações.

Desde 1982, quando o SNI, o candidato Moreira Franco, integrantes do departamento de jornalismo da Globo e a empresa de informática Proconsult se uniram para fraudar a eleição no Estado do Rio, as eleições brasileiras são terreno de bandidismo eleitoral, do mais ordinário ao mais grave. Todos os episódios provocaram inquéritos de polícias estaduais e da Federal, do Ministério Público, da Justiça Eleitoral e da Justiça Criminal. Nenhum, jamais, levou a alguma das consequências determinadas pelas leis.

Estamos diante de mais um caso. Cercado de suspeições e hipóteses viáveis, em diferentes sentidos. Com toda a certeza, recheado de crimes graves, inclusive contra preceito da Constituição. Mas não há motivo para supor que das várias investigações resultarão as consequências exigidas pelas leis. Eleições, aqui, misturam-se muito com outros propósitos e atividades.

Fonte:http://www.linearclipping.com.br/fecomerciodf/detalhe_noticia.asp?cd_sistema=7&codnot=1300411