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domingo, 7 de março de 2010
Mulher e Poder

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Campus Party 2010

sábado, 13 de fevereiro de 2010
A Situação dos Direitos Humanos da população em situação de rua do centro de São Paulo

1. Contextualização da situação da população de rua
Muitas pessoas ainda insistem em conceituar pessoas em situação de rua como "mendigos", porque pouco se fala sobre esta realidade nos grandes meios de comunicação. O termo "mendigo" sugere soluções assistencialistas, e quem conhece a realidade das vidas das pessoas em situação de rua não aceita este conceito.
Segundo estudo realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (Fipe-USP), intitulado "Estimativa do Número de Pessoas em Situação de Rua da Cidade de São Paulo em 2003", a cidade contava com cerca de 10.400 pessoas morando nas ruas (foram consideradas também as populações presentes nos albergues). É importante ressaltar que tudo leva a crer que este número vem aumentando nas últimas décadas. Um levantamento realizado pela prefeitura de São Paulo em maio de 1991 nas administrações regionais mais centrais (Sé, Lapa, Pinheiros, Mooca, Penha, Ipiranga, Vila Mariana e Santana, que concentram a maior parte da população de rua) identificou 3.392 pessoas em 329 pontos de pernoite.
A pesquisa da FIPE de 2003 mostra também que a maioria deste segmento é composta por homens cerca de 87% frente a uma proporção de 13% de mulheres, parcela que sofre mais ainda com as condições de vida na rua. A maior parte desta população encontra-se em idade economicamente ativa (18 a 55 anos) e em idade madura (26 a 55 anos), como se vê na tabela abaixo. Nota-se, porém, que há uma proporção significativa de grupos etários mais vulneráveis, como crianças e adolescentes (3%) e idosos (cerca de 14%).
Como se sabe, a população de rua se abriga em logradouros, mocós, casarões abandonados, postos de gasolina, cemitérios, carrinhos de catar papelão e outras formas improvisadas de dormida.
Quem vive nessa situação passou pelo rompimento de vínculos familiares e afetivos, pelo desemprego, pela migração na busca de sobrevivência, numa seqüência de perdas que acaba impedindo ou dificultando sua reintegração à sociedade.
Depoimento do Padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo de Rua: "É dramático ver isso. A força de trabalho, gente trabalhadora, simples também, que são lutadores, executando uma obra que é o símbolo do higienismo, da intolerância, da falta de política pública, da falta de assistência social, da falta de sensibilidade humana".
A vida na rua leva ao esquecimento da identidade, ao anonimato, à solidão e à vulnerabilidade quanto à dependência química, que acaba por se agravar por falta de atendimento público especializado para essas pessoas, principalmente em relação à saúde mental e ao envolvimento com álcool e outras drogas.
Se a implementação da Política de Atenção à População de Rua encontrou obstáculos na gestão da prefeita Marta Suplicy (2001-2004), a atual gestão de Serra-Kassab não a vê com interesse e prioridade.
Diversas iniciativas no centro da cidade de São Paulo, como as operações de limpeza nos bairros da Luz e do Glicério e as ações de repressão ao comércio ambulante, acabam por afetar a população em situação de rua. A Guarda Civil Metropolitana, que também age contra as pessoas abrigadas nos locais das operações, tem superado os limites do que deveria constituir-se numa "abordagem social" do problema.
Outras ações do governo municipal, como a construção das rampas de concreto na confluência das avenidas Doutor Arnaldo e Paulista, bem como muros de alvenaria vedando os baixos de viadutos, são tocadas sem atendimento à Política Municipal de Atenção à População de Rua. Neste sentido, observa-se que as pessoas são expulsas de seus "abrigos" e vão se "abrigar" no outro lado da avenida até que nova rampa seja construída.
Entre outras ações, a atual gestão municipal também pretende "descentralizar" o atendimento à população de rua, trabalhando na perspectiva de fechar equipamentos e albergues nos bairros centrais e abrir outros nas periferias, demonstrando coerência com um projeto de substituição de classes sociais, contrariando o direito à cidade e à função social da cidade.(1)
(1) Referência à Carta Mundial pelo Direito à Cidade, que vem sendo discutida e pactuada em diversos países do mundo, e ao Estatuto da Cidade (Lei Federal 10.257/2001).
