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sábado, 13 de fevereiro de 2010

Trabalho e População Em Situação de Rua no Brasil



Ausência de moradia e abandono são uma constante na vida das grandes cidades, a junção destes dois termos em uma unica frase trás a tona uma das mais debatidas e trabalhadas questões sociais do Serviço Social, "A situação dos Moradores de Rua". Maria Lucia Lopes da Silva é assistente social, mestre e doutoranda em política social e lançou em julho de 2009 seu livro, Trabalho e População Em Situação de Rua no Brasil, pela Editora Cortez. A autora analisa dez anos de transformação nas relações de trabalho e entende a pobreza como um fenômeno social inerente ao sistema político-econômico vigente. Com larga experiência do tema ela viajou o Brasil promovendo debates com a população em situação de rua, ouvindo suas reivindicações e estudando alternativas. Confira a entrevista ao Portal Setor3 que reproduzimos a seguir (essas e outras entrevistas visite o site www.setor3.com.br).

Portal Setor3: Você diz em seu livro que o mercado de trabalho sofreu profundas transformações a partir do final do século passado e que ele ocupou o centro dessas mudanças. Quais foram elas?

Maria Lucia Lopes da Silva: O trabalho é central na organização da sociedade. No capitalismo avançado a relação capital-trabalho sempre foi determinante de outras relações sociais. Do final do século passado para o início deste novo milênio nós percebemos que o trabalho assalariado saiu da rota em que estava tendo universalização de acesso. Depois da década de 1970 o capitalismo entra numa crise, com a elevação do preço do petróleo e uma série de outras condições. O mercado financeiro internacional entrou em colapso e ocorreu uma reordenação dos papéis do Estado, um processo de reestruturação produtiva. Também aconteceu uma supervalorização do capital financeiro em detrimento do capital produtivo. O que eu quero dizer? Que o crescimento econômico e o lucro, ao invés de se darem pela ampliação do número de emprego com a criação de novas fábricas, de novas unidades de produção, na realidade, aconteciam mais por ganhos financeiros, como investimentos em poupanças, bolsas e ações. Esse é um fator que pesa muito nas mudanças do trabalho, porque diminui a oferta de vagas. Os grandes empresários e investidores passaram a não investir mais na ampliação de oportunidades. Ao contrário, eles passaram a ter lucro a partir da “financeirização” do capital.

Portal Setor3: O que foi a reestruturação produtiva?

M.L.L.S.: A reestruturação produtiva se deu assim: alto investimento em tecnologias avançadas. A microeletrônica passou a ter importância em todo o processo de produção e comercialização. Por exemplo, todo o serviço de vigilância passa a ser feito por câmeras, ao invés de ser feito por trabalhadores. Surgiu a robótica, a informática e passamos a ter comercialização via internet, telefone, diminuindo os postos de trabalho. Além disso, o Estado passou a diminuir a sua intervenção na economia. Antes esse ator era responsável pela produção de bens e serviços, como escola, energia elétrica, mas ocorreu o processo de privatização das empresas. No Brasil, por exemplo, a telefonia toda foi privatizada, como o caso da Vale do Rio Doce. Com isso o Estado diminuiu também o seu poder de oferecer vagas e bens e serviços importantes. Essas mudanças de função desse ator, associada à reestruturação produtiva, deixa uma massa excludente do mercado de trabalho.

Portal Setor3: Isso você chama de superpopulação relativa?

M.L.L.S.: É.

Portal Setor3: Posso dizer que essa nova crise financeira traz uma nova reestruturação produtiva, na medida em que se observa uma tendência maior de terceirização do trabalho?

M.L.L.S.: Não. O que a gente pode dizer é o seguinte: a reestruturação produtiva, que ocorreu no final da década passada, veio associada a uma valorização do capital financeiro. Essa atual crise irá impactar mais o capital produtivo e aprofundar o desemprego. É uma tendência. Com isso teremos outros tipos de trabalho, que passaram a surgir sem proteção social, sem vínculo duradouro, sem direitos. Cresceu o mercado informal. Tem que se pensar numa nova forma de envolver essas pessoas. Enquanto isso a população excluída aumenta e os problemas surgem.

Portal Setor3: Essa superpopulação relativa, então, seriam as pessoas que não se enquadram nessa nova relação?

M.L.L.S.: É. São as pessoas que têm condições de trabalhar, mas que não têm oportunidade. Por exemplo, a indústria têxtil fechou muitas fábricas aqui no Brasil, sobretudo na região sul. Aquelas pessoas que estavam trabalhando na indústria têxtil ficaram sem espaço. Muitas tinham um tipo de especialização, como os alfaiates que ficaram a mercê de uma nova vaga que não aparece. Mesmo se requalificando, a concorrência está sendo cada vez maior. Aumenta o desemprego. Essas mudanças todas provocaram o aprofundamento da pobreza, das desigualdades, a concentração de renda, direcionando para uma situação caótica. A partir daí, foi surgindo o fenômeno da população em situação de rua.

Portal Setor3: Você fala em seu livro que a presença dessa população se tornou mais expressiva nos últimos tempos. Isso porque ela cresceu ou porque se organizou em movimentos como o Movimento Nacional da População de Rua (MNPR) e começou a incomodar a classe média e a sociedade em geral?

M.L.L.S.: Na realidade ela começou a ser mais expressiva porque se expandiu.

Portal Setor3: Como você constatou essa expansão?

M.L.L.S.: Quando ela começa a crescer, os governantes e a população, de um modo geral, percebem, porque ela está no meio da rua. Essa presença começou a provocar uma reação dos governos, que fizeram pesquisas e começaram a contar. Nesses cálculos, eles levantaram alguns fatores. Um deles era o tempo que as pessoas estavam nas ruas. Nos estudos realizados no final da década de 1990, a grande maioria possuía até um ano nessa situação. Atualmente está crescendo o número de pessoas com mais de cinco anos. Isso mostra que aquele foi o momento que o fenômeno se expandiu. Analisei oito censos, entre 1995 e 2005, e comparei com outro feito em 71 cidades do Brasil, nos anos de 2007 e 2008, confirmando todo o levantamento que estava fazendo e, portanto, a grande explosão do fenômeno. Ao mesmo tempo, as pessoas em situação de rua começaram a reagir a partir da articulação de algumas entidades. Isso fez com que se transformasse numa expressão da questão social, que chama atenção. São os dois fatores juntos: a expansão e a forma de se manifestar na sociedade.

Portal Setor3: Além da subsistência, qual é ou deveria ser a função do trabalho na vida das pessoas?

M.L.L.S.: O trabalho cumpre dois papéis fundamentais. Um é de garantia da subsistência e o outro é o de trazer prazer, a vontade de viver. A pessoa vai se sentindo útil, na medida em que contribui com a produção de bens e de relações importantes para a sociedade. Eu parto da avaliação de que o trabalho tem um sentido de ser útil e de possuir um valor. O que eu quero dizer é que como atividade técnica, caracterizada como trabalho, é uma coisa que todos nós desenvolvemos na transformação de objetos que são úteis. Isso faz com que a gente se sinta valorizado, nos dá prazer. É quando a gente consegue desenvolver nossas habilidades e aplicá-las. O trabalho também propicia a você criar relações sociais, porque a produção nunca é feita isoladamente. Nunca faço sozinho, sempre preciso de uma cadeia que termina criando as relações. Essas são indispensáveis na vida das pessoas, fundamentais para convivermos em sociedade. Por isso ele é central e determinante das relações sociais. Tudo gira um pouco em torno do trabalho. Os direitos que você passa a ter, o acesso a clubes, lazer. É por isso que ele é o sonho, a esperança e a expectativa de todos, independente da forma de trabalho.

Portal Setor3: Em algum momento histórico, ou sociedade específica, o trabalho foi eleito como função social, considerando mais o prazer, a realização pessoal do que a subsistência?