(leia o texto completo em: http://docs.google.com/fileview?id=0B3bEuXYCJPTeNTdjZTI4MjctNzgwZC00MDM1LWI4OWQtMTIzNzJhZGM2Mjk1&hl=pt_BR)
Trabalho e População Em Situação de Rua no Brasil


Ausência de moradia e abandono são uma constante na vida das grandes cidades, a junção destes dois termos em uma unica frase trás a tona uma das mais debatidas e trabalhadas questões sociais do Serviço Social, "A situação dos Moradores de Rua". Maria Lucia Lopes da Silva é assistente social, mestre e doutoranda em política social e lançou em julho de 2009 seu livro, Trabalho e População Em Situação de Rua no Brasil, pela Editora Cortez. A autora analisa dez anos de transformação nas relações de trabalho e entende a pobreza como um fenômeno social inerente ao sistema político-econômico vigente. Com larga experiência do tema ela viajou o Brasil promovendo debates com a população em situação de rua, ouvindo suas reivindicações e estudando alternativas. Confira a entrevista ao Portal Setor3 que reproduzimos a seguir (essas e outras entrevistas visite o site www.setor3.com.br).
Portal Setor3: Você diz em seu livro que o mercado de trabalho sofreu profundas transformações a partir do final do século passado e que ele ocupou o centro dessas mudanças. Quais foram elas?
Maria Lucia Lopes da Silva: O trabalho é central na organização da sociedade. No capitalismo avançado a relação capital-trabalho sempre foi determinante de outras relações sociais. Do final do século passado para o início deste novo milênio nós percebemos que o trabalho assalariado saiu da rota em que estava tendo universalização de acesso. Depois da década de 1970 o capitalismo entra numa crise, com a elevação do preço do petróleo e uma série de outras condições. O mercado financeiro internacional entrou em colapso e ocorreu uma reordenação dos papéis do Estado, um processo de reestruturação produtiva. Também aconteceu uma supervalorização do capital financeiro em detrimento do capital produtivo. O que eu quero dizer? Que o crescimento econômico e o lucro, ao invés de se darem pela ampliação do número de emprego com a criação de novas fábricas, de novas unidades de produção, na realidade, aconteciam mais por ganhos financeiros, como investimentos em poupanças, bolsas e ações. Esse é um fator que pesa muito nas mudanças do trabalho, porque diminui a oferta de vagas. Os grandes empresários e investidores passaram a não investir mais na ampliação de oportunidades. Ao contrário, eles passaram a ter lucro a partir da “financeirização” do capital.
Portal Setor3: O que foi a reestruturação produtiva?
M.L.L.S.: A reestruturação produtiva se deu assim: alto investimento em tecnologias avançadas. A microeletrônica passou a ter importância em todo o processo de produção e comercialização. Por exemplo, todo o serviço de vigilância passa a ser feito por câmeras, ao invés de ser feito por trabalhadores. Surgiu a robótica, a informática e passamos a ter comercialização via internet, telefone, diminuindo os postos de trabalho. Além disso, o Estado passou a diminuir a sua intervenção na economia. Antes esse ator era responsável pela produção de bens e serviços, como escola, energia elétrica, mas ocorreu o processo de privatização das empresas. No Brasil, por exemplo, a telefonia toda foi privatizada, como o caso da Vale do Rio Doce. Com isso o Estado diminuiu também o seu poder de oferecer vagas e bens e serviços importantes. Essas mudanças de função desse ator, associada à reestruturação produtiva, deixa uma massa excludente do mercado de trabalho.
Portal Setor3: Isso você chama de superpopulação relativa?
M.L.L.S.: É.
Portal Setor3: Posso dizer que essa nova crise financeira traz uma nova reestruturação produtiva, na medida em que se observa uma tendência maior de terceirização do trabalho?
M.L.L.S.: Não. O que a gente pode dizer é o seguinte: a reestruturação produtiva, que ocorreu no final da década passada, veio associada a uma valorização do capital financeiro. Essa atual crise irá impactar mais o capital produtivo e aprofundar o desemprego. É uma tendência. Com isso teremos outros tipos de trabalho, que passaram a surgir sem proteção social, sem vínculo duradouro, sem direitos. Cresceu o mercado informal. Tem que se pensar numa nova forma de envolver essas pessoas. Enquanto isso a população excluída aumenta e os problemas surgem.
Portal Setor3: Essa superpopulação relativa, então, seriam as pessoas que não se enquadram nessa nova relação?
M.L.L.S.: É. São as pessoas que têm condições de trabalhar, mas que não têm oportunidade. Por exemplo, a indústria têxtil fechou muitas fábricas aqui no Brasil, sobretudo na região sul. Aquelas pessoas que estavam trabalhando na indústria têxtil ficaram sem espaço. Muitas tinham um tipo de especialização, como os alfaiates que ficaram a mercê de uma nova vaga que não aparece. Mesmo se requalificando, a concorrência está sendo cada vez maior. Aumenta o desemprego. Essas mudanças todas provocaram o aprofundamento da pobreza, das desigualdades, a concentração de renda, direcionando para uma situação caótica. A partir daí, foi surgindo o fenômeno da população em situação de rua.