M.L.L.S.: Não. Na minha análise não consideraria isso, mas acredito que esse é o grande objetivo, a grande luta. Eu, particularmente, luto muito por essa sociedade. Se não houvesse uma diferença social tão grande, se todos nós tivéssemos acesso ao básico para viver, não teríamos que nos submeter a qualquer tipo de trabalho para garantir a subsistência. Dessa forma, penso que a gente alcança. Mas não acredito que a gente já tenha alcançado. Temos algumas experiências como, por exemplo, a Suécia. A desigualdade social desse país é bem menor do que no Brasil. As pessoas lá têm o básico, o Estado assegura um nível de vida razoável e há uma possibilidade de escolha, sim, de determinadas profissões, mas não num ponto tão... máximo de dizer o seguinte: “ele é só o prazer, eu busco o trabalho pelo prazer e somente isso”. A gente ainda não conseguiu e eu acho que essa é a grande luta do ser humano.

Portal Setor3: Isso não geraria outra crise? Por exemplo, nos países europeus, há mão-de-obra estrangeira, que ocupa trabalhos não desejados pela população local que se aproveita da situação irregular desses imigrantes. Nesse contexto, quando determinada sociedade atua em que quer e o outro faz o trabalho pouco atraente, há uma situação de exploração. Será que é possível ter equilíbrio?

M.L.L.S.: Acredito que seja possível sim. Se você tem tudo para viver o trabalho que vai querer fazer, é de fato aquele que você mais gosta. Então nós vamos ter pessoas que vão gostar, por exemplo, de ser gari, em determinados lugares, como a gente tem hoje muitas pessoas que se dedicam ao trabalho de reciclagem. 43% da população em situação de rua atua com materiais recicláveis. Algumas pessoas, que atuam nesse campo, não estão necessariamente em situação de rua e fazem isso por uma escolha. Elas gostam de entender esse mecanismo, de estar lá, de ver, de descobrir e de querer, de fato, contribuir com o meio ambiente, com a sociedade. Isso é uma escolha. Não acho que vai ter um trabalho menos valorizado do que o outro, como acontece hoje.

Portal Setor3: Em determinado trechoda publicação, você aborda que a força de riqueza no capitalismo contemporâneo continua sendo o trabalho não pago. O que é o trabalho não pago?

M.L.L.S.: O trabalho não pago é o que a gente chama de mais valia. Eu vendo a minha força de trabalho para alguém. Quando uma pessoa contrata outra por um salário mínimo está pensando naquele tempo médio, mas muitas vezes alguém tem a capacidade de produzir tão rápido, que cria uma forma intensa de trabalho. Aquele resto de trabalho não pago é o que vai trazer lucro para a pessoa que o contratou. A intensidade, os métodos e os procedimentos de trabalho que são criados hoje, como a internet, faz com que a gente produza 300 vezes mais a cada momento. O trabalho não pago termina sendo o lucro. É isso que move ainda o capitalismo.

Portal Setor3: Em outras palavras, é a exploração?

M.L.L.S.: É a exploração. É a mais valia.

Portal Setor3: Você fala que o desemprego é útil à manutenção do capitalismo. O livro tem a intenção de ser uma crítica ou ele acabou sendo?

M.L.L.S.: O desemprego é inerente ao sistema capitalista. A gente nunca viveu na história do capitalismo o pleno emprego. Chegamos ao quase, mas não o alcançamos. Porque se a gente conseguir não vai existir condição para o próprio capitalismo administrar, a partir da oferta e da procura, a sua lucratividade. O tipo de exploração que os capitalistas podem ter é pela oferta grande de mão-de-obra. É uma crítica sim à exploração, à sociedade. Sem dúvida o livro é. A situação de rua é vista como uma coisa que decorre da própria personalidade de um indivíduo e não como resultado da relação capital-trabalho. Eu quis fazer uma análise mostrando que esse fenômeno é resultado de uma relação estrutural. Tem outros fatores que afetam, mas a própria sociedade capitalista gera esse fenômeno. Claro que o livro termina sendo uma crítica a essa forma de sociedade, que termina gerando essas situações de vida subumana.

Portal Setor3: Na sua avaliação, qual seria a solução para resolver o desequilíbrio social que gera a população em situação de rua? Reformar o capitalismo? Optar por um novo sistema, seria o socialismo?

M.L.L.S.: Quando eu digo que a população em situação de rua decorre da condição sinequanon (sem o qual não pode ser) do capitalismo, é claro que digo também que as políticas sociais podem minimizar esse fenômeno. Mas ele só deixa de existir se passar a ser uma sociedade sem classes, em que a relação de exploração não vai acontecer. Portanto, é claro que eu defendo e acredito que esse fenômeno só será erradicado com um novo modelo de sociedade. Penso que o novo modelo é uma sociedade socialista, sim. Não tenho a menor dúvida. Entretanto, creio que na sociedade capitalista a redução das desigualdades pode ocorrer por meio das políticas públicas estruturantes, porque são instrumentos de redistribuição de riqueza. Sem dúvida, elas podem influir na redução desse fenômeno.

(entrevistas publicada em 04/08/2009 no site www.setor3.com.br)

domingo, 31 de janeiro de 2010

Convocatória Nacional para Projetos - Rede YES 2010

Contribuição por email de Daniel Vaz da Opção Brasil:

Olá!

Encaminho para você a Convocatória Nacional para Projetos - Rede YES 2010. Ela faz parte da Iniciativa Global Rework te World, existente em 55 países do mundo e liderada em nível nacional pela Opção Brasil. A meta da Rede é de apoiar a geração no mundo de 2 milhões de empregos verdes para jovens até 2012, a partir da identificação de empreendimentos juvenis que trabalhem a questão da sustentabilidade social e ambiental e que possam ser incentivados estruturalmente pelos parceiros da Rework.

O edital tem como objetivo selecionar iniciativas que possam fazer parte da delegação brasileira no 3º Encontro Latinoamericano de Emprego Juvenil, de 8 a 10 de abril em Santiago, Chile; e na 5ª Cúpula Mundial de Emprego Juvenil, a ser realizada de 2 a 5 de junho próximos em Leksand, Suécia.

Maiores informações poderão ser conseguidas no arquivo no link abaixo. Peço ajuda na divulgação dessa oportunidade para a sua lista de contatos.

Abraços,

Daniel Vaz

http://docs.google.com/fileview?id=0B3bEuXYCJPTeYTBjY2Q2NDgtY2I2My00YmZlLTk2ZmQtODQ4ZWE3Mzk5NDBk&hl=pt_BR

Relatório acusa agressões na Fundação Casa Julia Duailibi

Relatório elaborado por oito entidades defensoras dos direitos humanos em complexos e unidades da Fundação Casa (ex-Febem), no último trimestre de 2009, constata problemas de infraestrutura e de violência corporal e psicológica contra adolescentes. Há jovens com cortes na cabeça e no rosto, que teriam ocorrido após briga com funcionários, internação em "solitária" improvisada embaixo de escada e relatos de ausência de tratamento médico adequado - um dos internos disse ter usado uma sacola de supermercado no lugar de sua bolsa de colostomia.

As informações constam de relatório de 70 páginas, obtido pelo Estado, que foi encaminhado em novembro para o gabinete do governador José Serra e para o secretário de Justiça, Luiz Antônio Marrey. O documento é baseado em depoimentos dos adolescentes e na constatação das equipes no local. Participaram da elaboração Conectas Direitos Humanos, Ilanud, Instituto Pro Bono, ACAT, AMAR, Comissão Teotônio Vilela e Cedeca Sapopemba e Interlagos.

Os piores casos estão nos complexos Raposo Tavares e Vila Maria. Há relatos de falta de higiene e depredação nas instalações e depoimentos de funcionários alegando que com a falta de servidores não há como prestar o serviço adequado aos jovens - inclusive levá-los para as consultas médicas.

As equipes visitaram 12 unidades, a maior parte delas ligadas a três complexos (Raposo Tavares, Vila Maria e Brás), onde havia 905 adolescentes - a Fundação Casa atende a 6.581 jovens em todo o Estado. O relatório baseia-se em dez itens, que vão de integridade física a alimentação e pedagogia.

Na unidade 28 do Raposo Tavares, um jovem ficou 20 dias isolado do convívio por ser alvo de ameaças dos outros internos. "Passa o dia inteiro trancado em uma área improvisada, dormindo num pequeno recesso em baixo de uma escadaria", diz o relatório. De acordo com jovens da unidade, agentes quebraram TV e rádio em cima deles durante uma briga. Um jovem tinha dois cortes grandes na cabeça, "mal suturados". Outro tinha o mesmo tipo de ferimento, segundo ele decorrente do estilhaçamento de um aparelho de som contra sua cabeça.

Os adolescentes dizem que o Grupo de Apoio, que faz a guarda das unidades, canta a seguinte música: "Grupo de apoio/qual é sua missão?/Entrar na unidade/ Pra quebrar ladrão/ Grupo de apoio/qual é sua missão?/ Bater nos ladrão e derramar sangue no chão".

No Complexo Vila Maria, os internos disseram que 20 dias antes da vistoria das entidades "20 adolescentes ficaram das 7 horas às 21 horas sem roupa, sentados no chão, com a cabeça baixa entre as pernas, sendo constantemente agredidos pelos funcionários da unidade com chutes, tapas na nuca, pé na cara". No mês passado, um adolescente do complexo disse que passou dez dias em isolamento, de cueca, sem colchão nem banheiro.
Fonte: http://www.estadao. com.br/estadaode hoje/20100121/ not_imp499103, 0.php

domingo, 24 de janeiro de 2010

A verdade dividida...

Um blog é um espaço para emitir opiniões, expressar sentimentos demostrar coisas criações e partilhar... A verdade tem sido tratada como algo sem profundidade, e passível de interpretações ao sabor de quem interpreta, na mão da mídia nacional, tem sido alterada constantemente segunda as intenções políticas que apoiam. Assim ela sempre depende do ponto de vista, e nunca conseguimos vela de forma completa. Acredito que um ponto que devemos levar em conta em meio aos "pontos de vistas" da verdade que defendemos, é a perspectiva ética no relacionamento com outro...
Segue um texto de Carlos Drumond de Andrade a respeito, no mais a reflexão é sua:

A porta da verdade estava aberta
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só conseguia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia os seus fogos.
Era dividida em duas metades
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era perfeitamente bela.
E era preciso optar. Cada um optou
conforme seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

Imagens de Dor, Solidariedade e... Oportunidade!

De fato o Haiti, não é aqui... Temos um país com imensos problemas sociais, com uma cultura infeliz de corrupção e de pobreza extrema em muitos pontos desse imenso país. Mais com certeza, o Haiti não é aqui... Em nosso país, apesar das disparidades expressas acima, temos uma democracia cada vez mais sólida e consolidada, nossa economia cresce e as últimas pesquisas informam que a pobreza extrema, mantido crescimento econômico e os investimentos sociais, acaba até 2016. É o Haiti não é aqui...
Por outro lado, em meio a tragédia, premeditada ou não, o fato é que aquele país que vinha sendo administrado por forças da ONU (entre elas o Brasil que nos últimos anos comanda a missão do órgão no país), já com suas instituições deterioradas, com seus militares desorganizados compondo mílicias armadas e a corrupção absorvendo como um poço sem fundo todos os recursos gerados, e ou enviados por organizações internacionais. A tragédia, pode ser de fato uma oportunidade de começar do "zero"; talvez não propriamente do "zero", até por que apesar de toda a destruição fisica que sofre há na história desse povo, um capital social inestimável, uma vontade de mudança, que busca oportunidade de desabrochar. É esta oportunidade que se apresenta... mais como toda oportunidade, não depende unicamente de vontade mais de compromisso multilateral, tanto entre os diversos grupos haitianos, assim como entre as nações que hoje se unem para contribuir com ajudas humanitarias e reconstrução do país... Muitas coisas podem ser dita, e muita já foi dito, todo mundo ao fim tem uma opinião sobre o assunto. Eu porém deixo vocês com estas reflexões e algumas imagens...










Estas imagens são do site:

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A evolução das políticas sociais brasileiras

Nas discussões do Blog de Luis Nassif (Jornalista) sobre o Bolsa Família, o comentarista Gunter trouxe um excelente histórico sobre a evolução dos programas sociais no Brasil, que transformaram o país no número 1 do combate à fome, dentre os emergentes.

O histórico sobre o Bolsa Família mostra a maneira como conceitos e ideias se transformam em construções políticas e são apropriadas pelo país.

1994 – Iniciativa da prefeitura de Campinas (PSDB-SP), com o inesquecível prefeito José Luiz de Magalhães Teixeira, o Grama.

1995 – Plano escola distrital, por iniciativa de Cristovam Buarque (PT-DF, depois PDT-DF)

1995 – Criação do “Comunidade Solidária”, plano de transferência de renda voltado para famílias sem vínculo empregatício.

2001 – Início dos programas federais : abril : bolsa escola federal, setembro : bolsa/cartão alimentação, jan./2002 : auxílio-gás.

2003 – Continuidade dos programas anteriores, mas com a inclusão de cerca de 40% a mais de famílias. Em outubro, consolidação dos programas federais no Bolsa-Família e sua racionalização econômica, criação do Ministério de Desenvolvimento Social

2004 – elogios do Banco Mundial e grande aumento de famílias atendidas. Quase dobrando de 2003 a 2004 o número de beneficiarios, assumiu-se um muito maior comprometimento do orçamento.

2005 / 2006 – início de críticas contundentes da oposição. Desde “bolsa miséria” de colunistas a “bolsa esmola” por deputado do DEM. Maior crítica crível é a ausência de formatação para “porta de saída”

2007 – estudo favorável do Banco Mundial, reconhecendo que o Bolsa-família não desestimula a busca de trabalho (na prática a “porta de saída” passa a ser a passagem das crianças da famílias para a idade adulta.)

2008 – grande aumento de orçamento. Consolidado o patamar de 12 milhões de famílias, a partir de 2008 começa a haver aumento dos valores médios pagos.

2009 – reivindicação de paternidade pela oposição. Possivelmente em função do estudo do IBMEC de que o Bolsa-família traz retornos econômicos como multiplicador, o anúncio do governo que o B-F não sofreria reduções de orçamento para atuar como medida anti-cíclica e elogios de ONGs como Action Aid.

Conclui o comentarista:

“Tanto PT como PSDB foram favorecedores de primeiro momento do programa Bolsa-Família (ou Escola / Alimentação). O PSDB foi o primeiro a implantar em uma prefeitura. O PT o primeiro a implantar em uma Unidade da Federação. O PSDB colocou timidamente como política governamental, o PT/PDT como conteúdo programático. Finalmente o PSDB inicia, com maior desenvoltura, o programa no penúltimo ano de governo. O PT assume como política de Estado, triplicando os valores e famílias envolvidos.

Por um espaço de tempo, felizmente curto (2004-2008), a oposição PSDB/DEM um pouco que enjeitou o programa ao qual deu início. Esse comportamento, seu grande pecado político em função do contraste com a veemência com que o governo PT/PMDB estimulou o programa, felizmente parece superado.

Fonte: Texto retirado do Blog de Luiz Nassif www.luisnassif.com.br e publicado no caderno de economia do jornal ACBD Maior (ed. de 22 à 25 de janeiro de 2010)

O Forum Socia tá ai!!!! Participe...



O FSM é um espaço de debate democrático de idéias, aprofundamento da reflexão, formulação de propostas, troca de experiências e articulação de movimentos sociais, redes, ONGs e outras organizações da sociedade civil que se opõem ao neoliberalismo e ao domínio do mundo pelo capital e por qualquer forma de imperialismo. Após o primeiro encontro mundial, realizado em 2001, se configurou como um processo mundial permanente de busca e construção de alternativas às políticas neoliberais. Esta definição está na Carta de Princípios, principal documento do FSM.

O Fórum Social Mundial se caracteriza também pela pluralidade e pela diversidade, tendo um caráter não confessional, não governamental e não partidário. Ele se propõe a facilitar a articulação, de forma descentralizada e em rede, de entidades e movimentos engajados em ações concretas, do nível local ao internacional, pela construção de um outro mundo, mas não pretende ser uma instância representativa da sociedade civil mundial. O Fórum Social Mundial não é uma entidade nem uma organização

Saiba mais e se insscreva: www.forumsocialmundial.org.br

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Eu, Helena e a Polícia...