Portal Setor3: Você fala em seu livro que a presença dessa população se tornou mais expressiva nos últimos tempos. Isso porque ela cresceu ou porque se organizou em movimentos como o Movimento Nacional da População de Rua (MNPR) e começou a incomodar a classe média e a sociedade em geral?
M.L.L.S.: Na realidade ela começou a ser mais expressiva porque se expandiu.
Portal Setor3: Como você constatou essa expansão?
M.L.L.S.: Quando ela começa a crescer, os governantes e a população, de um modo geral, percebem, porque ela está no meio da rua. Essa presença começou a provocar uma reação dos governos, que fizeram pesquisas e começaram a contar. Nesses cálculos, eles levantaram alguns fatores. Um deles era o tempo que as pessoas estavam nas ruas. Nos estudos realizados no final da década de 1990, a grande maioria possuía até um ano nessa situação. Atualmente está crescendo o número de pessoas com mais de cinco anos. Isso mostra que aquele foi o momento que o fenômeno se expandiu. Analisei oito censos, entre 1995 e 2005, e comparei com outro feito em 71 cidades do Brasil, nos anos de 2007 e 2008, confirmando todo o levantamento que estava fazendo e, portanto, a grande explosão do fenômeno. Ao mesmo tempo, as pessoas em situação de rua começaram a reagir a partir da articulação de algumas entidades. Isso fez com que se transformasse numa expressão da questão social, que chama atenção. São os dois fatores juntos: a expansão e a forma de se manifestar na sociedade.
Portal Setor3: Além da subsistência, qual é ou deveria ser a função do trabalho na vida das pessoas?
M.L.L.S.: O trabalho cumpre dois papéis fundamentais. Um é de garantia da subsistência e o outro é o de trazer prazer, a vontade de viver. A pessoa vai se sentindo útil, na medida em que contribui com a produção de bens e de relações importantes para a sociedade. Eu parto da avaliação de que o trabalho tem um sentido de ser útil e de possuir um valor. O que eu quero dizer é que como atividade técnica, caracterizada como trabalho, é uma coisa que todos nós desenvolvemos na transformação de objetos que são úteis. Isso faz com que a gente se sinta valorizado, nos dá prazer. É quando a gente consegue desenvolver nossas habilidades e aplicá-las. O trabalho também propicia a você criar relações sociais, porque a produção nunca é feita isoladamente. Nunca faço sozinho, sempre preciso de uma cadeia que termina criando as relações. Essas são indispensáveis na vida das pessoas, fundamentais para convivermos em sociedade. Por isso ele é central e determinante das relações sociais. Tudo gira um pouco em torno do trabalho. Os direitos que você passa a ter, o acesso a clubes, lazer. É por isso que ele é o sonho, a esperança e a expectativa de todos, independente da forma de trabalho.
Portal Setor3: Em algum momento histórico, ou sociedade específica, o trabalho foi eleito como função social, considerando mais o prazer, a realização pessoal do que a subsistência?
M.L.L.S.: Não. Na minha análise não consideraria isso, mas acredito que esse é o grande objetivo, a grande luta. Eu, particularmente, luto muito por essa sociedade. Se não houvesse uma diferença social tão grande, se todos nós tivéssemos acesso ao básico para viver, não teríamos que nos submeter a qualquer tipo de trabalho para garantir a subsistência. Dessa forma, penso que a gente alcança. Mas não acredito que a gente já tenha alcançado. Temos algumas experiências como, por exemplo, a Suécia. A desigualdade social desse país é bem menor do que no Brasil. As pessoas lá têm o básico, o Estado assegura um nível de vida razoável e há uma possibilidade de escolha, sim, de determinadas profissões, mas não num ponto tão... máximo de dizer o seguinte: “ele é só o prazer, eu busco o trabalho pelo prazer e somente isso”. A gente ainda não conseguiu e eu acho que essa é a grande luta do ser humano.
Portal Setor3: Isso não geraria outra crise? Por exemplo, nos países europeus, há mão-de-obra estrangeira, que ocupa trabalhos não desejados pela população local que se aproveita da situação irregular desses imigrantes. Nesse contexto, quando determinada sociedade atua em que quer e o outro faz o trabalho pouco atraente, há uma situação de exploração. Será que é possível ter equilíbrio?