Dia 29 de dezembro de 2009, 5:30 da manhã, vindo da cidade de Santo André acabo de chegar na minha cidade natal; não chego sozinho, estou acompanhado de uma bela menina de cabelos cacheados como os da mãe, e humor matutino semelhante ao do pai, seu nome é Helena. Ela tem apenas 2 anos e meio, é minha filha; com o rostinho todo amaçado de quem acaba de acordar, olha ao redor para a 2ª maior rodoviária do país (em movimentação), a Rodoviária Novo Rio.
Fui para o Rio pra rever a família, encontrar os amigos, matar a saudade da Cidade Maravilhosa. Descemos do ônibus, à segurei pela mão e me dirigi ao bagageiro da condução, peguei as duas mochilas enormes de coisas para mim e para Helena, além é claro (e quem é “mãe/pai” sabe) da bolsa tira-colo com um monte de coisinhas de uso imediato, fraldas, pomada, lenço umedecido, mamadeira, uma muda de roupa, cobertorzinho por conta do ar condicionado do ônibus, e é claro documentos de identificação... Com esse monte de bolsas, fiquei impossibilitado de segurar minha “neguinha” no colo, consigo deixar uma mão livre para conduzi-la ao meu lado, saímos em meio a multidão de viajantes que chegam e que vão, entre amigos, pais e irmãos, mães, maridos, namorados, que esperam e aguardam... Afinal é fim de ano, estamos as vésperas do dia 31 de dezembro, virada de ano, ano novo. Todos viajam, todos chegam, todos esperam.
Sinto um pequeno puxão no braço e uma vozinha no meio do murmurio ensurdecedor dos viajantes; minha pequena com um olhar aflito me chama e pede, “pai quero fazer xixi”... ela está de fraldas, mas são as mesmas desde a noite anterior quando pegamos o ônibus em Santo André... eu sei que preciso troca-la... respondo a ela _ Segura um pouco “neguinha”, a gente já, já arranja um banheiro. Sigo com ela até a entrada dos banheiros da rodoviária, e me deparo com uma senhora colocada ali para cobrar pelo uso dos banheiros, e pergunto a ela por um “fraldário”, onde minha filha possa fazer “xixi” e eu possa troca-la; ao que ela responde que sim, existe, mais no banheiro feminino, onde é claro, eu não poderia acompanha-la; mais que se eu quisesse poderia aguardar um pouco, que viria uma funcionaria que poderia levar a menina até o “fraldário”. Fiquei de fato muito perplexo! Que mãe/pai em sã consciência poderia simplesmente no meio daquele mundo de gente, indo e vindo, acabar de chegar em uma cidade como o Rio de Janeiro, e deixar sua filha de 2 anos e meio com uma pessoa estranha, perguntei, como assim? Não haveria um outro lugar que eu “homem”, viajando com minha filha, poderia leva-la para ir ao banheiro e se trocar?
Naquele momento sinto outro pequeno puxão no braço e olho na direção da “neguinha”, que me diz entre lagrimas _ “Helena já fez papai”. Ela chorava, por que esta aprendendo a ir ao banheiro e sabe que não é “legal fazer nas calças”. Dessa forma em viajens longas, e como quando dorme ele ainda não tem pleno controle do momento de ir ou não ao banheiro, ela estava de fralda; nesse momento estava encharcada, e agora transbordava para suas calças e isso a incomodava muito. Soltei as bolsas e a levantei no colo tentando consola-la e percebi o quanto sua calça estava molhada, chegando a molhar seu tênis. Enquanto isso a senhora no “guichê” do banheiro, dizia que não podia fazer nada para ajudar.
Peguei Helena e segurando-a pela mão, acomodei as bolsas e subimos para o segundo piso, onde procuramos outro banheiro ou ao menos um cantinho mais vazio da Rodoviária que eu pudesse, nessa altura do campeonato, troca-la. Chegando próximo de um banheiro aparentemente sem movimento, encontrei um segurança e pedi a ele também ajuda para resolver esse problema, que até me parecia simples de ser resolvido por algum funcionário de uma Rodoviária daquele porte. Ele me informa que infelizmente aqueles banheiros estavam fechados e ele não poderia abri-los para que eu usa-se sem uma autorização “superior”, ainda que entendesse minha situação. Me orientou que procurasse o setor de informações da Rodoviária, que fica na entrada de frente para a Av. Perimetral. Que lá, dizendo do que se tratava, a pessoa ali me orientaria onde poderia enfim fazer a higiene de minha filha. Lá fui eu mais uma vez com um monte de bolsas, neguinha em uma das mãos, corredores cheios, pessoas dormindo pelo chão, outras nas filas das empresas de ônibus... descemos as escadas rolantes, contornamos o pátio, onde motoristas de taxi quase te empurram para dentro dos veículos; paramos diante do guichê de informações, e expliquei a situação por que estava passando, e outra senhora que ali estava, me diz que também não poderia fazer nada, que seu quisesse, tenta-se troca-la nos bancos próximos ao guichê... Olhei na direção que me apontava, e não diferente dos demais espaços da Rodoviária, com todos os lugares ocupados, alguns dormindo sentados, bolsas, mochilas e pessoas “lanchando”; e era ali naquele ambiente exposto, onde eu deveria retirar as roupas sujas de minha filha, trocar suas fraldas encharcadas e talvez sujas não apenas de “xixi”.
Não porque não houvesse um lugar, mais porque sou homem, e acesso a “Fraldário” é coisa de “Mulher”; assim minha filha que tem o direito a segurança da companhia familiar do pai/mãe, teve esse direito negado, ao mesmo tempo que se caracteriza uma situação de preconceito sexista do direito a paternidade, onde dentro de uma estrutura (estou falando de construção física mesmo – Prédio, além de cultural é claro) machista do que deve ser papel de homens e mulheres; vi minha filha suja, e já cabisbaixa por ter feito suas “necessidades” nas calças, e olha que ela só tem 2 anos e meio.
Nesse momento já muito indignado com a inércia e falta de atitude dos funcionários daquela Rodoviária, sem a menor vontade de expor ainda mais a minha filha, passei enfrente a uma escada com uma placa informando o acesso a “Vara da Infância” e ao “Posto Policial”. Este acesso parecia sem movimento, e juro que dada a situação pensei _ “vou subir, se encontrar um desses locais abertos pedirei ajuda a eles”, torcendo para que a Vara da Infância estivesse aberta, pois afinal sou carioca, e não temos, infelizmente, muito boas histórias que envolvam a polícia (militar ou civil).
Chegando no segundo piso, me deparei com um corredor estreito com todas as portas fechadas inclusive a da “Vara da Infância”, seguindo direto para o Posto Policial. A essa hora, sem muitas opções segui adiante até a porta de vidro do “Posto”, chamei o policial que estava de plantão, me apresentei e falei da situação que nos encontrávamos eu e Helena, e sem muitas perguntas de forma muito prestativa e solicita, nos deixou usar o espaço do dormitório dos policiais para que trocasse a menina. Deixei minhas bolsas na entrada do Posto, e com a bolsa a tira-colo fui com a neguinha até o local e a troquei. Não demoramos quase nada lá, em um espaço com alguns armários de metal e uma cama beliche com colchões bastante usados pude enfim fazer a higiene da Helena. Me despedi do policial, lhe desejei feliz ano novo e fui embora. Não perguntei seu nome, não sei sua patente, sua idade, nada... não sei nada sobre ele mesmo; eram 6:15 da manhã.
Desde então estou com esta história na cabeça, com este sentimento de que deveria voltar lá e agradecer mais uma vez aquele policial. E porque isso?
Eu diria que pela simples razão que é o certo a fazer, e creio que foi isso que ele pensou, quando no meio de tanta gente indo e vindo na rodoviária do Rio, resolveu que deveria me ajudar. Por que ele resolveu fazer oque era certo!
Talvez seja porque sendo eu Assistente Social, conheço um pouco sobre direitos sociais; e da mesmo forma conheço e já vi um pouco de suas violações em suas diferentes formas. Por que sei, na minha relação e história de vida profissional o quanto a instituição “Policial” é alvo de críticas, sobre corrupção, abusos e agressividade desnecessária; críticas inclusive minhas. Porque morando a quase 6 anos fora do Rio, à dois anos em Sto André (Grande São Paulo), as notícias sobre cidade do Rio e a ação policial que nos chegam quase nunca são boas... Porque no último domingo, li um artigo do empresário Emílio Odebrecht, no Jornal Folha de São Paulo (10/01/2010), criticando veementemente a imprensa nacional pelo fato de apenas noticiar as coisas ruins de um país que, vem sendo “noticia” na imprensa internacional como um país que dá certo em todos os aspectos, sem negar em momento algum todas os problemas internos que devem ser enfrentados e divulgados amplamente. Por que nesse artigo, ele dizia que,“...tornar públicas as mazelas é obrigação da imprensa em um país livre. Mas falar somente do que há de ruim na vida nacional, dia após dia, alimenta e realimenta a visão negativa que o brasileiro ainda tem de si.”
E por isso, mesmo não sendo imprensa; e até por isso! Resolvi escrever e divulgar essa história verdadeira. Não por que se passou comigo... mais principalmente, por que após mais de um ano sem ir até a “Cidade Maravilhosa”, retorno a ela com minha filha, sem a companhia de minha esposa, que continuaria trabalhando até dia 30 de dezembro; e me encontrando em meio a um problema “aparentemente simples”; me vejo acolhido e auxiliado por um representante de umas das instituições que tem uma das piores avaliações por parte da população, e no Rio de Janeiro, considerada como uma das mais violentas.
O policial, em uma escolha que a princípio, nada tem haver com sua atribuição original, nos garantiu direitos, a mim e a Helena. Escrevo isso, para agradece-lo, e através dele, a toda a instituição policial, sem negar as falhas, as dificuldades... Mais exaltar não as coisas ruins, porém as coisas boas, que podem até parecer uma “obrigação”, que poucos notam, mais que faz muita diferença na construção de uma sociedade mais justa e melhor. Obrigado Soldado!