M.L.L.S.: Acredito que seja possível sim. Se você tem tudo para viver o trabalho que vai querer fazer, é de fato aquele que você mais gosta. Então nós vamos ter pessoas que vão gostar, por exemplo, de ser gari, em determinados lugares, como a gente tem hoje muitas pessoas que se dedicam ao trabalho de reciclagem. 43% da população em situação de rua atua com materiais recicláveis. Algumas pessoas, que atuam nesse campo, não estão necessariamente em situação de rua e fazem isso por uma escolha. Elas gostam de entender esse mecanismo, de estar lá, de ver, de descobrir e de querer, de fato, contribuir com o meio ambiente, com a sociedade. Isso é uma escolha. Não acho que vai ter um trabalho menos valorizado do que o outro, como acontece hoje.
Portal Setor3: Em determinado trechoda publicação, você aborda que a força de riqueza no capitalismo contemporâneo continua sendo o trabalho não pago. O que é o trabalho não pago?
M.L.L.S.: O trabalho não pago é o que a gente chama de mais valia. Eu vendo a minha força de trabalho para alguém. Quando uma pessoa contrata outra por um salário mínimo está pensando naquele tempo médio, mas muitas vezes alguém tem a capacidade de produzir tão rápido, que cria uma forma intensa de trabalho. Aquele resto de trabalho não pago é o que vai trazer lucro para a pessoa que o contratou. A intensidade, os métodos e os procedimentos de trabalho que são criados hoje, como a internet, faz com que a gente produza 300 vezes mais a cada momento. O trabalho não pago termina sendo o lucro. É isso que move ainda o capitalismo.
Portal Setor3: Em outras palavras, é a exploração?
M.L.L.S.: É a exploração. É a mais valia.
Portal Setor3: Você fala que o desemprego é útil à manutenção do capitalismo. O livro tem a intenção de ser uma crítica ou ele acabou sendo?
M.L.L.S.: O desemprego é inerente ao sistema capitalista. A gente nunca viveu na história do capitalismo o pleno emprego. Chegamos ao quase, mas não o alcançamos. Porque se a gente conseguir não vai existir condição para o próprio capitalismo administrar, a partir da oferta e da procura, a sua lucratividade. O tipo de exploração que os capitalistas podem ter é pela oferta grande de mão-de-obra. É uma crítica sim à exploração, à sociedade. Sem dúvida o livro é. A situação de rua é vista como uma coisa que decorre da própria personalidade de um indivíduo e não como resultado da relação capital-trabalho. Eu quis fazer uma análise mostrando que esse fenômeno é resultado de uma relação estrutural. Tem outros fatores que afetam, mas a própria sociedade capitalista gera esse fenômeno. Claro que o livro termina sendo uma crítica a essa forma de sociedade, que termina gerando essas situações de vida subumana.
Portal Setor3: Na sua avaliação, qual seria a solução para resolver o desequilíbrio social que gera a população em situação de rua? Reformar o capitalismo? Optar por um novo sistema, seria o socialismo?
M.L.L.S.: Quando eu digo que a população em situação de rua decorre da condição sinequanon (sem o qual não pode ser) do capitalismo, é claro que digo também que as políticas sociais podem minimizar esse fenômeno. Mas ele só deixa de existir se passar a ser uma sociedade sem classes, em que a relação de exploração não vai acontecer. Portanto, é claro que eu defendo e acredito que esse fenômeno só será erradicado com um novo modelo de sociedade. Penso que o novo modelo é uma sociedade socialista, sim. Não tenho a menor dúvida. Entretanto, creio que na sociedade capitalista a redução das desigualdades pode ocorrer por meio das políticas públicas estruturantes, porque são instrumentos de redistribuição de riqueza. Sem dúvida, elas podem influir na redução desse fenômeno.
(entrevistas publicada em 04/08/2009 no site www.setor3.com.br)
domingo, 31 de janeiro de 2010
Convocatória Nacional para Projetos - Rede YES 2010
Relatório acusa agressões na Fundação Casa Julia Duailibi
domingo, 24 de janeiro de 2010
A verdade dividida...
Imagens de Dor, Solidariedade e... Oportunidade!






sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
A evolução das políticas sociais brasileiras
Nas discussões do Blog de Luis Nassif (Jornalista) sobre o Bolsa Família, o comentarista Gunter trouxe um excelente histórico sobre a evolução dos programas sociais no Brasil, que transformaram o país no número 1 do combate à fome, dentre os emergentes.
O histórico sobre o Bolsa Família mostra a maneira como conceitos e ideias se transformam em construções políticas e são apropriadas pelo país.