José Adriano M C Marinho
Assistente Social
Professor na Universidade de Guarulhos – UNG
Assessoria Técnica da Secretaria de Inclusão Social do Município de Santo André.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Encontro dos Povos Guarani da America do Sul


Representantes do MinC (Ministério da Cultura) se reúnem em Diamante D’Oeste/PR para discutir os últimos detalhes do Encontro

Será realizada, nos dias 13 e 14 de janeiro de 2010, a 2ª Reunião da Comissão Organizadora do Encontro dos Povos Guarani da América do Sul na aldeia de Tekoha Añetete, município de Diamante D’ Oeste, Paraná. A Comissão é composta por representantes da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural (SID/MinC), por 15 lideranças Guarani do Brasil e do Paraguai e pelo antropólogo Rubem Almeida, coordenador do projeto, além de representantes da Itaipu Binacional, do Ministério da Cultura do Paraguai, da Prefeitura de Diamante D’Oeste e do Instituto Empreender, responsável pela produção executiva.

Os principais objetivos dessa 2ª reunião são os de definir os temas que serão discutidos durante o Encontro, a composição das delegações e os últimos detalhes logísticos, como os horários do transporte, a hospedagem e alimentação. Nessa reunião, que será a última da Comissão Organizadora antes do Encontro, em fevereiro, serão definidos ainda os espaços da aldeia para a montagem das estruturas de tendas e refeitório.

O Encontro dos Povos Guarani da América do Sul acontecerá entres os dias 02 e 05 de fevereiro, também na aldeia Tekoha Añetete, e contará com a participação de cerca de 800 indígenas Guarani do Brasil, da Bolívia, do Paraguai e da Argentina. O dia 02 será destinado à recepção das delegações. Os dias 03 e 04 serão destinados para reuniões exclusivas dos Guarani. No dia 05, último dia do Encontro, haverá reunião dos Guarani com os Ministros de Cultura dos países participantes e convidados.

O objetivo do Encontro é fomentar uma nova perspectiva cultural que fortaleça a relação entre esses povos e reduza a distância existente entre essas populações e os não-índios. O evento pretende, também, contribuir para a reflexão da importância dos povos Guarani para a formação da cultura sul americana.

O Encontro conta com a parceria da Itaipu Binacional, da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), das Prefeituras de Diamante D’Oeste e Foz do Iguaçu, das Secretarias de Educação e de Cultura do Paraná e da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA). Além delas, o projeto ganhou o apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), da Organização dos Estados Americanos (OEA) e do Mercosul Cultural - Fórum dos Ministros de Cultura dos países do Mercosul.

Leia mais no link: http://www.cultura.gov.br/site/2009/12/11/nhemboaty-guasu-nhande-reko-rexaka-yvy-rupa/

A Personalidade do Ano...



Podemos fazer muitas conjecturas acerca do governo do Presidente Lula, desde os receios de que com sua gestão o Brasil daria moratória na divida, de que não governaria para todos, etc... Podemos visualizar também a sombra do corrupção que sempre pairou em nosso pais sobre seu governo. O mais interessante em tudo isso e a consolidação da democracia, a qual não podemos abrir mão em prol de discursos sectários e preconceituosos, que sem uma proposta concreta para Brasil vem utilizando da mídia como as famigeradas "imprensa marrons", utilizando-se do expediente da difamação, distorção e indução, se vendendo como a "verdade". Não há como desconsiderar nenhum dos muitos aspectos negativos do governo "Lula"; no entanto, nunca me senti tão orgulhoso de viver nesse pais. Nesse pais onde um trabalhador que chega ao "poder máximo do executivo", mais que "sociólogos, economistas, administradores, militares e toda a velha oligarquia política desse país", deixar de lado a "síndrome de vira-latas", sonhar e construir um país "grande", para dentro e para fora. Todos os indicadores econômicos, educacionais, sociais, culturais e de saúde, melhoraram substancialmente. Se na crise de ecônomica enfrentada pelo Governo Fernando Henrique, com aumento do juros para especulação financeira, congelamento de salários e concursos públicos, privatização de empresas estratégicas; onde no período anterior as eleições de 2002, através de difamação e boataria os juros reais/ano chegaram ao patamar de 45%, como forma de destabilizar a governança de um governo que preconizava mudanças. O governo Lula, chama a crise de "marolinha", aponta para os países ricos (responsáveis pela crise) chamando-os a responsabilidade de soluciona-la, e sem insentar-se de também fazê-lo, convoca a população, hoje mais rica para que não temam a crise e que continuem consumindo; de forma que hoje, qualquer economista concorda que foi nosso consumo interno que segurou o impacto mais duro da crise, fazendo do Brasil, um país em desenvolvimento ser um dos primeiros países a sair dela, sem aumentar um só ponto percentual os juros reais, inclusive com queda de juros.
Pela primeira vez na história desse país, um grande numero da população consegue de fato ascender entre as classes sociais, e mais ainda sonhar com um futuro ainda melhor. Hoje a nossa imprensa nacional, não sei por que motivo... quando trata da melhoria de qualquer indicador ou fato que possa se apresentar como uma consequência direta dos atos do atual governo; ela a apresenta como sendo ato isolado de determinado setor, como quando afirma que "a industria brasileira demonstra preparo e enfrenta bem a crise", como se a isenção do IPI, não tivesse nada haver com o fato; ou ainda quando noticia que "A construção civil um dos setores que mais emprega no país, continua crescendo", como se o fato governo possibilitar acesso de empréstimos com juros muito baixos nos Bancos públicos, não obrigassem a concorrência a fazer o mesmo, ou quando cria um programa de habitação que mais que construir casas, amplia ainda mais o acesso ao crédito, não aquecesse o mercado da construção civil. Pois é, o Financial Times (conservador), o Le Monde (progressista), mídias internacionais, conseguem sem fechar os olhos para as imensas dificuldades que Brasil ainda tem de enfrentar visualizar e antever o futuro que a grande imprensa nacional comprometida com a velha política míupe tenta esconder do nosso povo.