1994 – Iniciativa da prefeitura de Campinas (PSDB-SP), com o inesquecível prefeito José Luiz de Magalhães Teixeira, o Grama.
1995 – Plano escola distrital, por iniciativa de Cristovam Buarque (PT-DF, depois PDT-DF)
1995 – Criação do “Comunidade Solidária”, plano de transferência de renda voltado para famílias sem vínculo empregatício.
2001 – Início dos programas federais : abril : bolsa escola federal, setembro : bolsa/cartão alimentação, jan./2002 : auxílio-gás.
2003 – Continuidade dos programas anteriores, mas com a inclusão de cerca de 40% a mais de famílias. Em outubro, consolidação dos programas federais no Bolsa-Família e sua racionalização econômica, criação do Ministério de Desenvolvimento Social
2004 – elogios do Banco Mundial e grande aumento de famílias atendidas. Quase dobrando de 2003 a 2004 o número de beneficiarios, assumiu-se um muito maior comprometimento do orçamento.
2005 / 2006 – início de críticas contundentes da oposição. Desde “bolsa miséria” de colunistas a “bolsa esmola” por deputado do DEM. Maior crítica crível é a ausência de formatação para “porta de saída”
2007 – estudo favorável do Banco Mundial, reconhecendo que o Bolsa-família não desestimula a busca de trabalho (na prática a “porta de saída” passa a ser a passagem das crianças da famílias para a idade adulta.)
2008 – grande aumento de orçamento. Consolidado o patamar de 12 milhões de famílias, a partir de 2008 começa a haver aumento dos valores médios pagos.
2009 – reivindicação de paternidade pela oposição. Possivelmente em função do estudo do IBMEC de que o Bolsa-família traz retornos econômicos como multiplicador, o anúncio do governo que o B-F não sofreria reduções de orçamento para atuar como medida anti-cíclica e elogios de ONGs como Action Aid.
Conclui o comentarista:
“Tanto PT como PSDB foram favorecedores de primeiro momento do programa Bolsa-Família (ou Escola / Alimentação). O PSDB foi o primeiro a implantar em uma prefeitura. O PT o primeiro a implantar em uma Unidade da Federação. O PSDB colocou timidamente como política governamental, o PT/PDT como conteúdo programático. Finalmente o PSDB inicia, com maior desenvoltura, o programa no penúltimo ano de governo. O PT assume como política de Estado, triplicando os valores e famílias envolvidos.
Por um espaço de tempo, felizmente curto (2004-2008), a oposição PSDB/DEM um pouco que enjeitou o programa ao qual deu início. Esse comportamento, seu grande pecado político em função do contraste com a veemência com que o governo PT/PMDB estimulou o programa, felizmente parece superado.
Fonte: Texto retirado do Blog de Luiz Nassif www.luisnassif.com.br e publicado no caderno de economia do jornal ACBD Maior (ed. de 22 à 25 de janeiro de 2010)
O Forum Socia tá ai!!!! Participe...

O FSM é um espaço de debate democrático de idéias, aprofundamento da reflexão, formulação de propostas, troca de experiências e articulação de movimentos sociais, redes, ONGs e outras organizações da sociedade civil que se opõem ao neoliberalismo e ao domínio do mundo pelo capital e por qualquer forma de imperialismo. Após o primeiro encontro mundial, realizado em 2001, se configurou como um processo mundial permanente de busca e construção de alternativas às políticas neoliberais. Esta definição está na Carta de Princípios, principal documento do FSM.
O Fórum Social Mundial se caracteriza também pela pluralidade e pela diversidade, tendo um caráter não confessional, não governamental e não partidário. Ele se propõe a facilitar a articulação, de forma descentralizada e em rede, de entidades e movimentos engajados em ações concretas, do nível local ao internacional, pela construção de um outro mundo, mas não pretende ser uma instância representativa da sociedade civil mundial. O Fórum Social Mundial não é uma entidade nem uma organização
Saiba mais e se insscreva: www.forumsocialmundial.org.br
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Eu, Helena e a Polícia...

Dia 29 de dezembro de 2009, 5:30 da manhã, vindo da cidade de Santo André acabo de chegar na minha cidade natal; não chego sozinho, estou acompanhado de uma bela menina de cabelos cacheados como os da mãe, e humor matutino semelhante ao do pai, seu nome é Helena. Ela tem apenas 2 anos e meio, é minha filha; com o rostinho todo amaçado de quem acaba de acordar, olha ao redor para a 2ª maior rodoviária do país (em movimentação), a Rodoviária Novo Rio.