Veja o quadro do Finacial Times no Link: http://www.ft.com/cms/s/0/32e550e8-efd4-11de-833d-00144feab49a.html?nclick_check=1

sábado, 19 de dezembro de 2009



A declaração política proposta esta noite em Copenhaga resulta de difíceis negociações de última hora entre líderes de 26 países industrializados e emergentes. O pseudo acordo, sem carácter vinculativo, foi concluído numa reunião que teve como ...

Três candidatos na mesma arena: A Conferência do Clima

O confronto entre Serra, Dilma e Marina teve como palco a Conferência do Clima. E ninguém se entendeu sobre se o Brasil deve financiar ou não o combate ao aquecimento...

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

UE exige posição do País sobre pré-sal em Copenhague

O principal negociador da União Europeia (UE) para o clima, Artur Runge-Metzger, cobrou ontem do Brasil uma posição sobre o uso do petróleo do pré-sal. Apesar de satisfeito pela "mesa não estar mais vazia" de propostas dos países em desenvolvimento, ele diz que ainda há muitas questões em aberto para saber se as metas anunciadas até agora são suficientes ou não.
"O Brasil falou em reduzir o desmatamento e colocou números porcentuais, a China disse que vai diminuir a intensidade de carbono e a Índia também. Mas há questões pendentes. No Brasil, o que vocês estão fazendo no setor industrial? Sabemos que muito petróleo foi encontrado em frente à costa brasileira. Ele será usado em grande escala?", indagou. Runge-Metzger ressaltou que até hoje "a matriz energética é limpa, majoritariamente de hidrelétricas" e que o País tem a vantagem de usar muito biocombustível. "Mas isso pode mudar radicalmente se essa grande quantidade de petróleo for utilizada."

O negociador europeu também se queixou do fato de ainda não ter conseguido discutir de que forma as metas de redução das emissões de gases causadores do estufa dos países em desenvolvimento entrarão no texto de Copenhague. "Estamos aqui há quatro dias e não conversamos sobre isso. É frustrante para nós."

Já o presidente dos EUA, Barack Obama, elogiou o Brasil ontem, em Oslo, onde recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Ele disse estar "muito impressionado" com o Fundo Amazônia - que recebe doações de países para permitir a conservação da floresta e, assim, evitar a emissão de gases-estufa resultantes do desmatamento. Para Obama, "esse é, provavelmente, o meio mais barato de enfrentar a questão: montar um corpo efetivo de mecanismos para evitar novos desmatamentos e, quem sabe, plantar novas árvores".

FMI
A questão do financiamento para as ações de corte de emissão e adaptação às mudanças climáticas inevitáveis é o maior impasse de Copenhague. O investidor bilionário George Soros apresentou ontem, na conferência, uma proposta para resolver o tema. Sua ideia é utilizar linhas de financiamento liberadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para ajudar países industrializados durante a crise econômica mundial e que acabaram não sendo acionadas. A sugestão recebeu apoio de ONGs ambientalistas.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A hipocrisia sobre o aborto no Brasil e a morte de Neide Mota

"Novas formas discursivas entram em ação e se potencializam. Mídia, setores conservadores da Igreja Católica e de outras religiões dando as mãos, numa aliança “fraterna” e inequívoca, para impedir os avanços da autonomia sexual e reprodutiva, da liberdade e da solidariedade da população brasileira, particularmente de todas as mulheres".

Para ler o texto completo conslute o site da Rits abaixo:

Artigo de Margareth Arilha, Diretora Executiva da CCR.
Fonte:http://www.rits.org.br/

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Brasil - O País do futuro?

Reportagem de Danilo Almeida, feita para o Yahoo! Brasil

Não faz muito tempo, imaginar o Brasil escapando quase ileso de uma avassaladora crise global, e ainda por cima emprestando dinheiro ao FMI (Fundo Monetário Internacional), poderia soar como devaneio - e quem apostaria no país como iminente exportador de petróleo?
Ver a diplomacia brasileira dar de frente com os nações mais desenvolvidas, mediar tensões e bater forte na porta da sala das grandes potências, pedindo um espaço, seria ufanismo. Cravar "Rio de Janeiro" como sede de Olimpíada, então - e com direito a Copa do Mundo dois anos antes -, quase uma chacota. O amanhã, no entanto, parece estar chegando àquele que era, até outro dia, o eterno "país do futuro".
Não faltam justificativas para um "otimismo exuberante", como diz o Financial Times, que nesta quinta-feira publica caderno especial sobre investir no Brasil. No enunciado da primeira página, "Louvor olímpico põe selo no progresso". Mas nunca é demais lembrar que o país ainda tem o desafio enorme de superar uma dura realidade de vergonhosa desigualdade social e crescente violência.

Consolidado como líder regional, o Brasil quer se sentar na mesma mesa em que as grandes decisões são tomadas. Leva na pasta ousadia, capacidade de integração e a credencial de um país que tem sabido aproveitar a diversidade cultural, os vastos recursos naturais, a capacidade da indústria e o potencial de consumo de uma população que já sente alguns benefícios desta guinada.
Desde 2003, segundo o IBGE, mais de 19 milhões de brasileiros saíram da condição de miséria. Ajudaram a comprar, a manter o mercado interno aquecido, foram decisivos para fazer a crise mundial parecer uma quase "marolinha" no Brasil, como chegou a desdenhar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A mais recente taxa de desemprego divulgada pelo IBGE, referente a setembro, anda bem perto do menor índice histórico, de 7,4%.
"O Brasil leva boas vantagens em relação aos demais países em desenvolvimento", avalia o professor de Economia do Ibmec Rio Ruy Quintans, referindo-se ao bloco chamado de Bric (Brasil, Rússia, Índia e China). "É amistoso, aliado natural dos EUA, não tem o caráter belicoso da Rússia. Também não tem os problemas de demanda interna da Índia, que, apesar da grande população, tem muita pobreza e restrições quanto a religião. E é um regime democrático, ao contrário da China, totalitária, por isso sujeita a instabilidades."
Lá fora, quem tem dinheiro enxerga aqui oportunidades e redireciona os investimentos. Menos de dois meses atrás, a agência de classificação de riscos financeiros Moody's concedeu ao país o chamado "grau de investimento", algo como um aval sobre a confiabilidade dos papéis brasileiros - o que outra agência, a Standard & Poor's, já tinha feito, em abril do ano passado.
Desde o auge da turbulência, o índice Ibovespa, o principal da Bolsa de Valores de São Paulo, acumula valorização de 120%. Uma das melhores performances em todo o mundo, um "momento espetacular", na opinião do professor de Finanças da Fundação Getúlio Vargas, Ricardo Araújo: "O que mais chama a atenção do investidor é o potencial muito rico das empresas brasileiras, elas são hoje muito competitivas no mercado internacional. Além disso, o país tem um mercado financeiro sólido, um grande potencial de crédito e uma demanda de consumo interno muito forte".
Combinando a exploração do mercado interno e a diversificação dos parceiros externos, o Brasil fortaleceu sua moeda e multiplicou as reservas internacionais de US$ 36 bilhões em 2002 para US$ 233 bilhões no mês passado. No mesmo período, dobrou o volume de importações e exportações. Dobrou também, em valores brutos em reais, a riqueza produzida entre 2002 e 2008. Com US$ 10 bilhões comprou bônus do FMI. Virou credor do "algoz" de até outro dia.
Antes, acusou os Estados Unidos de subsidiar ilegalmente a produção de algodão do país, e venceu a disputa na OMC (Organização Mundial do Comércio) - a mesma entidade onde o Brasil encampa a briga por menos protecionismo dos países ricos, na chamada Rodada Doha. Em tempos de necessidade de renovação das matrizes energéticas, desenvolveu e saiu para vender o etanol à base de cana-de-açúcar. Mais tarde, descobriu gigantescas reservas de petróleo e gás no mar a mais de 7 mil metros de profundidade, a camada pré-sal. Tal força econômica vai se convertendo em dividendos políticos lá fora, o que gera mais oportunidades.

'Cidadania internacional'
Vêm aí Copa do Mundo e Olimpíada, investimentos inicialmente previstos em US$ 5 bilhões e R$ 28 bilhões, respectivamente. "O Brasil conquistou a cidadania internacional. Quebramos o último preconceito. Saímos do patamar de segunda classe para primeira", definiu o presidente Lula depois do anúncio do Rio de Janeiro como sede dos Jogos. A auto-estima do brasileiro nunca esteve tão em alta.

O próprio carisma do presidente é fator preponderante neste sucesso internacional. Só em 2009 ele já foi homenageado pela Unesco, em função das "ações pela paz e justiça social"; e, nesta semana, pela Chatham House, sede do respeitado Royal Institute for International Affairs, do Reino Unido, pela "atuação em políticas social e econômica". "É o cara", nas palavras do homem mais poderoso do mundo, o presidente Barack Obama. Tem canal aberto com o norte-americano do mesmo modo como tem com o venezuelano Hugo Chavez ou o iraniano Mahmoud Ahmadinejad.
"A diplomacia brasileira tem hoje grande credibilidade internacional", analisa o professor de Relações Internacionais da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), Williams Gonçalves. "O país busca estabilidade, novas alianças, entendimento, diálogo. Não é uma agenda 'do contra', mas mesmo assim não aceita a ordem internacional e põe os interesses nacionais em primeiro lugar."
Em política externa, Lula conta com Celso Amorim, "o melhor ministro de Relações Exteriores do mundo" na definição da revista Foreign Policy, o influente braço de assuntos internacionais do Washington Post, quinto diário mais lido nos Estados Unidos. É Amorim o cérebro por trás da liderança brasileira na missão da ONU para a estabilização do Haiti e mesmo no apoio ao presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya. O grande objetivo: a conquista de um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.
Dona de uma das cinco cadeiras, a França já se posicionou ao lado do Brasil como representante legítimo do mundo em desenvolvimento - simultaneamente, negocia a venda de caças ao governo brasileiro. Hoje credor do FMI e aliado estratégico de nações ricas, consideradas "vilãs" daquele eterno "país do futuro", o Brasil inverte o passado para superá-lo.

Softwere livre - CONISLI 2009

A comunidade de softwere livre tem trazido dentro de uma perspectiva de debates e alternativas uma imensa capacidade criativa e alternativas ao alcance da população em geral. Podemos afirmar que se hoje muitos brasileiros podem ter acesso e um computador por preços muito baixos é por que o sistema operacional do aparelho que está comprando é "livre" (Linux, Ubuntu, etc...) Cabe ainda dizer que "livre" não quer dizer necessáriamente "gratis", mais sim que o "código fonte" do programa tem propriedade aberta. É como se você comprasse um livro e pudesse acrescentar outras palavras adequando a história a sua realidade e uso, e assumindo a responsabilidade pela alteração, enriquecendo as possibilidades que sua "história" encerra. Como muitas pessoas acessam o softwere livre vão melhorando as qualidades dela, o custo de sua manutenção e desenvolvimento fica muito baixo, o que é coberto atraves de ações de marketing, e propagandas... Bom, eu sou leigo na profundidade da discussão sobre o assunto. Se quer saber mais dê um pulo na CONISLI 2009.
Abraços
José Adriano Marinho
O Grupo de Usuários de Software Livre de São Paulo convida a todos profissionais de TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação), acadêmicos, desenvolvedores, entusiastas, artistas culturais com propostas livres e envolvidos com cultura digital livre para participarem do 7º. Congresso Internacional de Software Livre.O Conisli 2009 terá a presença do especialista Jon Maddog Hall, reconhecido mundialmente como embaixador e líder de Linux no mundo. Jon Maddog Hall será o responsável por aplicar a prova de LPI. O evento também contará com palestras do professor Ladislau Dowbor, Jomar Silva e Sérgio Amadeu.Dentro das atrações do Festival de Cultura Digital Livre, teremos a presença do Mágico Skarlone, que usa o seu trabalho para encantar, aguçar a curiosidade,formar sorrisos, abrilhantar, enriquecer e tornar o dia de quem assiste inesquecível. No primeiro dia será lançado o portal do Núcleo Musical Coletivo Digital,repositório que busca dar vazão e publicidade a iniciativas artísticas e culturais que possam circular livremente pela rede mundial de computadores, com foco na música independente.
Data: 04/12/2009 e 05/12/2009Local: MIS - Museu da Imagem e do Som
Endereço: Av. Europa, 158.Bairro: Jardim EuropaCidade: São Paulo - SPMais informações: http://www.conisli.org.br

domingo, 8 de novembro de 2009

Situação da Infância e da Adolescência Brasileira 2009 – O Direito de Aprender: Potencializar Avanços e Reduzir Desigualdades

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) divulgou em junho/2009 o relatório Situação da Infância e da Adolescência Brasileira 2009 – O Direito de Aprender: Potencializar Avanços e Reduzir Desigualdades, uma análise sobre o direito de aprender no Brasil realizada a partir das estatísticas mais recentes relacionadas ao tema.





O relatório conclui que o País obteve importantes avanços nos indicadores de acesso, aprendizagem, permanência e conclusão do Ensino Básico. Na publicação, o UNICEF analisa as desigualdades educacionais no Brasil – especialmente as regionais, étnico-raciais e socioeconômicas, bem como as relacionadas à inclusão de crianças com deficiência. São essas desigualdades que impedem que parcelas mais vulneráveis da população brasileira tenham garantido seu direito de aprender, sobretudo nas regiões do Semiárido, da Amazônia Legal e nas comunidades populares dos centros urbanos.


Para se ter uma ideia, 97,6% das crianças e adolescentes entre 7 e 14 anos estão matriculados na escola, o que representa cerca de 27 milhões de estudantes. Esses 2,4% podem parecer pouco, mas representam 680 mil crianças fora da escola. É mais do que a população do Suriname. E desse total de crianças fora da escola, 66% (450 mil) são negras. Da mesma forma, o percentual de crianças fora da escola na Região Norte é duas vezes maior do que o mesmo percentual na Região Sudeste.


domingo, 1 de novembro de 2009

Graduação a Distância em Serviço Social no Brasil

CARTA ABERTA AOS ESTUDANTES E TRABALHADORES DOS CURSOS DE
GRADUAÇÃO A DISTÂNCIA EM SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL

Texto integrante do Relatório Final do 38º Encontro Nacional CFESS/CRESS - 06 a 09 desetembro de 2009 - Campo Grande/MS.


Para ler o relatório completo acesse o link: http://docs.google.com/fileview?id=0B3bEuXYCJPTeNGExMDk2NGEtNDkwOS00Y2RjLWI2YjctYmE2MDJmMmNiYmIz&hl=pt_BR