Fui para o Rio pra rever a família, encontrar os amigos, matar a saudade da Cidade Maravilhosa. Descemos do ônibus, à segurei pela mão e me dirigi ao bagageiro da condução, peguei as duas mochilas enormes de coisas para mim e para Helena, além é claro (e quem é “mãe/pai” sabe) da bolsa tira-colo com um monte de coisinhas de uso imediato, fraldas, pomada, lenço umedecido, mamadeira, uma muda de roupa, cobertorzinho por conta do ar condicionado do ônibus, e é claro documentos de identificação... Com esse monte de bolsas, fiquei impossibilitado de segurar minha “neguinha” no colo, consigo deixar uma mão livre para conduzi-la ao meu lado, saímos em meio a multidão de viajantes que chegam e que vão, entre amigos, pais e irmãos, mães, maridos, namorados, que esperam e aguardam... Afinal é fim de ano, estamos as vésperas do dia 31 de dezembro, virada de ano, ano novo. Todos viajam, todos chegam, todos esperam.
Sinto um pequeno puxão no braço e uma vozinha no meio do murmurio ensurdecedor dos viajantes; minha pequena com um olhar aflito me chama e pede, “pai quero fazer xixi”... ela está de fraldas, mas são as mesmas desde a noite anterior quando pegamos o ônibus em Santo André... eu sei que preciso troca-la... respondo a ela _ Segura um pouco “neguinha”, a gente já, já arranja um banheiro. Sigo com ela até a entrada dos banheiros da rodoviária, e me deparo com uma senhora colocada ali para cobrar pelo uso dos banheiros, e pergunto a ela por um “fraldário”, onde minha filha possa fazer “xixi” e eu possa troca-la; ao que ela responde que sim, existe, mais no banheiro feminino, onde é claro, eu não poderia acompanha-la; mais que se eu quisesse poderia aguardar um pouco, que viria uma funcionaria que poderia levar a menina até o “fraldário”. Fiquei de fato muito perplexo! Que mãe/pai em sã consciência poderia simplesmente no meio daquele mundo de gente, indo e vindo, acabar de chegar em uma cidade como o Rio de Janeiro, e deixar sua filha de 2 anos e meio com uma pessoa estranha, perguntei, como assim? Não haveria um outro lugar que eu “homem”, viajando com minha filha, poderia leva-la para ir ao banheiro e se trocar?
Naquele momento sinto outro pequeno puxão no braço e olho na direção da “neguinha”, que me diz entre lagrimas _ “Helena já fez papai”. Ela chorava, por que esta aprendendo a ir ao banheiro e sabe que não é “legal fazer nas calças”. Dessa forma em viajens longas, e como quando dorme ele ainda não tem pleno controle do momento de ir ou não ao banheiro, ela estava de fralda; nesse momento estava encharcada, e agora transbordava para suas calças e isso a incomodava muito. Soltei as bolsas e a levantei no colo tentando consola-la e percebi o quanto sua calça estava molhada, chegando a molhar seu tênis. Enquanto isso a senhora no “guichê” do banheiro, dizia que não podia fazer nada para ajudar.
Peguei Helena e segurando-a pela mão, acomodei as bolsas e subimos para o segundo piso, onde procuramos outro banheiro ou ao menos um cantinho mais vazio da Rodoviária que eu pudesse, nessa altura do campeonato, troca-la. Chegando próximo de um banheiro aparentemente sem movimento, encontrei um segurança e pedi a ele também ajuda para resolver esse problema, que até me parecia simples de ser resolvido por algum funcionário de uma Rodoviária daquele porte. Ele me informa que infelizmente aqueles banheiros estavam fechados e ele não poderia abri-los para que eu usa-se sem uma autorização “superior”, ainda que entendesse minha situação. Me orientou que procurasse o setor de informações da Rodoviária, que fica na entrada de frente para a Av. Perimetral. Que lá, dizendo do que se tratava, a pessoa ali me orientaria onde poderia enfim fazer a higiene de minha filha. Lá fui eu mais uma vez com um monte de bolsas, neguinha em uma das mãos, corredores cheios, pessoas dormindo pelo chão, outras nas filas das empresas de ônibus... descemos as escadas rolantes, contornamos o pátio, onde motoristas de taxi quase te empurram para dentro dos veículos; paramos diante do guichê de informações, e expliquei a situação por que estava passando, e outra senhora que ali estava, me diz que também não poderia fazer nada, que seu quisesse, tenta-se troca-la nos bancos próximos ao guichê... Olhei na direção que me apontava, e não diferente dos demais espaços da Rodoviária, com todos os lugares ocupados, alguns dormindo sentados, bolsas, mochilas e pessoas “lanchando”; e era ali naquele ambiente exposto, onde eu deveria retirar as roupas sujas de minha filha, trocar suas fraldas encharcadas e talvez sujas não apenas de “xixi”.