Os delegados, observadores e convidados reunidos entre os dias 6 e 9 de setembro de 2009, em Campo Grande (MS), no 38º Encontro Nacional, fórum máximo de deliberação do Conjunto CFESS/CRESS regulamentado pela Lei 8662/93, e as entidades nacionais e regionais de Serviço Social – Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) e Conselhos Regionais de Serviço Social (CRESS), Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa de Serviço Social (ABEPSS) e Executiva Nacional de Estudantes de Serviço Social (ENESSO) - dirigem-se aos estudantes e trabalhadores envolvidos com o oferecimento de cursos de graduação à distância em serviço social para fazer alguns esclarecimentos e reflexões, necessários frente ao debate nacional em curso.
Desde o ano 2000, quando realizamos seminário conjunto das três entidades nacionais para uma análise da LDB e suas conseqüências para o ensino superior (Cf. Revista Temporalis nº 1, 2001), vimos mantendo uma posição crítica ao estímulo das forças de mercado na educação, incorporado largamente pela legislação brasileira. Naquele momento rejeitamos os cursos seqüenciais, que implicavam a diminuição da carga horária da formação e sua banalização, bem como a graduação à distância, cujos efeitos deletérios já eram identificados. Fazíamos ali a também a crítica dos mestrados profissionais e ao aligeirando da formação de pós-graduação. Portanto, já são quase 10 anos de discussão. As posições que vimos tomando não são individuais, mas produto de um processo coletivo, fóruns de debate, documentos e manifestações, além de teses e publicações que expressam significativo acúmulo sobre o assunto. Assim, não são posicionamentos e atitudes políticas e institucionais fundadas no desconhecimento, na discriminação e no preconceito, e menos ainda são dirigidas a vocês, estudantes e trabalhadores, que se mobilizaram para esses cursos por inúmeras razões que compreendemos, apesar da nossa discordância para com a política brasileira de ensino superior. É legítimo o anseio dos estudantes de ter acesso ao ensino superior, num país onde 51% da População Economicamente Ativa (PEA) não tem emprego com contrato de trabalho e 15% não tem ocupação. O ensino superior tem sido um privilégio de poucos, sendo mais de 80% oferecido em instituições privadas. Esta é a condição da oferta de vagas presenciais e de emprego propiciada por um projeto de nação que não atendeu historicamente aos anseios das maiorias. Este direito, no entanto, deve ser alcançado com qualidade e condições de oferecer aos estudantes formação crítica que os prepare não apenas para o exercício profissional, mas também amplie as condições de atuar em um mundo cada vez mais complexo. Não estamos discutindo a educação a distância em todas as suas modalidades. Pensamos que muitas de suas técnicas e invenções pedagógicas podem ser suporte ao processo de ensino-aprendizagem presencial em vários de seus níveis. Queremos a tecnologia e a interatividade virtual em favor da qualidade. O Conjunto CFESS/CRESS e a ABEPSS, em articulação com a Universidade de Brasília, por exemplo, estão realizando um curso de especialização nesta modalidade, envolvendo cerca de 800 assistentes sociais, em sua segunda edição (o primeiro ocorreu entre 1999 e 2002).

Portanto, não somos avessos à tecnologia e atrasados frente às inovações educacionais. Diferente de um curso de especialização ou extensão, a graduação não é um curso complementar, de atualização profissional. Estamos falando da formação básica! Nela o aluno apreende e participa de processos pedagógicos presenciais vinculados à pesquisa e à extensão. Nesse processo, tem contato com os fundamentos da vida social e da profissão, a ética profissional, e as competências e habilidades profissionais previstas na regulamentação da profissão, inclusive por meio do estágio supervisionado com os requisitos presentes nas Diretrizes Curriculares da ABEPSS, do
MEC, na Lei de Estágio (11788/2008) e na Resolução CFESS 533/2008, que regulamenta a supervisão direta de estágio no Serviço Social. Nossa profissão tem como matéria as expressões da questão social. Sob cada parecer, cadastro e encaminhamento que o profissional realiza há vidas, cujas trajetórias podem ser modificadas por uma intervenção profissional que não consiga perceber as inúmeras facetas da questão que se apresenta, que não consiga ir além das aparências, que não tenha a investigação como um elemento de seu trabalho, que não compreenda as conseqüências éticas das escolhas profissionais. Destacamos ainda alguns princípios e elementos do perfil profissional previstos nas Diretrizes Curriculares da ABEPSS (1996):

1. Favorecer a dinamicidade do currículo por meio de disciplinas, oficinas, seminários temáticos, atividades complementares;
2. Rigor teórico, histórico e metodológico na análise da realidade social e do Serviço Social;
3. Adoção de uma teoria social crítica que possibilite a apreensão da totalidade social;
4. Considerar as dimensões investigativa e interventiva da formação profissional, e a relação teoria e realidade;
5. Padrões de desempenho e qualidade idênticos para cursos diurnos e noturnos;
6. Indissociabilidade nas dimensões de ensino, pesquisa e extensão;
7. Exercício do pluralismo com debate sobre as várias tendências teóricas em luta pela direção social da formação profissional;
8. Ética como princípio formativo perpassando a formação curricular;
9. Indissociabilidade entre estágio e supervisão acadêmica e profissional
Esses princípios se articulam a um perfil profissional com a capacidade de apreender as particularidades da constituição e desenvolvimento do capitalismo e do Serviço Social no país, desvelando as possibilidades de ação contidas na realidade, bem como de exercer a profissão cumprindo as competências e atribuições previstas na Legislação Profissional em vigor. As informações sobre a implementação dos cursos de graduação a distância mostram que esses princípios e perfil não estão assegurados nesta modalidade. O dossiê elaborado pelo CRESS 17ª Região (ES), por exemplo, explicita que não foi encontrada nenhuma atividade de pesquisa e extensão nos projetos pedagógicos dos cursos oferecidos. A indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão tem assegurado uma ampla produção científica e bibliográfica na área, articulando inclusive graduação e pós-graduação. Sabemos, evidentemente, que há dificuldades de implementação deste princípio também no ensino presencial, sobretudo nas instituições privadas de ensino superior (IES), em função da precarização do trabalho docente com ausência de destinação de carga horária para pesquisa e extensão, dentre outras razões. Contudo, existem esforços docentes e discentes nesses espaços privados para assegurar sua materialização, principalmente dos segmentos mais orgânicos à ABEPSS. Na graduação à distância, considerando sua lógica interna, centrada no ensino virtual ou mediado por mídias, esse princípio é inviabilizado.

O estágio supervisionado é outro aspecto grave da graduação à distância, no qual se concentram inúmeros obstáculos para garantir os critérios pedagógicos para uma formação de qualidade e requisitos legais da profissão, considerando especialmente o exercício da supervisão direta com a presença do supervisor de campo e acadêmico. Elas mostram a ausência de encaminhamentos institucionais para garantir campos de estágio aos estudantes, que assumem a responsabilidade de sua inserção nos campos, gerando muitas tensões. Vários municípios não comportam a absorção da quantidade de estudantes dos cursos a distância e presenciais. Há municípios pequenos, com um número reduzido de profissionais para uma quantidade exorbitante de alunos, o que não permite que o estágio tenha a contribuição necessária para a formação dos estudantes e se choca diretamente com a Resolução CFESS 533/2008, que estabelece a supervisão de campo de um estudante para cada 10 horas semanais de jornada de trabalho do assistente social.

Não estamos nesta luta para impedir quem quer que seja de estudar. Pelo contrário, sempre lutamos pela ampliação do acesso e pela educação como direito de todos e dever do Estado. Queremos educação com qualidade para todas e todos. A política em curso não significa democratização do acesso ao ensino superior, mas a reprodução de informações recolhidas de forma fragmentada da bibliografia da profissão e transmitidas através de apostilas e manuais de baixa qualidade que não observam a perspectiva de totalidade e criticidade, comprometendo a formação profissional e o atendimento à população brasileira. Muitas universidades públicas no Brasil ainda não oferecem cursos de Serviço Social. Temos ampliado nossas lutas pela abertura desses cursos com conquistas significativas.

O ônus da política educacional que vem sendo feita por sucessivos governos não deve recair sobre os estudantes e trabalhadores envolvidos com EaD, e muito menos sobre as entidades de Serviço Social. Nossa tarefa é cobrar do Estado, especialmente do Ministério da Educação a igualdade de acesso ao ensino superior presencial para todos e a garantia da qualidade da oferta.
Reafirmamos nossa posição contrária à modalidade de ensino de graduação à distância em serviço social. Convidamos os estudantes e trabalhadores para se somarem à luta histórica em defesa do ensino público, universal, gratuito, presencial, laico e de qualidade. Cobramos do MEC a ampliação de vagas com qualidade para atender a demanda por ensino superior no Brasil. Convocamos, por fim, o debate público, democrático e respeitoso sobre essa questão, parametrado pelos princípios que norteiam o Serviço Social brasileiro.

Campo Grande, 9 de setembro de 2009.
Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa de Serviço Social
Conselho Federal de Serviço Social
Conselhos Regionais de Serviço Social
Executiva Nacional de Estudantes de Serviço Social
Aprovada na Plenária Final do 38º. Encontro Nacional CFESS/ CRESS, realizado de 06 a
09 de setembro de 2009 em Campo Grande-MS.