Não porque não houvesse um lugar, mais porque sou homem, e acesso a “Fraldário” é coisa de “Mulher”; assim minha filha que tem o direito a segurança da companhia familiar do pai/mãe, teve esse direito negado, ao mesmo tempo que se caracteriza uma situação de preconceito sexista do direito a paternidade, onde dentro de uma estrutura (estou falando de construção física mesmo – Prédio, além de cultural é claro) machista do que deve ser papel de homens e mulheres; vi minha filha suja, e já cabisbaixa por ter feito suas “necessidades” nas calças, e olha que ela só tem 2 anos e meio.
Nesse momento já muito indignado com a inércia e falta de atitude dos funcionários daquela Rodoviária, sem a menor vontade de expor ainda mais a minha filha, passei enfrente a uma escada com uma placa informando o acesso a “Vara da Infância” e ao “Posto Policial”. Este acesso parecia sem movimento, e juro que dada a situação pensei _ “vou subir, se encontrar um desses locais abertos pedirei ajuda a eles”, torcendo para que a Vara da Infância estivesse aberta, pois afinal sou carioca, e não temos, infelizmente, muito boas histórias que envolvam a polícia (militar ou civil).
Chegando no segundo piso, me deparei com um corredor estreito com todas as portas fechadas inclusive a da “Vara da Infância”, seguindo direto para o Posto Policial. A essa hora, sem muitas opções segui adiante até a porta de vidro do “Posto”, chamei o policial que estava de plantão, me apresentei e falei da situação que nos encontrávamos eu e Helena, e sem muitas perguntas de forma muito prestativa e solicita, nos deixou usar o espaço do dormitório dos policiais para que trocasse a menina. Deixei minhas bolsas na entrada do Posto, e com a bolsa a tira-colo fui com a neguinha até o local e a troquei. Não demoramos quase nada lá, em um espaço com alguns armários de metal e uma cama beliche com colchões bastante usados pude enfim fazer a higiene da Helena. Me despedi do policial, lhe desejei feliz ano novo e fui embora. Não perguntei seu nome, não sei sua patente, sua idade, nada... não sei nada sobre ele mesmo; eram 6:15 da manhã.
Desde então estou com esta história na cabeça, com este sentimento de que deveria voltar lá e agradecer mais uma vez aquele policial. E porque isso?
Eu diria que pela simples razão que é o certo a fazer, e creio que foi isso que ele pensou, quando no meio de tanta gente indo e vindo na rodoviária do Rio, resolveu que deveria me ajudar. Por que ele resolveu fazer oque era certo!
Talvez seja porque sendo eu Assistente Social, conheço um pouco sobre direitos sociais; e da mesmo forma conheço e já vi um pouco de suas violações em suas diferentes formas. Por que sei, na minha relação e história de vida profissional o quanto a instituição “Policial” é alvo de críticas, sobre corrupção, abusos e agressividade desnecessária; críticas inclusive minhas. Porque morando a quase 6 anos fora do Rio, à dois anos em Sto André (Grande São Paulo), as notícias sobre cidade do Rio e a ação policial que nos chegam quase nunca são boas... Porque no último domingo, li um artigo do empresário Emílio Odebrecht, no Jornal Folha de São Paulo (10/01/2010), criticando veementemente a imprensa nacional pelo fato de apenas noticiar as coisas ruins de um país que, vem sendo “noticia” na imprensa internacional como um país que dá certo em todos os aspectos, sem negar em momento algum todas os problemas internos que devem ser enfrentados e divulgados amplamente. Por que nesse artigo, ele dizia que,“...tornar públicas as mazelas é obrigação da imprensa em um país livre. Mas falar somente do que há de ruim na vida nacional, dia após dia, alimenta e realimenta a visão negativa que o brasileiro ainda tem de si.”
E por isso, mesmo não sendo imprensa; e até por isso! Resolvi escrever e divulgar essa história verdadeira. Não por que se passou comigo... mais principalmente, por que após mais de um ano sem ir até a “Cidade Maravilhosa”, retorno a ela com minha filha, sem a companhia de minha esposa, que continuaria trabalhando até dia 30 de dezembro; e me encontrando em meio a um problema “aparentemente simples”; me vejo acolhido e auxiliado por um representante de umas das instituições que tem uma das piores avaliações por parte da população, e no Rio de Janeiro, considerada como uma das mais violentas.
O policial, em uma escolha que a princípio, nada tem haver com sua atribuição original, nos garantiu direitos, a mim e a Helena. Escrevo isso, para agradece-lo, e através dele, a toda a instituição policial, sem negar as falhas, as dificuldades... Mais exaltar não as coisas ruins, porém as coisas boas, que podem até parecer uma “obrigação”, que poucos notam, mais que faz muita diferença na construção de uma sociedade mais justa e melhor. Obrigado Soldado!
José Adriano M C Marinho
Assistente Social
Professor na Universidade de Guarulhos – UNG
Assessoria Técnica da Secretaria de Inclusão Social do Município de Santo André.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Encontro dos Povos Guarani da America do Sul

Representantes do MinC (Ministério da Cultura) se reúnem em Diamante D’Oeste/PR para discutir os últimos detalhes do Encontro
Será realizada, nos dias 13 e 14 de janeiro de 2010, a 2ª Reunião da Comissão Organizadora do Encontro dos Povos Guarani da América do Sul na aldeia de Tekoha Añetete, município de Diamante D’ Oeste, Paraná. A Comissão é composta por representantes da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural (SID/MinC), por 15 lideranças Guarani do Brasil e do Paraguai e pelo antropólogo Rubem Almeida, coordenador do projeto, além de representantes da Itaipu Binacional, do Ministério da Cultura do Paraguai, da Prefeitura de Diamante D’Oeste e do Instituto Empreender, responsável pela produção executiva.
Os principais objetivos dessa 2ª reunião são os de definir os temas que serão discutidos durante o Encontro, a composição das delegações e os últimos detalhes logísticos, como os horários do transporte, a hospedagem e alimentação. Nessa reunião, que será a última da Comissão Organizadora antes do Encontro, em fevereiro, serão definidos ainda os espaços da aldeia para a montagem das estruturas de tendas e refeitório.
O Encontro dos Povos Guarani da América do Sul acontecerá entres os dias 02 e 05 de fevereiro, também na aldeia Tekoha Añetete, e contará com a participação de cerca de 800 indígenas Guarani do Brasil, da Bolívia, do Paraguai e da Argentina. O dia 02 será destinado à recepção das delegações. Os dias 03 e 04 serão destinados para reuniões exclusivas dos Guarani. No dia 05, último dia do Encontro, haverá reunião dos Guarani com os Ministros de Cultura dos países participantes e convidados.
O objetivo do Encontro é fomentar uma nova perspectiva cultural que fortaleça a relação entre esses povos e reduza a distância existente entre essas populações e os não-índios. O evento pretende, também, contribuir para a reflexão da importância dos povos Guarani para a formação da cultura sul americana.
O Encontro conta com a parceria da Itaipu Binacional, da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), das Prefeituras de Diamante D’Oeste e Foz do Iguaçu, das Secretarias de Educação e de Cultura do Paraná e da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA). Além delas, o projeto ganhou o apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), da Organização dos Estados Americanos (OEA) e do Mercosul Cultural - Fórum dos Ministros de Cultura dos países do Mercosul.
Leia mais no link: http://www.cultura.gov.br/site/2009/12/11/nhemboaty-guasu-nhande-reko-rexaka-yvy-rupa/
A Personalidade do Ano...


Pela primeira vez na história desse país, um grande numero da população consegue de fato ascender entre as classes sociais, e mais ainda sonhar com um futuro ainda melhor. Hoje a nossa imprensa nacional, não sei por que motivo... quando trata da melhoria de qualquer indicador ou fato que possa se apresentar como uma consequência direta dos atos do atual governo; ela a apresenta como sendo ato isolado de determinado setor, como quando afirma que "a industria brasileira demonstra preparo e enfrenta bem a crise", como se a isenção do IPI, não tivesse nada haver com o fato; ou ainda quando noticia que "A construção civil um dos setores que mais emprega no país, continua crescendo", como se o fato governo possibilitar acesso de empréstimos com juros muito baixos nos Bancos públicos, não obrigassem a concorrência a fazer o mesmo, ou quando cria um programa de habitação que mais que construir casas, amplia ainda mais o acesso ao crédito, não aquecesse o mercado da construção civil. Pois é, o Financial Times (conservador), o Le Monde (progressista), mídias internacionais, conseguem sem fechar os olhos para as imensas dificuldades que Brasil ainda tem de enfrentar visualizar e antever o futuro que a grande imprensa nacional comprometida com a velha política míupe tenta esconder do nosso povo.
Veja o quadro do Finacial Times no Link: http://www.ft.com/cms/s/0/32e550e8-efd4-11de-833d-00144feab49a.html?nclick_check=1
